O Reino Encantado e o isolamento da Babilônia...

Por Publicado em:21/05/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 115

Um empresário itaunense das Barrancas, independente, graças ao seu trabalho, observador e colaborador da comunidade, me chamou a atenção para o comportamento da Universidade de Itaúna durante a pandemia do Covid-19 em relação à comunidade itaunense. Os argumentos são convincentes e me fizeram refletir e buscar informações acerca do assunto.
Em relação à Universidade de Itaúna, faz alguns anos, procuro ignorar denúncias, notícias positivas e negativas e diferenças de opinião de alunos, funcionários e até prestadores de serviços à instituição superior de ensino, que, como todos nós sabemos, é criação e patrimônio itaunense, em minha opinião, usurpado de forma nada benta do nosso povo. Mas isso é assunto vencido. Porém a instituição está na comunidade e, queiram ao não os seus “donos”, “comandantes”, administradores, funcionários e asseclas, é um patrimônio itaunense, pois não há como negar que foi idealizada e construída por itaunenses verdadeiros e com recursos advindos do povo. Assim sendo, apesar de hoje ser um “reino encantado” em terras barranqueiras, a Universidade de Itaúna tem o dever e a obrigação de oferecer assistência à comunidade de forma efetiva e gratuita, principalmente nas áreas em que atua como educadora, com foco especial para a assistência à saúde.
Antecipadamente, já vamos esclarecer que somos sabedores de que ela oferece assistência odontológica “gratuita” em suas salas de aulas práticas/consultórios e que os alunos dos cursos de fisioterapia, enfermagem e farmácia fazem aulas práticas/estágios no Hospital Manoel Gonçalves, na verdade em pouca quantidade, e outros poucos frequentam a Policlínica Dr. Ovídio, nas salas odontológicas, apesar de um volume muito maior estagiar em hospitais de outros municípios, como Divinópolis e Betim, segundo informações recebidas, mas que não podemos comprovar.
E os alunos de medicina? Estes fazem estágios onde? Acho que no Hospital!? Certo? Mas a maioria fora do município. E é aí que o assunto desta semana começa a ganhar contornos. Estamos vivenciando uma pandemia mundial ainda sem controle, que, apesar das vacinas, ainda não se sabe o desenrolar... O mundo está estarrecido com as perdas de vidas diárias, pois ninguém estava preparado para o que está acontecendo, e não importa se é país de 1º, 2º ou 3º mundo. Importa um pouco a evolução da medicina nos países ricos e só. Mas num país como Brasil, de extensão territorial gigantesca, em desenvolvimento e pobre, os recursos são escassos e é preciso esforço conjunto, união.... Aí pergunto: o que a Universidade de Itaúna está fazendo para ajudar a amenizar as consequências da Covid-19 para a população itaunense num todo, mas principalmente para as classes mais pobres? Vão responder que alunos da faculdade de medicina estão atuando na assistência aos pacientes pós-Covid? Acho que não estão. As informações são de que estão, mas de forma discreta.
Será que não é o momento de a direção da UI oferecer ao município préstimos no sentido de se fazer parceria para agilizar os meios de assistência aos contaminados de forma concisa e frequente, por meio de consultas, testes laboratoriais e atendimento em consultórios nos postos de saúde? Será que não é o momento de a instituição mostrar que Itaúna e o itaunense são prioridades e reconhecer que o “Reino Encantado” está em território barranqueiro?
Porque, queira ou não queira, não há como mudar a história. A Universidade de Itaúna é fruto dos esforços de itaunenses ilustres que sempre tiveram amor ao torrão em que nasceram. Fruto da união de esforços de empresas, instituições, e, queiram ou não os detentores do poder na instituição de ensino superior, ela pertence aos itaunenses comuns, todos e sem distinção de classe social. Deveria estar servindo à comunidade, sim, mas infelizmente, faz duas décadas e meia, graças ao que considero um golpe, pertence a um só senhor, que mantém um estafe de servos e apaniguados para administrar o “Reino Encantado”, a Babilônia, fadada ao fim. Isso todos sabemos, pois não se preocuparam em acompanhar a evolução do ensino superior ministrado de forma on-line pelas Universidades Brasileiras.
Ainda rica, pois viveu um apogeu nas últimas décadas com a popularização do ensino e amontou recursos provenientes dos pagamentos de alunos, que possibilitaram a construção de prédios magníficos e a implantação de vários cursos. Mas, com a evasão para o on-line, está vivenciando um esvaziamento constante e é muito tarde para “correr atrás do prejuízo, salve engano, está fadada ao esquecimento”. Essa é a minha opinião.
E antes disso, para mostrar que reconhece que a Universidade de Itaúna existe porque os itaunenses a criaram, a tornaram uma realidade e a fortaleceram, a magnificência entronizada poderia conceder ao cidadão itaunense o direito de ter uma assistência médica mais constante, gratuita, humanizada e melhor neste momento turbulento da Covid-19. Os postos da saúde estão aí espalhados nos bairros e os estudantes precisam de estágios. E há como oferecer outros tipos de assistência também, a assistência humana e social principalmente. O “Reino encantado” está em território itaunense e nesse território mandam os itaunenses barranqueiros, que querem a sua Universidade prestando serviços e gastando seus recursos com a comunidade através das assistências possíveis para uma instituição ainda rica, erguida em todos os sentidos com o suor do povo barranqueiro. Termino com uma pergunta fácil de responder: na crise do oxigênio a UI esteve presente?

Avalie este item
(0 votos)

Compartilhe esta notícia