Análises e/ou conjecturas. Ou apenas...

O poder é uma coisa fantástica, e por ele as pessoas são capazes de fazer coisas inimagináveis, inclusive colocar em xeque o prestígio, o conceito de seriedade e até mesmo se expor ao ridículo para mantê-lo. O poder político, então, produz verdadeiras pérolas quando o assunto é manter-se no poder visando a próxima disputa. E assim sendo, na semana passada, nosso prefeito, ex-deputado, vereador e secretário de Estado anunciou nos bastidores, a amigos de “batalha política”, que pretende lançar a esposa a deputada estadual. A esposa dele é pessoa de fino trato, mas não a vejo como política. Mas, ao que parece, isso não importa muito quando o assunto é manter-se no poder.
As informações são de que o prefeito Neider, ao contrário do que se imaginava, não vai deixar o mandato pela metade para se candidatar a deputado federal, pretende cumprir os quatro anos e depois preparar-se dois anos para uma nova disputa a federal. As conjecturas, segundo as informações, são de que, fazendo da mulher deputada estadual, teria como negociar sua atuação e sobreviveria no mundo político até que a eleição chegasse. Tendo sucesso, o casal atuaria em duas frentes, a esposa teria mais dois anos de mandato e ele, como deputado eleito, teria como ajudá-la na reeleição. E em meio a isso, tem a eleição municipal, e a família teria o atual secretário municipal da Saúde, seu sobrinho, como possível candidato. Ou seja, a intenção é manter o poder nos três níveis, municipal, estadual e federal.
Diríamos que as conjecturas são possíveis e podem ser mesmo trabalhadas, mas é preciso também saber analisar com frieza o quadro geral no município, na região e em determinadas cidades do Estado. Neider foi deputado bem votado em três oportunidades, construiu um nome, mas os espaços são ocupados e mudam de mãos. Fazer a mulher deputada já seria, em nossa opinião, uma façanha, pois ela não é política. Ou se aprendeu, atua nos bastidores, e aí o assunto é mais complexo. Em um partido escolhido a dedo, um candidato tem que obter no mínimo 35 mil, 40 mil votos para ser eleito, e ainda tem que contar com toda uma conjectura de acomodações, nomes, estratégia de campanha, aliados e recursos. Segundo as informações, Neider conta com o seu prestígio político junto à população itaunense e conseguiria repassar ou dar à mulher 20 mil, 25 mil votos em Itaúna; ela, natural de Carmo do Cajuru, onde tem familiares, pode ter entre 5 mil e 10 mil votos; e nas cidades onde ele, Neider, já teve votação expressiva, aqui na região, ela conseguiria levar o nome da esposa e buscaria mais 5 mil, 8 mil votos. É, as contas são palpáveis numa primeira análise e com certeza recursos não serão problema, o caixa de campanha está cada vez mais reforçado. Mas há de se levar em consideração outras possibilidades. Até aqui não se falou em adversários.
Pois muito bem, além das conjecturas, há de se pensar no quadro num todo, principalmente nos adversários e suas possibilidades. Itaúna tem hoje um deputado estadual, que é o Gustavo Mitre, que já afirmou que vai disputar a reeleição. Foi muito bem votado na cidade e pode repetir a performance ou até melhorá-la, pois tem feito por onde. Não acreditamos que Mitre deixe escapar a oportunidade de reeleição. Outros nomes menos expressivos aparecerão, e candidatos de outros centros sempre buscam votos aqui. Além disso, há o fator desgaste do senhor prefeito, que não tem agradado a todos. Há alegações diversas, como pandemia, falta de recursos e verbas etc., para não cumprir com o prometido, mas isso não é problema do povo. O eleitor quer é ver o político cumprindo com o que prometeu. Neste caso, ele vai ter problemas. Mas mesmo com o desgaste dos dois mandatos, achamos que ele, Neider, ainda sairá com algum prestígio, não sabemos se para eleger a mulher que nunca atuou politicamente, a não ser nos bastidores, aparando arestas do marido ou palpitando, indicando nomes para cargos... Além destas observações iniciais, ainda há a situação com a vice-prefeita, Gláucia Santiago. Ela tem pretensões e um dos cargos que almeja é o de deputada estadual. No momento está apagada, pois não há espaço no governo Neider para ela atuar. Ele fechou as portas para ela, que no momento não passa de atendente. O governo está no início, e muita “água vai rolar por debaixo da ponte”. Mas ano que vem tem eleição. Gustavo Mitre não vai abrir mão do cargo e vai fazer de tudo para repetir a performance; Gláucia não vai ficar alijada do processo e quer seu espaço, não vai ficar apenas como figurante no governo e muito menos vai abrir mão da sua fatia eleitoral. Além disso, a próxima eleição municipal, daqui a 3 anos e meio, terá novos nomes no cenário e o de Maurício Nazaré é um deles. Mas podemos ter Alexandre Campos, a própria Gláucia Santiago. É, estávamos esquecendo do Marcinho Hakuna, continuará sendo apenas figurante. Perdeu as oportunidades... Já era.

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Última modificação em Sexta, 28 Mai 2021 19:52

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