ARTE URBANA - “Trem nos Muros” colore a cidade

Por Publicado em:26/02/2021 | Atualizado em:26/02/2021 941
Parte da arte que está sendo concluída no muro de 400m² da Fundação Frederico Ozanan Parte da arte que está sendo concluída no muro de 400m² da Fundação Frederico Ozanan Bruno Nicácio

Artistas itaunenses levam originalidade e “vida” para diferentes espaços. Mural na Fundação Frederico Ozanan é o atual projeto da dupla 

“Esse vento que leva a gente/ Querendo ir em frente, tá indo pra trás/ É gosto de rua cinzenta/ Hoje violenta e só penso em gritar/ Sou eu ?/ Eu não nasci pra ser muro em branco não/ Sou eu que enlouqueço só de respirar?/ Sinto um cheiro de podre no ar”. Em meio ao asfalto sem vida que cobre a maioria das ruas da cidade e dos prédios padronizados que uniformizam a visão pelos quarteirões, qualquer fonte de diversidade agrada aos olhos. Como destaca a letra da música “Muro em Branco”, acima, do grupo Francisco, El Hombre, não só o homem, mas onde ele vive, que é a sua extensão, necessitam da diversidade, não de uma coisa só, sem personalidade e apática.
Por isso chamam a atenção as novas cores do muro frontal da Fundação Frederico Ozanan, na José Luiz Calambau, no Cerqueira Lima, marcantes e intensas, em tons diversos. De frente para o Cemitério Central e ao lado da Capela Velório, a fachada da instituição que abriga idosos agora se destaca pela originalidade e alegria, ressignificando sua localização, contrastando com as edificações e espaços que a cercam.

O trabalho está sendo realizado pelos artistas Anderson Max e Mairon Alves, fundadores do projeto TREM (Trampos Requintados Em Muros), criado em 2018 com o objetivo de produzir murais artísticos. O nome da iniciativa surgiu depois que os trabalhos já haviam começado, em uma das paredes da Estação 796, na linha férrea do bairro Santanense. “Como somos de Minas Gerais, queríamos um nome que remetesse a nossa região. Na época estávamos trabalhando no mural da Estação de Santanense. Então foi uma ligação da palavra [trem], tão usada pelos mineiros, com o momento que estávamos vivendo. E no final, acabamos usando a palavra como uma sigla para Trampos Requintados Em Muros”, explica Mairon.
A pintura do mural na Fundação Frederico Ozanan, que teve início em 26 de janeiro, é o segundo projeto em espaço público da dupla, que também já fez trabalhos em imóveis particulares, em áreas internas. A intervenção foi contratada pelos coordenadores do Ponto de Cultura do Idoso da instituição, através da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (com recursos do Estado), e os desenhos foram decididos em conjunto, dentro das características adotadas pelo TREM em suas produções, sempre com temas voltados à música e a elementos da natureza (plantas e animais), retratando “a vida e a arte”.

No muro, de aproximadamente 400m², está sendo usada tinta acrílica. “Mas o trabalho começa bem antes, com a busca de referências, depois fazemos o desenho no papel, aí partimos para a escolha das cores com o desenho digital e só assim partimos para a pintura. Para marcar a ilustração no muro, usamos um gabarito, no qual serve para guiar o tamanho e proporção de toda a ilustração em tamanho maior”, detalha Max. Para realizar toda a produção, a dupla é a responsável pela maior parte, mas outros três artistas convidados e nove ajudantes foram convocados, além de voluntários que se dispuseram a contribuir.
Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho do TREM, outros murais e pinturas já criados e todos os detalhes deste projeto – que está sendo documentado pela Plano Alto Produção Visual e pelo fotógrafo Bruno Nicácio – pode acessar a página oficial no Instagram: @tremnosmuros.

Os artistas Anderson Max e Mairon Alves ao lado de seu mais recente projeto, ainda em andamento - Foto Bruno Nicácio

 

Última modificação em Sexta, 26 Fevereiro 2021 08:51

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