Itaúna/DESTAQUE NACIONAL - Coleta seletiva chega à “maioridade”

Por Publicado em:25/06/2020 | Atualizado em:25/06/2020 90

No próximo dia 1º de julho serão completados 18 anos de existência ininterrupta da coleta seletiva de lixo em Itaúna, no modelo “secos e molhados”. Reconhecido nacionalmente pela eficiência, o modelo criado em Itaúna mudou o hábito das famílias itaunenses e persiste até mesmo em períodos em que não existe investimento na divulgação, como no atual momento. Dia sim, dia não, o lixo é colocado para recolhimento em Itaúna separado. Não totalmente separado (a falta de investimento em divulgação causa queda na eficiência), mas em índices capazes de manter uma cooperativa de catadores modelo de organização no País, que é a Coopert, e centenas de coletores ambulantes vivendo da coleta de recicláveis, como pode ser notado diariamente na cidade.

Lançada em 1º de julho de 2002, na administração do prefeito Osmando Pereira (autor da proposta do modelo, junto com o jornalista Sérgio Cunha e o funcionário público federal Ralim Mileib), pelos 18 anos seguintes a coleta passou por alterações em suas rotas, mas permanece na essência da separação entre recicláveis e não recicláveis, sendo uma das mais longevas do País, se não a mais antiga e ainda funcionando. A primeira coleta seletiva do Brasil, documentada, aconteceu no Bairro São Francisco, em Niterói, RJ, em 1985. Em 2002, ano de lançamento da coleta de Itaúna, existiam outros 191 projetos no País, nenhum cobrindo toda uma cidade, como é o caso da coleta itaunense, que alcança, inclusive, a área rural. Hoje são mais de mil municípios com coleta seletiva.

Explicando o nome “Secos e Molhados”

Sobre o nome “Secos e Molhados”, o jornalista Sérgio Cunha explica que a motivação foi a conversa com um catador pernambucano, durante evento acontecido em Brasília, em 2001. “O catador, o Campos, comentou conosco (eu e Ralim) que seria bom que as pessoas separassem o lixo ‘limpo’ do ‘sujo’, para facilitar o trabalho. Entendemos que ‘limpo e sujo’ não seria uma boa definição. Conversando com o prefeito Osmando, chegamos ao ‘secos e molhados’, que nada mais é do que separar o lixo reciclável do não reciclável, de maneira a não permitir que o reciclável esteja ‘contaminado’ com óleo, gordura e outros elementos. E molhado é porque é o antônimo do seco. Simples assim: o lixo sem gordura é seco, o outro, com gordura e outros líquidos, que gera chorume (que é líquido), é molhado”, explica.

Já sobre a questão de se alterar a definição “molhado”, para “úmido” em vários locais que copiaram o modelo itaunense, o jornalista explica que é um “engano de comunicação”: “a mensagem deve ser simples, quando trabalhamos com o público em geral. Se uma criança, de poucos anos, entende, todos os demais vão entender. Não vejo você falando para uma criancinha, de dois, três anos ‘não pisa aí, porque está úmido’. Você fala é molhado, todos entendem (risos)”. Mas disse não criticar essas pequenas alterações, pois o importante é que funcione. “Adaptações, alterações, mudança de palavras para parecer coisa nova, diferente, não importam. O que vale é que a separação continua dando certo, depois de quase 20 anos”, completa Ralim Mileib.

Última modificação em Quinta, 25 Junho 2020 16:20

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