Já temos o incômodo penico da “Estelona”. E agora vamos ter o “puxadinho” do Neider...

Antes de mais nada, gostaria de frisar que tentei falar com o secretário de Regulação Urbana antes de iniciar este editorial, ou apenas essa coluna opinativa, como queiram. Ele não atendeu e retornou via WhatsApp, de forma não muito satisfatória. Então vamos em frente. Antes de mais nada, repito: Itaúna e suas itaunices fazem a cidade ser diferente em nossas Minas Gerais, na maioria das vezes positivamente, mas quando cismam de inventar uma “itaunice”, esta marca negativamente, e de forma contundente. Não é a primeira vez que tentam construir um banheiro público na Praça da Matriz, a nossa principal praça, que já foi majestosa e uma das mais bonitas do interior mineiro, mas agora, depois das interferências urbanísticas dos últimos 12 anos, nem tanto...
É fato que a cidade precisa mesmo de um banheiro público na área central, principalmente nas imediações da Praça Dr. Augusto, mas é preciso sensatez para a escolha deste local e para o projeto arquitetônico, em se tratando de uma praça. É importante relembrar que o assunto já foi objeto de mandado de segurança no passado e de muita discussão envolvendo, inclusive, o Ministério Público, que conseguiu embargar a obra, deixando uma estrutura inacabada por um bom tempo em plena Praça, onde fica o que denominam coreto, outra itaunice. Desta vez, o governo Neider sequer anunciou a construção e pegou todos de surpresa com a colocação de um tapume ao lado da banca de revistas. A FOLHA foi para a Praça e ouviu diversas pessoas para saber o que o itaunense acha do local escolhido para o banheiro, e não se surpreendeu: todos querem um banheiro público, mas acham que o local não é o adequado. E todos questionam, antes de qualquer comentário: “Será que vai ser bem cuidado ou vai ser aquela fedentina aqui na Praça?”. O fato é que o assunto é polêmico.

Somos da opinião de que a população precisa de um banheiro na área central e concordamos que precisa ser na Praça, mas não se pode apenas decidir nos gabinetes, chegar com a enxada, a picareta e a marreta e ir fazendo o que bem entendem. É preciso explanar, discutir o assunto e depois conciliar. Não vamos crucificar ninguém aqui e nem estamos questionando métodos administrativos e muito menos técnicas, pois somos leigos, mas é necessário bom senso, principalmente. O local escolhido já conta com o prédio da banca de revistas, outra itaunice, e atrás dele tem um caramanchão usado para jogos (fechado no momento por causa da pandemia). Agora vem outra construção anexa, um “puxadinho”, e de frente para a alameda principal da Praça, que é usada para feiras, shows e outras atividades. O banheiro vai prejudicar essas concentrações, além da exposição dos que necessitarem usar o lugar. Na opinião de todas as pessoas ouvidas pelo jornal, o local é inadequado, foi unanimidade, todas as consultadas são contra o lugar escolhido. Querem o banheiro e entendem que ele é necessário, mas não ali ao lado da banca de revistas e do caramanchão, apelidado de “carteado”.

Então a conclusão é a de que, se o projeto não for melhor discutido e a administração municipal insistir na construção e literalmente enfiá-la “goela abaixo” da população, somos favoráveis que um mandado de segurança, com pedido de liminar, para interrupção desta construção seja impetrado pelos insatisfeitos, que devem procurar o Ministério Público para saber o melhor caminho. A administração municipal não pode apenas decidir e pronto. E o engraçado é que a Câmara não toma sequer conhecimento. Onde estão os vereadores? Não importa se são da base ou oposicionistas, têm que questionar, discutir, sentar na mesa e ver as melhores opções. Fazer oposição apenas para agradar o desagradar empresários não basta, é preciso ouvir e se preocupar com o povo. Ou será que acham que a construção de um banheiro púbico na praça principal é um assunto de menor relevância? Ou somente funerária é assunto importante? São 17 vereadores, será que ninguém pode questionar, interferir...?
Nosso prefeito, que está fazendo uma boa gestão, tem que entender que não basta fazer. É preciso dar conhecimento, discutir e aceitar o que o povo quer. No caso em tela, a nossa ainda bela Praça Dr. Augusto Gonçalves, mesmo descaracterizada e hoje tão “judiada”, merece outro projeto arquitetônico, de iluminação (principalmente) e paisagístico, arrojado e moderno. Suas características devem ser preservadas e alguns aspectos levados em consideração. Assim, “no peito”, não vai funcionar, não só com o banheiro público. Por exemplo, comenta-se nos bastidores a construção de um terminal de ônibus, outra obra extremamente necessária, mas que precisa ser debatida publicamente com os vereadores e com o povo. Se ela for mal pensada e mal projetada desde o início, não terá o apoio popular, dos usuários, e aí a situação piora, e muito, e as justificativas não serão encontradas. E para concluir o assunto banheiro público na Praça da Matriz, é necessário frisar que não cabe desculpa esfarrapada. A decisão da construção no local escolhido, em nossa opinião, é insensatez. E na do povo também. Esse é o único argumento plausível que conseguimos encontrar. Isso apesar de insistirmos em falar com o secretário, que nos respondeu: “A Assessoria de Comunicação vai enviar hoje ainda um comunicado a toda a imprensa, inclusive a você. Ok?”. Respondemos: “Não queremos release. Gostaria de ouvir o secretário. Jornalista detesta release. No caso, o assunto é polêmico e o secretário é quem deve falar. Vamos apenas ignorar o release. O caminho não é esse. Ok?”.

Então repetimos, o que está faltando é planejamento, além do interesse em se fazer algo apenas para que a população veja. Uma postura falha, porque essa população, mesmo que queira ver seus pedidos atendidos, quer principalmente que estes sejam discutidos, planejados e projetados em comum acordo com ela. Por que não anunciar primeiro para o povo o que vai ser feito, onde e como? Assim não se incorreria no risco de ver os objetivos obstruídos por quem quer que seja. Quanto ao “penico da Estelona”, os mais velhos, os que nasceram no século passado, nas décadas de 30, 40, 50, 60, 70... sabem o porquê do apelido da fonte luminosa. Que, aliás, não funciona faz muito tempo! Quem sabe o local é ali? Melhor parar por aqui.

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