É preciso repensar

Confesso-me assustado com os acontecimentos que têm delineado o ambiente no Poder Legislativo itaunense. Infelizmente não há como “fechar os olhos” para os últimos acontecimentos, que são em minha avaliação deploráveis. Os poderes constituídos devem ser respeitados em seu funcionamento pleno, observando-se os seus regimentos internos, códigos e/ou leis. Além desses, a ética deve prevalecer. No caso do Poder Legislativo, há de se observar ainda que ele é o Poder que representa o povo. E por isso suas ações, por meio dos seus componentes, devem ser espelho para seus representados. A “bagunça” que está a Comissão Processante” que investiga o caso da suposta compra de votos pelo vereador Alex Artur, o Lequinho, para a eleição da Mesa Diretora não pode continuar. Os vereadores membros da Comissão são pessoas sérias e não podem ficar com seus nomes em meio aos devaneios que permeiam depoimentos, atas e decisões. O ocorrido na reunião da quarta-feira, dia 4, quando o vereador Iago Santiago, vulgo Pranchana Jack, deu um show, perdendo o controle, agredindo colegas com palavras de baixo calão e quase agredindo de fato a vereadora Otacília, sendo contido por outros vereadores, é lastimável. Ouvi a gravação e estou em um misto de surpreso, decepcionado e indignado com tanta balbúrdia, indolência, loucura e desrespeito com a instituição Poder Legislativo. É lamentável. Como também foi a postura do vereador na reunião da terça-feira, 3. Não estou aqui querendo transformar o vereador em zero à esquerda ou defendendo os demais ou algum deles, e muito menos querendo defender a vereadora Otacília, pivô das confusões com o “senhor Pranchana”. A vereadora Otacília, em minha opinião, errou e continua a errar ao trazer para a sua vida pública a sua vida particular, essa, diga-se da passagem, não é da conta de ninguém. Mas, por outro lado, mesmo que a vereadora tenha errado e continue insistindo no erro, não há nada que justifique a postura do vereador Iago Santiago, de agressividade, divagação de pensamentos e de quebra de decoro parlamentar. As palavras usadas no plenário, para os ataques à colega Otacília na terça-feira, caracterizam desrespeito e quebra de decoro. Pelo menos em minha opinião.


Faço a cobertura jornalística dos trabalhos legislativos faz algumas décadas, pelo menos há três, tenho a certeza. E já presenciei ameaças, embates rígidos, ríspidos e contundentes, discursos ardilosos e rebuscados de ideologias e posicionamentos, mas baixaria de esquina é a primeira vez. Não é possível que a Mesa Diretora, na liderança do vereador Alexandre Campos, que apesar da juventude vem demonstrando ter maturidade política e postura ética, vá continuar a permitir que a bagunça continue. Está evidente que as posições motivadoras das posturas em plenário e nas comissões provém da campanha para a eleição da Mesa Diretora, mas também têm o componente político partidário. Em outros tempos, o vereador Lequinho já estaria cassado, o vereador Iago sem mandato e a vereadora Otacília já teria sido advertida inúmeras vezes pela Comissão de Ética. Virou bagunça e é uma vergonha para todos os componentes do Poder Legislativo itaunense. Os 17 vereadores precisam saber que seus nomes estão envolvidos, alguns diretamente, como já sabemos, outros indiretamente, mas todos compõem a Casa, todos estavam envolvidos no processo eleitoral da Mesa e todos nos “combinados” dos votos.


É momento de parar, refletir e tomar providências imediatas. Se a solução é a cassação do vereador Alex Artur, que ela seja concluída dentro das exigências regimentais. Se a solução é o afastamento do vereador Iago Santiago, por doença, se isso for concluído por laudo médico psiquiátrico, depois de esgotadas todas as tentativas de enquadramento ao Regimento Interno, e/ou o afastamento da vereadora Otacília por falta de postura ética por misturar a vida privada com a pública e expor um Poder Constituído. Cabe ao presidente da Casa de Leis fazer prevalecer a postura ética, a condução dos trabalhos das comissões constituídas e os trabalhos legislativos em prol do andamento jurídico, administrativo e político do Município. As providências cabíveis devem ser tomadas doa a quem doer. Já basta. Os acontecimentos registrados na semana são suficientes para que uma decisão em prol de Itaúna seja tomada. É premente repensar a conduta do Legislativo.

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Última modificação em Quinta, 05 Setembro 2019 18:49

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