Terceira dose. Uma verdadeira bagunça...

Se podemos chamar de bagunça a decisão do governo federal em vacinar crianças contra a Covid-19, assunto resolvido na quinta-feira, 6 - depois das já caricatas e pitorescas posições do nosso presidente da República, um falastrão e “uma figura encontradiça somente em países do terceiro mundo...”, como diria o meu amigo JW -, e me surpreendeu a verdadeira bagunça na vacinação anunciada pela secretaria de saúde do município no decorrer da semana, para reforço e segunda dose. Resolveram mudar o processo de vacinação e transformaram o evento em um emaranhado para a população. O fato é que anunciaram a programação da vacinação entre os dias 5 e 13 de janeiro, o que chamaram de “programação semanal”, porém o período anunciado abrange duas semanas, isso para começar... E, continuando, não explicaram mais nada, apenas abaixo da tabela de dias e locais o anúncio de que “para obter mais informações sobre vacinas, acesse coronavírus.saude.gov.br. Aí começaram os problemas, pois, ao acessar o endereço, você apenas tem informações generalizadas sobre a vacinação no Brasil; em Itaúna, nada.

No meu caso, precisava da dose de reforço, a lógica seria vacinar no Posto Central, área onde resido, mas, por sorte, um primo morador do bairro das Graças, acabou por incentivar a buscar a unidade de saúde do bairro. Pra lá foram destinadas apenas 18 doses. O meu primo retirou a 10ª senha e eu cheguei a tempo de ser o 13º. Ao chegar ao posto de saúde, deparei-me com rostos conhecidos, já sentados, esperando. Ao chegar até a atendente, anunciei que estava ali para a dose de reforço e recebi uma senha, como já afirmado, a de número 13, com o seguinte recado: “Não pode sair daqui... ir embora...”. Isso era exatamente 11h23min, para uma vacinação que começaria às 13 horas. Questionei: “Ora, e se me der vontade de ir ao banheiro?”. A funcionária, secamente e com ironia, respondeu: “Temos banheiro aqui”. Bom, usar um banheiro em uma unidade de saúde, aonde pessoas chegam com todo tipo de doença e com a pandemia, beira à “loucura”. Mas tudo bem, porém, observei a situação de uma idosa, que, em alto e bom som, anunciava para quem estava esperando: “Minha senha é a 01, fui a primeira a chegar, estou aqui desde às 8 horas”. Como ela, outros esperavam há mais tempo. Comecei a raciocinar e a monitorar outras unidades, via repórteres do jornal e amigos. Para minha surpresa, a “bagunça”, seguida de indignação e muito xingamento, estava acontecendo na maioria das unidades de saúde. No Posto Central, por exemplo, para onde foram destinadas 100 doses, havia uma fila de mais de 150 pessoas, e o excedente não foi comunicado com a antecedência devida a quem estava ali na fila, mas não seria vacinado. Distribuíram as senhas já quase na hora da vacinação, pelo menos essa foi a informação recebida.

Voltando à unidade do bairro das Graças, fiquei marcado pelo fato de ter questionado o fato de não poder sair dali, para fazer outra atividade ou mesmo almoçar, uma vez que estava com senha. Não consegui ainda ver motivo para ficar ali, estagnado, esperando cerca de 1h40 min. para se vacinar. Mas como jornalista aproveita tudo, principalmente o tempo, observei que as pessoas chegavam para se vacinar e eram informadas que as doses já haviam acabado e eram apenas 18 unidades. Isso aconteceu com muitas pessoas, muitas, mesmo. Enquanto isso, no Posto Central e em outras unidades, a revolta com a falta de informação concreta era a mesma e com muitas pessoas chegando e voltando revoltadas e xingando. E no bairro das Graças, onde eu continuava esperando e sendo observado com “rabo de olho” pelas funcionárias, era um entra e sai de pessoas em busca de vacina... O relógio marcou 13 horas, funcionárias a postos, mandaram então que se formasse uma fila com o distanciamento necessário, o que não foi observado, pois o brasileiro, que gosta de fila, é irresponsável por natureza, e com a fila de 18 pessoas composta no passeio da unidade, iniciou-se a vacinação. Mas pessoas continuavam chegando em seus carros ou a pé e postavam na fila, até serem comunicadas que não havia mais vacina. O questionamento era só um: “Mas não começava às 13 horas? São 13 horas...”.

Diante da historinha real acima, a conclusão só pode ser uma: transformaram a vacinação em uma verdadeira bagunça, por um só motivo, acabaram com o agendamento on-line, que funcionou muito bem. Além disso, faltou, como sempre vem faltando nessa administração municipal, comunicação de fato, e não apenas para satisfazer os próprios comunicadores oficiais, que se acham os donos da verdade - fizemos assim, e a população que corra atrás para se informar. Estão “apaixonados” com as redes sociais e assim o problema “deles” está resolvido. E a população? A grande parcela que não tem acesso às redes sociais, e que é uma parcela considerável? Essa, que não é high-tech, que vá para os postos de saúde e volte esperando uma próxima oportunidade...
Fui vacinado, mas ainda tive que ouvir risadinhas irônicas de duas funcionárias que conferiram a minha documentação e anotaram o meu cartão de vacina. Mas faz parte. Para concluir, recebi a informação de um repórter de rádio, um dos melhores da cidade, que, ao ver que fui almoçar muito após o horário normal, questionou o fato. Respondi que estava envolvido na “saga da vacina”. Ele, sorrindo, disse: “Uai! No posto do bairro Pio XII, sem nenhum problema, vacinei às 10 horas da manhã, sem fila nenhuma e sem questionamentos”. Surpreso, pensei: cada caso, um caso! Ou seja, não houve preparação para a vacinação de reforço e muito menos unificação das ações. Cada unidade de saúde agiu como quis, e o cidadão é que ficou prejudicado. Como sempre, uma bagunça generalizada! Essa é a verdade. E minha opinião, por um só motivo: acabaram com o agendamento, que funcionou muito bem na primeira e segunda dose. E se não está funcionando com o reforço, e se não há vacina suficiente, é um sinal de que estamos em risco maior, pois, se não há vacinação a tempo e a hora, estamos expostos. É preciso bom senso, organização e respeito com o cidadão. Ficou evidente na quinta-feira que não está havendo isso. Optaram, parece, para o “salve-se quem puder”, ou seja, se você está disposto a passar pelas imposições administrativas, em minha opinião, desordenadas, consegue sua imunização, se não, vai ficar exposto e sob o risco de ser contaminado e disseminar o vírus. Mas é aquela história, o itaunense sempre achou e continua achando que Itaúna é uma ilha, que somos autossuficientes e diferentes dos outros. Alô, alô, Vanesia!!! Alô, alô, Dr. Fernando Meira!!! Ufa!!!

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