Hipocrisia

Por Publicado em:04/10/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 231

A semana foi marcada pela notícia de que a construção de um presídio em Itaúna, anunciada lá em meados de 2009, pode ser revista e vir a acontecer. Isso bastou para que as opiniões fossem expostas nas mídias sociais e causassem reações, as mais diversas, entre os formadores de opinião e aqueles que de alguma forma se sentem prejudicados, ameaçados ou apenas se acham acima de tudo e de todos. E o fomento das opiniões foi feito por uma vereadora oposicionista, que aproveitou para mostrar sua posição perante o governo municipal de forma mais explícita, pois misturou as coisas, propositalmente. A vereadora Otacília Barbosa, sabendo que o tema causa reações, as mais diversas, aproveitou a oportunidade para promover o embate e jogar uma parcela da população contra o prefeito. É o jogo político, admito, mas que não traz nenhum benefício ao todo. E o empate tornou-se polêmico e envolveu uma parcela de pessoas que se posicionou, na maioria, contra a construção da cadeia. Pois bem, em outras oportunidades já discutimos aqui a questão da construção do presídio na região dos Gorduras, próximo ao campo de pouso, inacabado. À época, chegou-se a erguer um acampamento de uma construtora no local e uma terraplanagem no terreno foi iniciada, mas o governo estadual entrou em colapso e a construção foi suspensa. Agora, um projeto de lei foi encaminhado à Câmara nesta semana fixando o prazo de 36 meses para a conclusão das obras de edificação da unidade prisional em terreno de que trata a lei de 2009, conforme disposto no artigo 2º da lei 4.359, de janeiro de 2009. 

Isso quer dizer que o prefeito, diante de uma nova possibilidade de construção da Unidade Prisional pelo Estado, com recursos do BNDS destinados pelo governo federal, está estipulando prazo para tal. Em nosso entendimento, tudo certo. O prefeito está fazendo o que deve mesmo ser feito, pois há um terreno à disposição, uma lei de destinação aprovada e a cidade, independente de polêmica, precisa resolver a situação da cadeia pública, ou do presídio, localizado no centro da cidade. Um caldeirão em ebulição constante, que já devia ter sido desativado há décadas e é motivo de discussão desde a década de 70. Vão argumentar que a construção do presídio na região dos Gorduras não vai interferir na desativação da Unidade Prisional da Rua Santana. Uma mentira, pois vai. Mas, desativado ou não, a cidade precisa de uma unidade prisional, pois muitos dos detentos itaunenses estão cumprindo pena em unidades de Pará de Minas, Divinópolis, dentre outras cidades. E outra, o presidio da Rua Santana está em área urbana, o que é um absurdo, e tem capacidade para 68 presos. A lotação atual é de mais de 200. Uma verdadeira “lata de sardinha”. O local é pequeno e inapropriado. Um barril de pólvora. Então, é preciso deixar a hipocrisia de lado e assumir as posições necessárias como cidadão. Apenas isso. É evidente que ninguém quer um presídio por perto, pois ali dentro estão os renegados, a “escória” da sociedade. Mas, por outro lado, é preciso enxergar que, em meio a essa “escória”, estão seres humanos, que têm família, e se erraram têm o direito de se redimir, pagando suas penas, e que estas sejam cumpridas com um mínimo de dignidade.  

Essa coisa de que serão muitas vagas para presos de outros centros, que o terreno pode ser melhor aproveitado sendo destinado para indústria e que a cadeia da Rua Santana não será desativada, são argumentos até válidos sob um determinado prisma, mas por outro são inadmissíveis, pois demonstram preconceito e egoísmo. E são mentirosos, principalmente no que tange a não-desativação da cadeia. Ou seja, outras cidades podem receber os nossos presos, e nós não. Terreno para indústria temos e muito. O município tem áreas que podem ser leiloadas e, com o recurso arrecadado, outras mais apropriadas podem ser adquiridas para que se construa outro distrito industrial. Quanto ao campo de aviação, que fica ao lado e seria prejudicado, temos a opinião de que é melhor e mais útil um presídio do que um campo de pouso para aviões, pois não vamos ter uma utilização comercial para tal. É uma área usada por uma elite formada por meia dúzia de privilegiados. E mais, estamos muito próximos de Divinópolis onde há um aeroporto com utilização comercial e de Belo Horizonte com a pista da Pampulha e Lagoa Santa, com Confins. Isso sem contar que em Carmo do Cajuru, na divisa com Itaúna, um aeroporto particular em condições de ser usado comercialmente está pronto. Ou seja, não precisamos de aeroporto, o dos Gorduras serve ou vai servir apenas para alguns brincarem de levantar voo. Nada mais que isso. E mesmo diante de toda a polêmica, em nossa opinião, o presídio não sai. Desconfiamos que o prefeito se posicionou para amanhã reincorporar o terreno ao município e dar outra destinação. A verdade é que não há motivos para polêmicas e muito menos para discussões infundadas. A vereadora Otacília sabe que o assunto será debatido publicamente no plenário do Legislativo e sabe também que a sua intenção nada mais foi a de desgastar o governo, aproveitando um assunto que de fato é controverso, porque o ser humano é hipócrita por natureza. Não acreditamos que a construção saia do papel, mas, se sair, que seja para solucionar um problema já crônico de hospedagem sequencial, inclusive, na Rua Santana. O restante, além de hipocrisia, é politicagem barata, de coturno.

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