POLÊMICA - Prefeito quer doar campo da Praça de Esportes do Bairro de Lourdes

Por Publicado em:23/12/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 179

Vereadores questionam a falta de diálogo da Administração, apontam descaso e afirmam que há outros locais

Um projeto do prefeito para fazer a doação de lote com 12.888,20 metros quadrados, no Bairro de Lourdes, anexo à Praça de Esportes daquele bairro, despertou a ira de vários vereadores e comentários de outros. A doação proposta é para a Federação Mineira de Tênis, que tem a proposta de construir um complexo esportivo no local. O empresário Luciano Nogueira, do Grupo J. Mendes, defende o projeto e, inclusive, já esteve na Câmara explicando o que se pretende construir no local. Seriam 6 quadras de tênis e toda a estrutura necessária para executar programa de “caça talentos” para o esporte, abrindo espaço para um mínimo de 80 praticantes da comunidade, com expectativa de chegar a 200 os beneficiados.
O vereador Gustavo Dornas fez a defesa do projeto, apresentando a expectativa de investimento de R$ 2,5 milhões e citando os vários benefícios que a cidade teria com a implantação do programa de formação de atletas para o tênis. Já o vereador Alexandre Campos fez duras críticas à administração “pela forma como encaminhou o assunto”. Disse Alexandre que o local é usado pelo grupo conhecido como “Pelada dos Debiques”, há 22 anos. Esse grupo, que conta 58 anos de história na cidade, já foi retirado do chamado “campo do Vassourão”, onde hoje está instalado o Complexo Esportivo da Universidade. “Agora, sem nenhum aviso, sem sequer informar aos praticantes da pelada, estão doando o local”, disse Alexandre, para completar que ele é quem entrou em contato com o secretário de Esportes e com o prefeito, para questionar o fato e que não havia recebido um retorno até o momento.
Concordando com as críticas feitas por Alexandre Campos, fizeram uso da palavra os vereadores Da Lua, Joselito, Léo e Edênia. Antônio de Miranda e Lacimar Cesário também falaram, criticando a postura do Município, de não conversar com os desportistas, porém concordando com a fala de Gustavo Dornas. O mesmo fez o vereador Kaio Guimarães. O projeto foi retirado da pauta da reunião de segunda-feira, dia 20, e já está incluído na pauta da próxima reunião extraordinária, marcada para a segunda-feira, 27. Os projetos de cessão de terremos devem ser votados ainda neste ano, já que em 2022 é ano de eleições e esse tipo de ação do Executivo enfrenta impedimentos.

Sem avisar, a “toque de caixa”

Além das manifestações de plenário, o tema foi bastante debatido nos bastidores, quando os vereadores apontaram a possibilidade de ter sido uma estratégia do Executivo a apresentação da proposta no final do ano. Conforme informado em plenário, há cinco meses que se fala na necessidade da doação do terreno à FMT, porém o tema só entrou em debate em dezembro. “Aproveitam para passar os projetos que sabem que terão polêmicas neste período, quando muita coisa chega à Casa e é necessário votar às pressas. E se não votarmos, jogam a culpa na Câmara. Por que não mandaram essa proposta antes, para que ela fosse debatida?”, perguntou um edil, mostrando descontentamento com a administração.
O problema principal dos questionamentos, além do verdadeiro descaso com os membros da tradicional “Pelada dos Debiques”, é o que alguns políticos apontaram como “desrespeito aos moradores da região”. Alexandre Campos explicou na sua fala que aquela área que está sendo doada é o único espaço que a população de vários bairros tem para que seja construído algum equipamento público para a comunidade. E citou os bairros Lourdes, Sion, Vila Mozart, Santo Antônio, Morro do Engenho e proximidades. Disse ainda o vereador que outros locais podem receber o projeto da Federação, apontando a “reta de Santanense”, ou o parque ecológico no antigo “buracão”.
O projeto deverá entrar na pauta na segunda-feira, 27. Caso não seja feita alteração de localidade, todas as indicações são de que seja aprovado, mesmo sob protesto. O que, com certeza, provocará desdobramentos no ano eleitoral de 2022 e na relação do Executivo com o Legislativo. “Faltou diálogo”, foi o argumento repetido por vários vereadores. Nos bastidores os comentários eram de que “esse é o estilo do prefeito”.

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