COVID - Itaúna tem ótimos números e Carnaval pode acontecer

Por Publicado em:26/11/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 350

No Brasil a retomada do cotidiano continua, mas alertas “vindos de fora” são de que ainda não é hora de “liberar geral”

Os números da Covid no Brasil são otimistas e mostram que a situação aos poucos vai voltando ao “normal”. Em Itaúna a situação não é diferente e já se pode ver um cotidiano praticamente idêntico ao de antes da pandemia, especialmente nos bairros. Comerciantes praticamente aboliram cuidados como utilização/fornecimento de álcool em gel aos clientes, a maioria das pessoas não usa máscaras nas ruas e a obrigatoriedade do uso nos recintos fechados (que deveria continuar acontecendo) não é respeitada. Na área central a situação é mais controlada, mantendo-se os cuidados, porém aos poucos vai sendo flexibilizado.

Conforme dados divulgados pela Prefeitura na sexta-feira, 19, já foram aplicadas 144.502 doses de vacina anti-Covid, até então. Segundo essas informações, 74.686 pessoas já receberam a primeira dose da vacina, o que corresponde a 79.07%. Se somadas aos 2.139 que receberam a vacina em dose única, essa porcentagem vai a 81,33%. As pessoas que receberam a segunda dose somam 60.577, o que equivale a 65,13%. Também neste caso, somando-se as 2.139 pessoas que receberam o imunizante em dose única, chega-se ao índice de 66.71 dos itaunenses. Também foi divulgado que 6.967 pessoas já receberam a dose de reforço.

Conforme anunciado há algumas semanas, “100% da população adulta de Itaúna já foi vacinada”. Porém essa não é a realidade, já que uma fatia da população, por questões de crença religiosa, convicção política ou até mesmo ignorância, não se vacinou. No caso da primeira dose do imunizante, atinge mais que 18% da população, o que representa quase 20 mil itaunenses. E essas pessoas podem colocar as demais 75 mil em risco, visto que não se têm ainda informação segura de quanto tempo a imunização aplicada surte efeito. E esse fato se repete em todo o País.
Por esses motivos, muita gente está questionando a realização do Carnaval no próximo ano. Conforme essas pessoas, “ainda não é o momento”, já que muitos itaunenses ainda não se vacinaram. Por outro lado, uma parte da população aguarda o retorno dos festejos de momo, até mesmo com uma certa ansiedade. Para essas pessoas, a situação é tranquila e já podem ser realizadas festas com grande número de pessoas.

Prefeitura tem posição otimista

Na manhã da quarta-feira, 24, a reportagem entrou em contato com o assessor de Comunicação da Prefeitura, Hermano Martins, para saber como estão os preparativos em relação ao Carnaval. Ele respondeu que ainda não tinha os números de blocos inscritos, já que as inscrições foram abertas e assim permanecem. Quanto à organização da festa, disse que “eu já posso afirmar que tudo depende do avanço da vacinação e do controle da pandemia. Na Europa, os países que estão voltando a passar dificuldades são os que possuem baixa cobertura vacinal, estão influenciados pela questão do inverno e, predominantemente, estão sofrendo agora com a Delta que já teve seu ápice no Brasil. Como o carnaval é em março, a população seguindo o ritmo da vacinação e, consequentemente, tendo o controle da pandemia, não há o porquê de não realizar. Como o secretário de Saúde do Estado (Baccheletti) disse ontem (23/11): ‘vários eventos e até jogos com mais de 60 mil pessoas estão acontecendo e a pandemia segue controlada graças à vacinação’.”

Infectologista itaunense pede “calma”

O médico infectologista itaunense Unaí Tupinambás, professor na UFMG e membro do comitê de enfrentamento da Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte, cidade que recebeu distinção internacional pelo enfrentamento à pandemia, também falou à reportagem da FOLHA, especialmente sobre a redução dos cuidados como a utilização de máscaras na prevenção à doença. Ele afirmou que “a gente entende que a pandemia ainda não acabou. Há sinais claros de redução de casos no Brasil, há mais de 16 semanas acontece uma redução na média de casos, mas, no entanto, a gente vê o que está acontecendo na Europa (Inglaterra, Holanda, Alemanha), nos Estados Unidos, onde estão enfrentando uma quarta onda. E lá, em muitos desses países, com níveis de vacinação igual ou melhor do que no Brasil, com exceção dos Estados Unidos. Na Inglaterra, na Holanda, com níveis de vacinação muito próximos do Brasil”.

E continuou afirmando que, devido a esses fatos, “a gente fica com receio, com essa flexibilização fora de hora. A gente acha que não é o momento de flexibilizar o uso de máscaras. Uma das causas (da quarta onda) que está sendo discutida na Inglaterra e na Holanda também foi eles terem abolido o uso de máscaras, inclusive em locais fechados. Então muitas pessoas sem máscaras em locais fechados, a vacinação às vezes não ainda (completa) em grupos prioritários e o inverno estão levando à quarta onda. Inclusive a Alemanha teve que exportar pacientes para outros países, porque lá teve uma sobrecarga nos serviços de CTI. A situação é muito delicada ainda. Eu vejo que nós estamos próximos do controle, desta pandemia virar endemia, com controle mais adequado dos casos, mas acho que esse momento (ainda) não é o adequado, não é o momento de tirar a máscara”.

Unaí Tupinambás ainda faz uma convocação às pessoas: “aquelas pessoas que estão habilitadas a tomar a primeira dose, a segunda, ou aquelas que já podem receber o reforço, façam isso. A pandemia ainda não acabou. A gente espera o controle da pandemia até no fim do primeiro semestre do ano que vem, mas o momento ainda é preocupante. Nós temos que manter todo o controle, todos os cuidados, inclusive para evitar o aparecimento de novas cepas (da doença), que podem evadir da resposta imune da vacina. Usem máscaras, que já se mostraram altamente eficazes na prevenção da Covid”, concluiu o médico infectologista.

Compartilhe esta notícia