CORONAVÍRUS - População abandonada à própria sorte

Por Publicado em:23/06/2020 | Atualizado em:23/06/2020 471

Jovem itaunense com sintomas de Covid-19 afirma que teve que pagar os testes do próprio bolso. Sua avó teve sintomas e não conseguiu fazer o teste apesar de trabalhar no Hospital.

“Monitoramento” por equipe de saúde não passa de telefonemas às casas do pacientes

A digital influencer e empresária itaunense, com cerca de 18 mil seguidores no Instagram, Luísa Esteves, informou em postagem naquela rede social que está acometida de Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus e que está assombrando o mundo nos últimos meses. Mais que isso, ela fez a seguinte denúncia: a população itaunense está entregue à própria sorte pois não conta com apoio dos órgãos públicos que deveriam estar presentes neste momento. A informação postada por Luísa é a seguinte: sua avó, que é funcionária há mais de quarenta anos no Hospital Manoel Gonçalves, sentiu os sintomas leves da doença e solicitou a realização do teste, no Hospital, não sendo atendida. Algum tempo depois, ela, Luísa, começou a sentir os sintomas de perda de olfato e paladar (quando a pessoa deixa de sentir cheiro e gosto). Isso foi no dia 12, sexta-feira.

Conforme Luísa, ela tentou fazer o teste em Itaúna, no Hospital, ou pelo SUS, e não conseguiu. Então, teve que arcar com o custo de R$ 265. Na terça-feira, 16, ela já estava seguindo um isolamento em sua casa, por medida preventiva. O teste foi feito na quarta-feira e confirmada a suspeita. Disse Luísa Esteves que, então, “me ligaram da Secretaria de Saúde, pediram o meu CPF e falaram para eu me manter em isolamento. Depois, me ligaram na sexta-feira perguntando se eu estava bem e isolada. Ainda, me ligaram do posto de saúde, perguntando se estava bem”, informou ela. Perguntada se alguém esteve na sua residência para conferir se ela estava seguindo corretamente as medidas de isolamento, ela disse que não. Também respondeu à reportagem que se tivesse saído, ido a festas, e não contasse para o pessoal da Secretaria de Saúde, ninguém ficaria sabendo.

Luísa têm suspeita de que contraiu a Covid-19 de sua avo, mas como a senhora, que é funcionária do Hospital, não conseguiu fazer o teste, segundo ela, não há como confirmar. Para embasar suas desconfianças, informou à reportagem que estava mantendo os cuidados, trabalhando de casa, saindo muito pouco, apenas quando muito necessário, usando máscaras e que sempre ia a Divinópolis, na fazenda de seu namorado. Porém, ao ter a doença constatada, disse que todas as pessoas do relacionamento de seu namorado fizeram o teste e todos foram negativos, o que afasta a possibilidade de o contágio ter ocorrido naquele local. Ela vai fazer novo teste nesta quinta-feira, 25, que é o décimo-quarto dia após o início dos sintomas, para saber se já está curada. Serão mais R$ 265, conforme ela adiantou `a reportagem.

Os riscos ampliados

A preocupação da empresária é de que como aconteceu com ela, o mesmo pode estar acontecendo com outras pessoas e, pior, pessoas estas que não tenham as condições financeiras para fazer o teste e possam estar sendo transmissores da Covid-19. Conforme Luísa Esteves, quando consultou a possibilidade de fazer o teste no Hospital, foi informada que só liberam o teste para quem está com todos os sintomas – febre, tosse, etc. No caso dela, que a doença se manifestou através da perda do paladar e olfato, ou como no caso de sua avó, perda de olfato e paladar, além de diarreia, não é feito o teste. A subnotificação é ampliada na medida em que muitas pessoas que estão contaminadas mas não apresentam todos os sintomas, não são testadas.

Prefeitura divulga nota sobre “negativas de fazer o teste”

Curiosamente, na data em que Luísa teve de arcar com os custos para fazer o seu teste, por não conseguir fazê-lo junto à Secretaria de Saúde, a assessoria da Prefeitura divulgou nota em que questionava as pessoas que estariam “se negando a fazer os testes”, quando convocadas. A nota afirmava, em 17 de junho, quarta-feira (mesma data em que Luísa teve de pagar para fazer o seu teste) o seguinte: “A Prefeitura de Itaúna, por meios próprios e de uma parceria com o Sindimei, está oferecendo à pessoas que tiveram notificação para a Covid-19, a possibilidade de realizar a testagem gratuita para a confirmação ou descarte de contaminação pelo novo Coronavírus. A Secretaria de Saúde, responsável pelos encaminhamentos, está ligando aos pacientes e disponibilizando esta oportunidade. Porém, há recusa por parte de alguns, o que dificulta um real levantamento da situação da pandemia na cidade”.

Em continuação ao texto, a Prefeitura ainda informava que “este levantamento ajuda também na tomada de decisões acerca do cotidiano na cidade. Por isso, pedimos especial atenção deste grupo prioritário, para que atendam o chamado à testagem e assim ajudem o Município a se preparar e/ou enfrentar esta crise com os menores impactos possíveis para todos os cidadãos”. Porém, por outro lado, conforme a denúncia, pessoas que apresentam sintomas leves da doença não são testadas, o que certamente contribui para mascarar a informação repassada sobre a realidade da doença na cidade e, mais grave, interfere na tomada de decisões para o enfrentamento da Covid-19.

Assessoria informa sobre caso específico de Luísa

Questionada, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura informou especificamente sobre o caso de Luísa Esteves. O assessor Hermano, afirmou que “já o caso da Luísa eu mesmo liguei pra ela ontem (dia 22/06). Ela me disse que o avô iria fazer uma cirurgia. E como ela queria acompanhar mas começou a apresentar sintomas, precisava de um resultado de exame mais rápido. Ainda, segundo ela, a mãe ligou para a Secretaria de Saúde e quando ‘começaram a fazer um monte de perguntas’, eles desistiram e foram procurar exame particular”.

Outros casos no Hospital foram denunciados

Após a denúncia-desabafo da digital influencer itaunense, Luísa Esteves, outras pessoas informaram, também em postagens no Instagram, que mais funcionários do Hospital haviam solicitado a realização de testes e, em um dos casos, a pessoa disse que chegou a ser demitida por questionar o por quê de não ser testada.

A reportagem encaminhou à assessoria do Hospital algumas perguntas, dentre elas esse questionamento, de ter havido demissão de funcionária com essa motivação. Até o momento da publicação desta matéria a reportagem não havia sido respondida, mas a assessoria do Hospital fez a seguinte postagem, também pelas redes sociais:

 

 

Última modificação em Terça, 23 Junho 2020 13:36

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