Um Bobo na Corte

Não há outra definição. Depois dos episódios dos últimos dias, que começaram com ataques aos ministros do STF, passaram pelos discursos com ataques e ameaças à democracia e culminaram com a divulgação de um manifesto à nação na tarde da quinta-feira, 9, num texto intitulado “Declaração à Nação”, após negociação e aconselhamento do ex-presidente Michael Temer (PMDB) – que, segundo a grande mídia, é de autoria dele e foi aprovado por Bolsonaro –, é a única definição cabível. Depois das bravatas e da decisão de pedir desculpas, a única definição que temos é que o nosso presidente da República é mesmo um ‘bobo NA corte’ e não um bobo DA corte.
Com o País vivendo uma crise econômica séria, com preços em disparada, fuga de investimentos estrangeiros e uma inflação que vai culminar em dificuldades para as classes menos favorecidas, o senhor presidente da República, com o prestígio político em baixa e pesquisas apontando que a situação tende a se complicar a um ano das eleições de 2022, optou por tentar “botar as manguinhas de fora”, primeiramente insinuando uma perseguição ao Poder Judiciário, representado pelo Supremo Tribunal Federal – STF, e depois do Congresso Nacional, para tentar legitimar posições de uma possível instabilidade política, para deixar nas entrelinhas que posições mais radicais poderiam ser levadas a efeito para manter o poder.

Porém a repercussão das palavras do senhor Jair Bolsonaro – um deputado que sempre pertenceu ao “baixo clero” e que nunca foi considerado um político de primeira linha – nas comemorações do 7 de Setembro demonstram claramente que o País elegeu um homem despreparado para o cargo de chefe da Nação e que não é confiável. As acusações aos ministros da Suprema Corte e aos membros das Casas Legislativas são levianas, e a insistência em colocar em dúvida as eleições por meio das urnas eletrônicas são, no mínimo, pretextos para criar um clima de instabilidade política e tentar manter o poder “no grito”. E, pior que isso, tentar jogar a Nação contra as instituições democráticas. Somos no momento uma vergonha para o resto do mundo, que assiste a tudo com desconfiança e zombaria, pois o brasileiro já não é considerado sério mundo afora...

Depois de atacar a imprensa no fim de 2019 e início de 2020, afirmando que ela o estava perseguindo e que nós, jornalistas, somos “espécie em extinção”, agora ele busca acobertar os devaneios do seu governo, acusando os ministros do STF e o Poder Judiciário de perseguição. É um louco. E queira o senhor presidente da República Jair Bolsonaro ou não, os poderes constituídos – e por que não a imprensa – são fundamentais para a manutenção da democracia brasileira. A imprensa é açoitada diariamente por Bolsonaro somente por um motivo: porque faz o seu trabalho perguntando, questionando, criticando, opinando e expondo os absurdos praticado por este governo comandado por um cidadão destrambelhado, sem preparo, sem educação e com ares de ditador.
Em editorial publicado em janeiro de 2020, quando a imprensa e nós, jornalistas, fomos atacados de forma vil, expus que o trabalho dos que compõem a “fauna”, escrita, falada e televisiva, como ele nominou, “espécies em extinção”, é o de levar a verdade dos fatos ao leitor, ao povo brasileiro, doa a quem doer. E é por isso, pelo dever de informar e opinar, que os jornalistas brasileiros são alvo de toda a espécie de ações, como açodamento, constrangimento, ameaças veladas, repreensão e acusações sem fato consumado. Citamos que foram assassinados na América Latina, entre 2010 e 2017, 52 jornalistas, e no Brasil, no mesmo período, 26 foram mortos no exercício da profissão. E é por dever do ofício que somos alvo até de investigações que têm como pilar as suposições, acusações sem provas e os devaneios das autoridades constituídas.

A recordação dos ataques à imprensa brasileira pelo senhor Bolsonaro, com ameaças, inclusive de repreensão, é para mostrar que a sede de poder e o espírito de ditador do militar despreparado, que, quando vê o controle das situações e do poder “escorregar entre os dedos”, parte para o ataque, relegando a segundo plano a Constituição Federal e consecutivamente os Poderes Constituídos com a intenção única de subverter a ordem, não se preocupando com as consequências para a Nação e seu povo. Para ele e seus asseclas, o que importa é a manutenção do Poder, o restante é apenas consequência. Não importa a inflação, a falta de emprego, a qualidade do ensino e a pobreza. Apenas o Poder importa.
Diante dos acontecimentos dos últimos dias, sinceramente, apesar dos riscos, acreditamos não haver clima no País para qualquer tipo de golpe e muito menos força para tal ação no governo que aí está. A conclusão é a de que tudo não passa de bravata e que é mesmo o despreparo que leva o mandatário Bolsonaro a agir como vem agindo. Mas, por outro lado, é preciso atenção, principalmente dos Poderes Constituídos, para que não haja surpresas. Não vamos aqui defender ministro do STF individualmente, mas os Poderes Constituídos têm, sim, que ser respeitados. As negociações, o diálogo e principalmente as leis devem e precisam ser respeitadas. Temos uma Carta Magna e não somos um paisinho qualquer onde pretensos ditadores fazem o que querem, rasgando a Constituição e as leis maiores. O STF é necessário, STE é essencial, o Congresso Nacional, assim como o MPF e as Assembleias Estaduais, são fundamentais. Viva a democracia, a liberdade de informação e de opinião e salve o diálogo. Quanto ao digníssimo Presidente da República Federativa do Brasil, senhor Jair Bolsonaro, o que temos a dizer é que temos um Bobo NA Corte. Viva a democracia, viva o Brasil!!!

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