CALAMIDADE - Cidade levará mais de um ano para ser “reconstruída”

Por Publicado em:14/01/2022 | Atualizado em:14/01/2022 140

Prefeito falou à FOLHA sobre os problemas causados pelas enchentes, pediu paciência aos itaunenses e comentou sobre os muitos custos para refazer o que foi destruído

Uma equipe da Prefeitura está trabalhando diuturnamente para levantar todos os prejuízos causados pelas enchentes, pois o prazo para constar junto à Defesa Civil Nacional e obter recursos para os reparos é dia 22 de janeiro, portanto sábado da próxima semana. Foram despejados sobre o município algo em média de 700 mm de chuva, entre os dias 30 de dezembro e 13 de janeiro, segundo avaliação do prefeito Neider Moreira. O índice histórico de precipitação pluviométrica (chuva) para o mês de janeiro em Itaúna é de 270 mm. Para se ter uma ideia, para hoje, sábado, 15, a previsão é de que mais água caia sobre Itaúna. Nada menos do que 15mm estão previstos. E assim a chuva, que é sempre bem-vinda, passa a ser questão de tormento para os itaunenses. “Tomara que não chova tanto”, tem sido o pedido da população nos últimos dias.
As enchentes causaram estragos em toda a cidade, mas especialmente ao longo dos cursos d´água principais do município, que na área urbana são o Rio São João e os ribeirões dos Capotos e da Joanica, além do córrego da Prainha. Bairros como a Nova Vila Mozart, Sion, entorno da Rodoviária na área central, São Judas Tadeu, foram seriamente atingidos. Mas outras áreas da cidade não escaparam dos problemas. Pontes caíram, foram avariadas, ruas esburacadas, barrancos deslizaram, equipamentos públicos destruídos, isso sem falar nos prejuízos individuais às famílias.

Prefeito fala sobre as enchentes e prevê “um ano” para corrigir os problemas

Em fala exclusiva à reportagem da FOLHA, o prefeito de Itaúna, Neider Moreira de Faria, fez um resumo da situação. Após comentar sobre o incrível volume de mais de 700 milímetros de chuva em menos de 15 dias, ele lembrou que, além do volume alto, choveu vários dias ininterruptamente. Isso fez com que a situação se agravasse, pois além de muita água, causou o encharcamento excessivo do solo, o que contribui para a ocorrência de enchentes, deslizamentos de encostas e outros episódios. Neider afirmou que a maioria dos problemas ocorridos em residências se deu pela falta de projetos, construções irregulares, sem contar com acompanhamento técnico especializado e até mesmo conhecimento estrutural.
“Nós tivemos uma chuva completamente fora do contexto”, disse o prefeito, para comparar o atual momento com enchentes em épocas anteriores, como em 1997. Em seguida o prefeito afirmou que “temos muito a agradecer à população itaunense, que atendeu ao chamado e está contribuindo de forma espetacular com a Central de Doações, ajudando a minimizar o sofrimento das famílias atingidas pelas chuvas”.
Sobre a priorização das ações de reconstrução da cidade, Neider afirmou que “primeiramente temos a tarefa de refazimento de pontes e passagens de água; depois temos de atuar na melhoria do acesso às comunidades rurais; e ainda, trabalhar nas ações que dependerão de projetos e mais recursos, como a reconstrução da Avenida São João, que precisará de reconstrução dos gabiões, nova pavimentação e várias outras intervenções”, afirmou.
Sobre o período que o prefeito acha que será necessário para realizar todos os trabalhos necessários para “reconstruir a cidade”, como se tem afirmado, ele disse que “a expectativa é de que vamos demandar aí cerca de um ano”. Em relação aos recursos necessários para as obras de reconstrução, o prefeito disse que calcula em “dezenas de milhões de reais”. Sobre uma necessidade mais urgente, ele disse que ainda não tem um levantamento fechado e que a equipe da Prefeitura está trabalhando para fazer todos os levantamentos, mas que “um mínimo de R$ 5 milhões é o que vamos precisar, de imediato”.

Governo Federal anuncia recursos de R$ 1,3 bi para as cidades atingidas

Na manhã da sexta-feira, 14, o governo federal anunciou que o presidente deveria assinar uma medida provisória destinando recursos da ordem de R$ 1,3 bilhão para auxílio às cidades atingidas pelas enchentes. Porém, para participar do rateio desses recursos os municípios têm de decretar estado de calamidade ou de emergência, que foi o caso de Itaúna.
Sem essa decretação, que deve ser endossada pelos governos dos estados, não se tem acesso aos recursos. Também é necessário que os municípios apresentem um relatório completo e detalhado da situação que levou à decretação da calamidade (quando existe óbito) ou emergência, quando se trata apenas de danos materiais. Por esse motivo é que o prefeito de Itaúna afirmou que a equipe da Prefeitura está trabalhando diuturnamente para fazer o levantamento detalhado, que tem prazo de 10 dias após a assinatura do decreto. No caso de Itaúna o prazo final é 22 de janeiro.

Governo do Estado é criticado

Prefeitos mineiros têm feito severas críticas ao governador Romeu Zema que, até o momento, está sendo considerado “ausente” dos problemas vivenciados pelos municípios com as enchentes. Na opinião desses prefeitos, o governador não atua no sentido de ajudar efetivamente os municípios e algum recursos que ele anunciou que seriam repassados já estavam acordados antes das chuvas e seriam repassados de qualquer maneira. Esse dinheiro seria relacionado a acordo dos municípios com o Estado para o repasse de recursos de ICMS retidos no passado.
Como exemplo da inoperância do governo mineiro, políticos citam a ação do governador baiano. Um estado tecnicamente mais pobre do que Minas Gerais já destinou aos municípios atingidos R$ 360 milhões de “dinheiro novo”, como definem no meio político os recursos que não estavam previstos. Enquanto isso em Minas, Romeu Zema adia a cobrança do CRLV aos motoristas e pede que a bandeira vermelha seja retirada das contas de energia no Estado. Duas ações consideradas como de marketing eleitoreiro apenas, sem nenhuma efetividade para os municípios, principalmente aqueles que foram gravemente atingidos pelas chuvas.

Última modificação em Sexta, 14 Janeiro 2022 18:21

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