ATOS DE 7 DE SETEMBRO - Empresas itaunenses acusadas

Por Publicado em:10/09/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 76

Mídia nacional destaca ação de empresários da cidade na manifestação pró-Bolsonaro em Brasília

Passado o 7 de setembro, com discurso agressivo do presidente Bolsonaro, seguido de recuada estratégica nas suas falas, a mídia nacional começou a repercutir os bastidores do movimento ocorrido em Brasília, citando o envolvimento de empresários na organização e financiamento do ato na capital federal. E dentre as várias matérias publicadas nos últimos dias, uma delas, dos jornalistas Leonardo Fuhrmann e Mariana Franco Ramos, foi publicada no site “De Olho no Agronegócio” e na revista Carta Capital, além de ter sido citada em outras mídias. Nela consta a informação da participação de empresas e empresários, especialmente do agronegócio, tanto no auxílio da organização do ato quanto no financiamento do mesmo. E as empresas ID Agronegócio e Sidersa Siderurgia, ambas de propriedade do empresário Igor Dornas, são citadas.

Além da citação do envolvimento num possível financiamento do ato, a empresa de Igor Dornas é apontada na relação com conflitos agrários. O título da matéria afirma que “Empresas que invadiram Esplanada têm histórico de trabalho escravo, crimes ambientais e conflitos agrários”. Veja a íntegra do trecho em que empresas e o empresário itaunense são citados:

“Empresários do agronegócio ajudaram a arquitetar — e a financiar — a invasão da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e demais ações golpistas do feriado. No Dia da Independência, a presença de caminhões de suas empresas no local mostrava a participação delas na invasão antidemocrática da véspera. Os manifestantes pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Por trás dos logotipos nas laterais das carretas, De Olho nos Ruralistas identificou histórias de trabalho escravo, crimes ambientais e conflitos com camponeses — além de lobbies junto a congressistas.


DONOS DA ID AGRONEGÓCIO E DA SIDERSA VIAJARAM EM COMBOIO

A partida dos caminhões da ID Agronegócio de Minas para Brasília foi noticiada por O Estado de Minas, jornal da capital Belo Horizonte, que registrou a fala ufanista de um dos caminhoneiros: “Pode preparar aí, Bolsonaro, estamos chegando em Brasília, e tá firme aí com o senhor”, afirmou. “Dia 7 de Setembro a onça vai beber água, pode preparar aí, Supremo”. Os bovinos, equinos e muares da empresa são criados na Fazenda Pito Aceso, no município do centro-oeste de Minas Gerais. O comboio partiu no sábado (04), da Sidersa Siderurgia Santo Antônio, do mesmo dono: Igor Dornas Andrade.
Os geraizeiros (descendentes de indígenas e quilombolas que habitam regiões de transição para a Caatinga) são os principais atingidos pela monocultura de eucalipto. O conflito socioambiental envolvendo a Sidersa foi retratado em artigo da cientista social e pesquisadora Isabel Cristina Barbosa de Brito, da Universidade Nacional de Brasília (UnB). Este observatório conseguiu contato com um representante da ID identificado somente como Bráulio, que confirmou a participação nas manifestações antidemocráticas. “A empresa não ajudou a financiar os atos, mas arcou com todas as suas despesas”, justificou. Segundo ele, estiveram na capital federal os donos, funcionários e “vários amigos”, sendo que cada um pagou os próprios custos da viagem. Bráulio contou que os funcionários dirigiram os caminhões. Questionado sobre o número de pessoas presentes, as remunerações dos trabalhadores e o valor gasto em combustível e alimentação, ele não respondeu mais às solicitações.”

Ônibus financiado por empresários

Em matéria publicado pelo jornal “Estado de Minas”, do dia 5 de setembro, porém, a informação é de que a viagem de simpatizantes bolsonaristas a São Paulo foi financiada por empresários e relata o custeio no valor de R$ 15 mil para mandar dois ônibus a São Paulo: “O bolsonarismo tem forte apoio, inclusive financeiro, de uma parte do empresariado de Itaúna. Há pouco mais de três meses empresários da cidade se uniram para bancar os custos de uma clínica de tratamento precoce para Covid na cidade. Com o nome de PAI - Posto de Atendimento Imediato, a clínica teve gestão administrativa do SINDIMEI - Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Itaúna e ofereceu atendimento gratuito para a população durante três meses”.
E complementa, falando do pagamento de ônibus para a ida a São Paulo: “Agora os empresários se uniram novamente para bancar o custo de R$ 15 mil de envio de dois ônibus leito de Itaúna para São Paulo para os atos de 7 de Setembro na Avenida Paulista. As pessoas que se candidataram a ir até a capital paulista poderão fazer a viagem gratuitamente”.

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