Literatura - Escritoras negras ocupam lugar que lhes pertence

Por Publicado em:21/05/2021 | Atualizado em:21/05/2021 147

A itaunense Aline Rafaela Lelis é uma das autoras de “Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras”

Quando o Brasil se divide em pedaços de ódios formatados em falsas ideologias e pregações insensatas, é bom saber que a obra de Carolina Maria de Jesus é debatida e, mais que isso, gera reflexão e livro. Carolina é uma escritora negra que se revelou ao mundo em seu livro “Quarto de Despejo”, lançado em 1960, a partir da reunião de textos de 20 diários escritos pela “mãe solteira, pouco instruída e moradora da favela do Canindé, em São Paulo”, como a escritora é comumente apresentada a quem não a conhece. Traduzida para vários idiomas, Carolina foi alçada à “prateleira” em que está Raquel de Queiroz e tantos outros grandes nomes da literatura nacional.
E é a partir da obra desta grande brasileira que surge “Carolinas: a nova geração de escritoras negras brasileiras”, obra da qual faz parte a escritora itaunense Aline Rafaela Lelis, já bastante conhecida e respeitada no meio acadêmico. Aline é educadora, especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), graduada em História pela Universidade Federal de Ouro Preto e mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O livro é resultado do processo formativo FLUP Pensa “Uma Revolução Chamada Carolina”. A Festa Literária das Periferias (FLUP) homenageou, em 2020, a escritora Carolina Maria de Jesus, a primeira mulher negra a fazer sucesso internacional no meio literário. Foram selecionadas 210 mulheres para o processo formativo de escrita, que teve como formadores/ orientadores, 7 experientes escritores da cena literária brasileira: Ana Paula Lisboa, Cristiane Costa, Eduardo Coelho, Alexandre Faria, Eliana Alves Cruz, Fred Coelho, Itamar Vieira Júnior e Milena Britto. Aline foi selecionada para compor a banca da escritora e jornalista Cristiane Costa. Ela e mais 35 mulheres se reuniram durante 15 encontros virtuais para um processo de escrita criativa que resultou na produção de textos inspirados na obra “Quarto de Despejo” que completou 60 anos em 2020.
Os textos foram reunidos na parte 1, “Fazer da literatura sua morada”, do livro “Carolinas”. Desse encontro formativo nasceu o primeiro spin-off da Flup, o Ominira Quilombo de Escrivivências, um coletivo de mulheres negras escritoras que acreditam no impacto que a leitura tem na vida das pessoas. Essa é a segunda coletânea que a escritora itaunense participa. Em 2019 ela foi uma das autoras da coletânea “Raízes: Resgate Ancestral” um projeto da Editora Venas Abiertas, que reuniu 20 escritoras negras brasileiras. Para adquirir o livro, acesse o link https://bazardotempo.com.br/loja/carolinas-a-nova-geracao-de-escritoras-negras-brasileiras/.

Última modificação em Sexta, 21 Mai 2021 17:50

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