Bifinho

Por Publicado em:29/11/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 260

“...Psiu... psiu... psiu... linda... olha pra mim, morena! Me dá um beijinho... dá. Casa comigo, casa!”. Com um rosto angelical, um sorriso cativante e um corpinho de menina moça, com seios fartos e pernas longas e roliças, ela passava radiante todas as manhãs em frente ao pequeno prédio em construção na Av. Jove Soares, rumo ao ônibus que a levaria à Universidade de Itaúna, onde cursava Pedagogia. No início eram meia dúzia de serventes, mas com o passar do tempo e o zum, zum, zum que correu sobre aquele monumento de mulher que desfilava sorridente todas as manhãs em frente à obra, se juntaram a eles os pedreiros, o encarregado da obra, os pintores, os eletricistas, os bombeiros e até o engenheiro responsável pela construção. Sem levar em conta os gracejos e as brincadeiras dos funcionários da construtora, ela passava graciosa e sorridente, sem ser vulgar, arrancando suspiros e mais suspiros de paixão de todos eles. Natural do município de Rio Acima, a Ana Júlia, filha única, era ainda adolescente quando o pai mudou da cidade de Rio Manso com toda a família para Itaúna, para trabalhar na Fundição Esfera do Ernani. Com o passar dos anos, cresceu e se transformou em uma linda mulher, arrancando olhares gulosos dos homens por onde passava. Na flor dos seus vinte e poucos anos e de namoro firme com o Roberval, um jovem advogado em início de carreira, ela era só planos para a sua nova vida de casada que se aproximava.  

- “Ah, minha mãe! Não vejo a hora de me casar com o Roberval, formar e lecionar no Colégio Sant’Ana e ter muitos filhos. Quero ter no mínimo quatro, para encher a casa de alegria”.  

- “Com este namorado que você arranjou, sei não, minha filha!” – Exclamava a preocupada mãe, frente aos planos futuros da filha. – “Eu acho ele muito frouxo. Veja só: você senta com ele no sofá. Uma moça bonita, com este corpão todo, e ele só fica te mostrando os livros de Direito que estuda, os processos que ele ganhou, ou os processos que ele ainda vai ganhar etc. etc. etc... Na época em que eu namorava o seu pai era diferente. Não tinha este negócio de livro pra cá, livro pra lá, não. Era agarramento mesmo. Muitos abraços, beijos e mão pra tudo quanto é lado. Eu ficava molhadinha, molhadinha. Eu tenho observado o namoro de vocês que é muito diferente do tempo em que eu namorava o seu pai. Acho este Roberval muito frouxo, viu?! Cê toma cuidado, minha filha!”. – Voltava a exclamar a velha mãe frente aos olhos arregalados da filha. 

Com a data do casamento chegando, a mãe resolveu ter a última conversa com a filha: - “Você vai me passar um WhatsApp toda a semana e falar como estão indo as coisas, principalmente na cama, viu, para que eu possa te ajudar!”.
- “Mas, minha mãe, ele vai desconfiar, pois ele é muito ciumento e controla as mensagens e chamadas do meu celular e, mais dia, menos dia, ele vai acabar descobrindo este nosso trato e as coisas podem ficar ruins para o meu lado, logo no início do casamento”. 

- “Faz o seguinte, minha filha!” - Explicou a esperta mãe. – “Nas nossas conversas pelo zApp, ao invés de me informar quantas relações vocês tiveram, você coloca quantos bifes você comeu durante a semana. Se vocês tiveram três relações sexuais durante a semana você me passa uma mensagem informando que comeu três bifes, certo? Se na semana seguinte vocês tiverem cinco relações, você informa que comeu cinco bifes e assim por diante. Se a relação for muito boa, você coloca bifão. Se foi normal, você coloca bife e se foi muito rápida com aquele gostinho de quero mais, você coloca bifinho, entendeu, minha filha? Outra coisinha, minha filha!” - Explicou a zelosa mãe: – “Se as coisas estiverem meio mornas, deixe para sair do banho bem na hora que ele chegar em casa e, ao invés de sair enrolada na toalha de banho, saia enrolada na toalha de rosto. Com este corpão à vista, ele não vai resistir, viu?”. Trato feito, o novo casal foi morar em Belo Horizonte, onde o Roberval assumiu um bom cargo na área jurídica de uma multinacional, e as mensagens pelo zApp, conforme combinado, eram semanais. 

- “Minha mãe, esta semana eu comi três bifes”. 

- “Olha, minha mãe, esta semana eu comi só dois bifes”. 

- “Minha mãe, nesta semana eu só comi um bifinho pequenininho, mas bem pequenininho mesmo”. 

- “Minha mãe” - relatou a Ana Júlia, quase aos prantos – “Esta semana eu não comi nadinha, nadinha, nem um bifinho sequer...”. 

Percebendo que as relações sexuais do jovem casal estavam diminuindo muito rápido, e logo no início do casamento, a mãe resolveu intervir. 

- “Só um bifinho pequenininho em duas semanas? Mas este seu marido é mesmo muito frouxo”. Respondeu imediatamente a mãe ao receber a mensagem da aflita filha. - “Um mulherão como você, com este peitão e este par de coxas, desejada por todos e só comendo um bifinho em duas semanas? Do jeito que as coisas estão indo, eu não vou ter um neto tão cedo, meu Deus do Céu! Óia, minha filha! Ocê sabe que o seu pai está completando cinquenta e oito anos e nós estamos com 30 anos de casado. Só na noite passada eu comi três bifão, uma rabada e o seu pai ainda lambeu a frigideira...”

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