O fazer pelas “metades...”

Se me recordo bem, já levantei o debate sobre esse assunto aqui no editorial. Mas como as coisas não mudam e nossos administradores públicos também não mudam a forma de agir, mais uma vez somos abrigados a “bater na mesma tecla”. É incrível como o tempo passa, os administradores mudam, mas as decisões continuam as mesmas. Acreditamos que não é por falta de visão, mas por desinteresse mesmo, por achar que qualquer coisa serve para cobrir a demanda do povo. Em função disso, esta semana fomos procurados por diversas vezes por cidadãos comuns, entre eles mulheres, que frequentam o centro da cidade, consecutivamente a Praça da Matriz, para ir ao banco, à missa ou mesmo para fazer compras ou pagamentos em lojas. Todos vieram reclamar sobre o banheiro público construído na Praça, ao lado da banca de revistas. Todas as críticas são em relação à qualidade da construção em se tratando de tamanho, acabamento e também local.
Ouvimos todas as reclamações e passamos a observar o local, que ainda está fechado e na quarta-feira passava por limpeza dos vidros das janelas etc... Sinceramente, achamos que os reclamantes têm razão, não da para entender o porquê de se construir um banheiro nos moldes do que foi inaugurado pelo prefeito no sábado passado. É como afirmou um dos reclamantes: “É um verdadeiro coxixó”, ou seja, é pequeno, malfeito, e não corresponde com o local e os objetivos de uso. E concordamos com a conclusão desse reclamante. A administração municipal não se preocupou em trabalhar melhor a escolha do local na praça da Matriz e muito em fazer um projeto melhor estruturado e com um acabamento melhor. Construíram um verdadeiro “barracãozinho” ao lado da banca de revistas e próximo ao “caramanchão” de jogos de baralho. Além de “sujar” o visual da Praça, ainda vai contribuir em curto espaço de tempo para transformar as imediações em local sujo e fedido, o que vai contribuir para enfeiar ainda mais o visual da nossa antes, majestosa Praça da Matriz.
As informações são de que o local vai ser administrado pelas APACs – feminina e masculina, que vão disponibilizar condenados para trabalharem no lugar em troca da redução da pena. É louvável a iniciativa, mas fica a pergunta: vai funcionar? Também extraoficialmente as informações são de que o usuário vai pagar R$ 1,00 pelo uso do lugar. Uma mixaria, é verdade, mas e aí? Os recursos vão para as APACs? Será que vão ser suficientes para comprar pelo menos os produtos para a higienização do lugar? Achamos isso difícil. Ou será que o Município vai arcar com os custos da manutenção diária? Sinceramente, achamos que isso não vai funcionar. E se não vai, vamos ter outros problemas em breve, pois, logo, logo o lugar vai estar abandonado e sendo objeto para moradores de rua usufruírem. Aí vem fedentina e confusão...

Sempre defendemos a construção de um banheiro público, mas com estrutura para suportar uma demanda crescente e em condições de ser terceirizado e administrado com independência. E aí entra a questão: não há demanda para a terceirização, pois a arrecadação muito provavelmente não será suficiente para manter funcionários e aquisição de produtos de limpeza para manutenção e muito menos dar lucro. Ou seja, muito provavelmente o banheiro já começa fadado ao fechamento, ou caso contrário, o Município vai ter que designar funcionários para manutenção do lugar, o que não acreditamos, basta observar o banheiro da Rodoviária, que é um lugar que sempre esteve em condições péssimas.
Mas o fato é que a ideia de se construir o banheiro público conforme concebido já começou errada. O local não é o mais apropriado, o tamanho parece não ser o ideal, ficou pequeno e a concepção de uso foi mal planejada. Ou seja, segundo os entendidos, o lugar não vai funcionar objetivamente.

Em nossa opinião, e já a demos em outras oportunidades, o local ideal era atrás da igreja matriz, mas, parece, não acharam viável. Outra alternativa era um acordo com a paróquia para que fosse construído ao lado da antiga casa paroquial ou ainda que se pensasse em uma construção subterrânea, mas, enfim, a obra está feita e inaugurada, ou seja, entregue à população. Agora é observar o uso diário e torcer para que perdure por um bom tempo, o que não acreditamos. O fato é que o Senhor prefeito deveria ter pensado melhor antes de decidir pela construção do “barracão” para a instalação do banheiro público. A nossa principal Praça não pode virar um logradouro com puxadinhos e muito menos perder as características. O local já foi muito descaracterizado quando das reformas implementadas pelos então prefeitos Hidelbrando Canabrava, em 1995, e depois Eugênio Pinto, no início do ano 2000, quando perdeu muito do seu glamour. A Praça da Matriz sempre foi um local de encontro e todos os fatos públicos sempre foram organizados para acontecer nela, com exceção do desfile de 7 de Setembro e o Carnaval, que desde a década de 90 são realizados na Av. Jove Soares.
A nossa mais bela Praça ainda é um ponto de encontro das famílias para passear com os filhos, namorar, bater papo com os amigos e apreciar o vai e vem de pessoas aos sábados no comércio, ir à feirinha ou apenas sentar no banquinho para ler... Ela precisa de cuidados em seus jardins, que estão praticamente abandonados, precisa de um novo projeto de iluminação com urgência, pois fica muito escura, e, além disso, carece de um terminal de ônibus coletivo que deve ser incorporado ao jardins com muito cuidado... Não adianta pensar que com as mudanças da Prefeitura e futuramente do Fórum Mário Matos, ela vai deixar de ser passagem e ou de agregar lojas comerciais... Acredito, sempre será um ponto de encontro, nunca vai perder seu charme e, mais que isso, será um shopping a céu aberto... Basta nosso prefeito, em conjunto com os órgãos que representam os comerciantes, quererem... Quanto ao barracão, que denominaram “Banheiro Público...”. Meus Deus!!!

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