Corrupção Ativa -Neider é denunciado pelo Ministério Público

Por Publicado em:23/07/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 225

Prefeito teria oferecido vantagens a vereadores para tentar eleger Hudson à presidência da Câmara em 2018

Mais uma denúncia contra o prefeito Neider foi entregue à Justiça pelo Ministério Público. Desta feita a acusação é de corrupção ativa, com acusações de que o prefeito interferiu no Poder Legislativo ao oferecer vantagens a vereadores em troca de voto favorável a seu candidato na eleição da Mesa da Câmara, em 2018. Conforme a denúncia do MP, “ficou constatado que, quando da ocorrência dos fatos, era comum entre os membros do Poder Legislativo a indicação de afilhados políticos para a ocupação de cargos em comissão, de livre nomeação e exoneração no âmbito do Poder Executivo, com o objetivo de garantir ao Chefe do Poder Executivo de que o voto do respectivo parlamentar seria de acordo com os seus interesses, sendo verdadeira moeda de troca na mercatização da própria função pública eletiva”.
Pelo lado da defesa do prefeito, conforme o advogado de Neider, ex-procurador-geral do município Jardel Araújo, afirmou à imprensa da região, que não estão comprovados “quaisquer atos ilícitos praticados pelo prefeito e, por essa razão a denúncia noticiada pelo MP, carece de comprovação, pois está baseada somente em conclusões de opositores políticos”. Informou também que respeita o MP, porém “repudia a espetacularização promovida”. Disse finalmente que, assim que tiver acesso à íntegra do processo, adotará “as medidas cabíveis para trancamento da ação”.
Como tudo começou?

Em 2018 o vereador Hudson Bernardes, que era líder do prefeito, disputava a presidência da Câmara. A chapa concorrente era encabeçada por Gláucia Santiago. Assim, conforme denúncias assinadas pelas ex-vereadoras Otacília Barbosa e Gláucia Santiago (atual vice-prefeita), o prefeito Neider ofereceu vantagem indevida a alguns vereadores. E apresentaram uma série de situações, juntando cópia de atas de reuniões da Câmara, áudios e outros documentos. Dentre as informações, uma conversa do vereador Silvano do Córrego do Soldado, em que ele informava que não poderia votar, porque tinha “compromisso com o prefeito”. Iago (Pranchana), chegou a declarar em uma reunião que havia votado “no prefeito” para presidente da Câmara, indicando assim que, apesar de o candidato ser Hudson, seu voto foi dado a Neider.
A conversa de Silvano foi transcrita na denúncia encaminhada e afirmava o seguinte: “Eu não posso, eu não posso votar em você. Eu não posso, certo? Se você continuar com a sua campanha pra, pra, pra, pra presidente, eu vou torcer demais pra você, certo? Eu vou torcer demais pra você. Certo? Mas eu não posso, eu fiz um compromisso com o Prefeito, eu não posso, porque, caso contrário, você conhece esse pessoal, certo? Eles vão acabar comigo aqui no Córrego do Soldado. E, hoje, se eles perderem com diferença de um voto, eles me ‘aniquila’ de um jeito, Gláucia, que até o meu buteco eles fecha. É... funciona assim, infelizmente, funciona assim, né? Então eu preciso, pelo amor de Deus, me entenda, se coloca no meu lugar. Eu tenho uma comunidade que me cobra as coisas todos os dias, todos os dias. As pequenas coisas que chegaram aqui até agora foram com a sua ajuda, certo? Que pra, pra, pra, pra comunidade, pra, pra nós, é pequeno, pra comunidade é grande, certo?”
Ainda consta que, no dia da eleição da Mesa, o prefeito almoçou em uma churrascaria no caminho para a capital com os vereadores Lacimar Cezário, Iago Santiago, Hudson Bernardes, Lucimar Nogueira, Antônio da Lua, Silvano do Córrego do Soldado, Marcinho Hakuna e Alexandre Campos. E que, ao chegar a Itaúna, o prefeito foi à casa de Giordane Alberto para convencê-lo a votar em Hudson.
Na denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Cristovam Joaquim Ramos Filho, conforme publicação do portal do MPMG, “a interferência do prefeito na atividade do Poder Legislativo local, com a compra de votos de vereadores, foi devidamente comprovada por provas testemunhais e por áudios e mensagens de texto extraídos por meio de perícia do celular apreendido de um dos vereadores”. O prefeito já responde a uma ação do período em que era deputado estadual e outra, já como prefeito, na contratação de asfaltamento em Itaúna”.
Na denúncia apresentada, constam ainda as informações de que o irmão do prefeito Neider, Silmar Moreira, que à época ocupava o posto de secretário de Infraestrutura, e Valter Gonçalves, então chefe do Gabinete, teriam agido pressionando os vereadores pelo voto em Hudson, sob “pena” de demissão de seus apadrinhados, em cargos na Prefeitura.

Prefeito responde por crime na contratação de asfalto em 2018

Além do processo na área cível que o prefeito de Itaúna responde, pela contratação de asfaltamento, em 2018, agora Neider Moreira responde também na área criminal. Ele e o secretário de Administração já se tornaram réus na área cível, conforme notícia publicada pela FOLHA em 28 de maio passado. Porém, na semana passada, o secretário foi ouvido, em precatória, aqui em Itaúna e o prefeito não foi encontrado, pois estava viajando.
Após voltar da pescaria, o prefeito teria sido intimado a responder no caso, desta feita na área criminal. A intimação, via precatório, veio para Itaúna e, por não ter sido cumprida, foi devolvida na semana passada. Porém voltou e a informação é de que o prefeito foi ouvido nesta semana. Assim Neider responde pela contratação da empresa Terramares, nas áreas cível e criminal.
A denúncia contra o prefeito foi feita pela ex-vereadora Otacília Barbosa e Thiago Aníbal. O atual vereador Kaio Guimarães e o ex-vice-prefeito Fernando Franco, à época secretário de Infraestrutura, não concordaram com a contratação e deixaram os cargos que ocupavam na ocasião. Nos bastidores a informação é de que na Prefeitura o receio por uma punição é grande.

Compartilhe esta notícia