DESCASO? - Presépio “Humberto Salera” foi desmanchado!

Por Publicado em:06/05/2022 | Atualizado em:06/05/2022 281

É a resposta conseguida pela FOLHA. Cidadão cobra respostas e inquérito para apurar desmanche por parte da Prefeitura. Secretário aponta “falta de cuidados” de administrações passadas

Na edição de 30 de abril, a FOLHA publicou matéria informando a localização de peças do museu de Itaúna, que estão guardadas em um cômodo no Ginásio Poliesportivo “Alexandre Corradi” e que, segundo o funcionário da Secretaria de Cultura que atendeu à reportagem, serão expostas em ações itinerantes, no espaço do museu, recém-reformado. Na sua fala, o assessor de gabinete da Secretaria, Moacir Herculano Neto, disse que o presépio doado ao Município pela família de Humberto Salera “já não existe mais”. E que teria sido destruído mesmo antes da reforma feita no local. Diante da informação, o ex-gerente de Cultura da Prefeitura na primeira administração de Neider Moreira, Sérgio Machado, solicitou informações sobre o ocorrido.

Disse Sérgio Machado ao jornal que, antes de sua morte, Antônio Salera (conhecido como Toniquinho Salera), neto de Humberto Salera, havia prometido restaurar as peças do presépio. Mesmo após a morte de Toniquinho, Sérgio Machado teria recebido a informação da esposa do empresário que as peças estariam guardadas e que seriam restauradas. Devido a isso, Sérgio Machado encaminhou carta à Secretaria, com as seguintes perguntas: A Secretaria de Cultura e Turismo confirma que o presépio, de fato, “não existe mais”? Sendo a resposta, afirmativa, o que sucedeu com o mesmo e que resultou no seu “desaparecimento”? Onde o mesmo se encontrava e em que condições, quando se deu o fato? Foi preservado algum dos incontáveis componentes, miniaturas e figuras do presépio? Em caso afirmativo, onde eles estão guardados? O CODEMPACE foi notificado a respeito do fato divulgado? Quais outras autoridades foram comunicadas sobre o acontecido? Tratando-se de um bem público, foi instaurado inquérito para apurar e registrar as causas e os eventuais responsáveis pela referida perda? Caso o presépio ainda exista, onde e em que condições ele se encontra?

A carta, com as citadas perguntas foi protocolada na Secretaria Municipal de Cultura e, conforme o secretário Ilimane Lopes, o Joe, foi respondida ainda na quinta-feira, 5. O secretário atendeu à reportagem e confirmou, em áudio, que o presépio realmente não existe mais.

Joe explica situação e aponta “abandono” de administrações passadas

Na quinta-feira, 5, a reportagem da FOLHA entrou em contato via WhatsApp com o secretário, que respondeu em áudio sobre a situação do presépio. Informamos a ele que, além da questão colocada pelo ex-gerente da Cultura, Sérgio Machado, tínhamos informações de outras fontes, de que uma chuva teria causado a destruição das peças que estavam guardadas no Poliesportivo.
Na sua fala Joe negou a questão da chuva. “É folclore!”, disse ele, informando que o presépio foi desmontado (ele disse desmanchado) pelo então funcionário do setor de Cultura Geraldo Fonte Boa, e colocadas as peças em caixas, onde estariam até hoje. Porém disse que estavam “praticamente deterioradas”. E apontou o “abandono” do acervo do museu por administrações passadas, dizendo que “desde 2013 estava praticamente abandonado” e acrescentou “abandonado mesmo”, recorrendo a uma prática bastante comum no meio público de transferir responsabilidades.

A essa alegação, por exemplo, existe uma contestação do ex-gerente de Cultura, Sérgio Machado, que na sua carta encaminhada à Secretaria afirma, ante a informação do assessor Moacir Herculano Neto, de que o presépio “já não existia quando foi iniciada a reforma”. Disse na carta que “tal afirmação me causou estranheza, pois eu, pessoalmente, o fotografei, pouco antes do referido evento. Além disto, posteriormente, foi anunciado na imprensa local o início dos trabalhos para a sua recuperação”.

Briga de família também é abordada

Ainda sobre o presépio, Joe informou que foram feitas tratativas com dois representantes da família Salera para a restauração do presépio. “A sobrinha do Salera até cogitou de levar esse acervo para a família, de restaurá-lo e de colocá-lo em alguma edificação da família, onde as pessoas teriam acesso a isso”, disse Joe. E completou: “Só que eles tiveram uma briga interna entre a família deles e acabou que devolveram o acervo pra gente e hoje o presépio se encontra na mesma condição de quando ele foi desmanchado”.

Joe ainda explicou que “infelizmente, na época em que ele foi tirá-lo do museu, ele praticamente desmanchou”. E reforçou que “muitas peças se perderam, pela falta de cuidados”, apontada por ele, desde 2013. Disse que estão sendo restauradas outras peças do acervo do museu, como ocorreu com as imagens sacras, e agora estão trabalhando as caricaturas. Sobre o presépio não disse se vai haver um esforço de restaurar as peças que sobraram – se é que existe condições de fazê-lo –, praticamente transferindo o presépio de Humberto Salera para a história...

Última modificação em Sexta, 06 Mai 2022 16:21


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