Atendimento caótico nos postos de saúde

Por Publicado em:28/01/2022 | Atualizado em:29/11/-0001 117

Pessoas que testam positivo para a Covid não têm atendimento médico e é preciso improvisar para transportá-las até onde possam ser atendidas

Com o aumento dos casos de Covid após o surgimento da variante Ômicron, o atendimento nas unidades de saúde do município ficou ainda mais complicado. Nos últimos dias alguns exemplos destes problemas chegaram à redação, apontando, além da falta de profissionais para o atendimento, também a necessidade de uma estruturação deste atendimento, além da necessidade de repasse de informações mais concretas para todas as unidades, para que estas sejam repassadas à comunidade com mais unicidade. Sobre as informações, a reclamação é de que elas são bastante desencontradas, não respeitando um padrão de mensagem, o que torna o entendimento ainda mais complicado para as pessoas que as buscam.
Em relação ao atendimento nas unidades, a principal reclamação é a falta de médicos. Em algumas unidades de saúde, por exemplo, só se realiza o teste de detecção da Covid se o paciente apresentar um pedido do médico. Porém não se consegue o atendimento médico para que possa ser solicitado o pedido. Quem precisar de fazer o teste tem que conseguir uma consulta, muitas vezes por meio particular, para realizar o teste. Ou correr o risco de não detectar a doença e até mesmo sofrer pioras no estado de saúde.

Outro problema é que, mesmo testando positivo, na maioria dos postos não existe atendimento médico, como registrado nesta semana no Bairro das Graças. Duas senhoras testaram positivo para a Covid, após a realização de testes naquele local. Porém, para conseguir um atendimento médico, para saber o procedimento a ser tomado, necessitaram ir a outra unidade de saúde onde um médico as atenderia. Então viveu-se uma situação que poderia até ser engraçada, não fosse a seriedade do momento.
As senhoras tentaram transporte por meio de telemoto, porém não foi possível, até mesmo pelo risco de contágio. Não havia um transporte adequado que eliminasse os riscos de contágio das demais pessoas, isso após a confirmação da contaminação pela doença. Restou a um parente de uma das mulheres conseguir capas de plástico (para proteção de chuva) para as mulheres, luvas (inadequadas, diga-se de passagem) para que pudesse transportá-las até o local onde seriam atendidas e, em seguida, para suas casas, onde deveriam iniciar o período de isolamento.

Caso não tivessem conseguido essa ajuda, deveriam fazer uso do transporte coletivo, colocando todos os demais passageiros em risco de contágio. Outro problema registrado é com relação a uma família onde um dos membros teve testagem positiva. Seus pais têm comorbidades conhecidas pela equipe do PSF da comunidade onde residem. O isolamento e os “testes de contato” (como são denominados os testes que devem ser feitos nas pessoas que têm contato com contaminados) tiveram que ser realizados por iniciativa própria. Não foi feita sequer uma ligação telefônica para a as pessoas desta família para saber em relação ao isolamento e a necessidade de outras medidas. Caso não quisessem proceder ao isolamento, poderiam tranquilamente transitar em meio às demais pessoas, disseminando o vírus, lembraram.

Conforme as pessoas ouvidas na reportagem, não basta à Prefeitura postar boletins com números de contágios nas redes sociais e publicar mensagens, nessas mesmas redes. É preciso um trabalho organizado, sério, estruturado, por parte das autoridades públicas, em especial as sanitárias, para que o combate à pandemia não passe de frases de efeito em canais de pouca credibilidade, como afirmou um dos ouvidos pela reportagem.

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