O roteiro não muda

Por Publicado em:31/10/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 279

Quando o assunto é o Hospital Manoel Gonçalves, o roteiro do filme não muda, passam-se os anos e a pauta é sempre a situação financeira caótica da instituição de saúde que é a única da cidade, como todos sabem, doada aos cidadãos por um itaunense abastado. A situação do Hospital Manoel Gonçalves desde que pisei na redação da FOLHA, em 1972, é a mesma, a de falência iminente. Desta vez, sinceramente fiquei surpreso quando a provedora, em reunião com os vereadores na sala da presidência na quarta-feira, 30, disse que a instituição tem uma dívida de mais de R$ 13 milhões. Em nosso entendimento, uma dívida que se persistir vai levar o Hospital à falência. O interessante é que, também desde 1972, quando tive os primeiros contatos com a situação da instituição que presta serviços de saúde, o caso se repete e o prefeito, a prefeitura ou o município, como queiram, é que são os culpados e têm que resolver o problema. Não vamos aqui ficar do lado deste ou daquele, apenas achamos que a situação pré-falimentar do Hospital Manoel Gonçalves ou da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, como queiram, tem que ser estudada, revista e precisa ter uma solução urgente e definitiva. O “buraco sem fundo” precisa ser fechado.

A questão agora é o Plantão 24 Horas, de responsabilidade da Prefeitura, que é terceirizado ao Hospital e funciona em suas dependências. A provedoria da Casa de Caridade alega e argumenta que não tem como mais gerir o Pronto Socorro 24h com os valores percebidos de R$ 1.037 milhão de reais/mês e quer um reajuste que chegue à casa dos R$ 1.200.000,00 mais a produção mensal, que está na casa dos R$ 140 mil/mês. O prefeito já deixou claro que não tem como pagar e que a outra exigência, de que se pague à vista e em dia, também é impossível pois os repasses do governo federal e estadual estão sempre atrasados e a prefeitura não tem caixa para bancar. O prefeito também argumenta que mais de 40% do arrecadado com a Saúde, ou seja, recursos vindos dos governos, são repassados para o Hospital mensalmente. Vale lembrar também que as emendas de deputados conseguidas por vereadores também já ultrapassaram os R$ 3 milhões nos últimos meses. Diante dos argumentos de ambos os lados, confessamo-nos estar mais propensos a entender a situação da Prefeitura do que a do Hospital. São ambas complexas e que envolvem a população num todo. Porém, é visível que todos os esforços estão sendo feitos pela administração municipal para manter os pagamentos com o menor atraso possível, isso é fato e não vai aqui nenhuma defesa, apenas uma constatação.

Defendemos também faz algum tempo que a sangria seja estancada. Como? Com o envolvimento direto da sociedade num todo, com destaque para os mais privilegiados, que detêm fortunas e podem amparar o nosso único hospital. Não faz muito tempo, neste mesmo espaço, defendemos que não custa uma atenção especial da cidade para com a instituição Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira. Uma atenção não só dos políticos de plantão, mas de toda a população que usufrui dos seus serviços. Mesmo que seja obrigação do Estado o atendimento integral à saúde, a população itaunense também pode contribuir para acabar com a penúria financeira constante do Hospital. Além da população, e com maior propriedade, os empresários bem-sucedidos e privilegiados, em um ato nobre, poderiam resolver de uma vez por todas a situação, revertendo o caixa negativo. Não podemos deixar de citar que recentemente a família Nogueira, do Grupo J Mendes, anunciou a doação de um prédio para o Hospital, onde vai funcionar o Centro de Hemodinâmica, nossos parabéns e que sirva de exemplo para outras famílias endinheiradas. Mas nos causa estranheza, mesmo sob o argumento de que mais serviços especializados aumentariam o aporte de pagamentos, o que é uma lógica, melhoraria o faturamento da instituição de saúde. Concordo, mas não seria melhor que os recursos doados para a construção do prédio novo, que deverão ser da ordem de R$ 40 milhões, antes de serem usados em expansão, deveriam, em comum acordo com os empresários doadores, ser usados para a quitação de dívida e para um caixa? Não entendo, sinceramente.

Os políticos, além dos esforços já anunciados e que são dignos de aplausos, poderiam oferecer maior dedicação ao Hospital, que é sempre um mote para a propaganda eleitoreira. “Consegui isso, atuei naquilo, resolvi isso...” Essas são frases comuns nos releases dos nossos deputados e vereadores. Mas ficam as perguntas: e o Centro de Oncologia? Vai funcionar quando? E a UTI Neonatal que nunca chegou a funcionar? Se foi? Isso somente para lembrar duas questões. Há muitas outras promessas que não saíram, não saem e nem vão sair do papel. Então, é preciso esforço, dedicação e vontade, e incluímos aí a população. Ela também tem que participar. Culpar o prefeito, a Provedoria ou mais um ou dois não vai tirar o “Hospital do Manoelzinho” do vermelho. E com todas as letras: de “chiliques” estão todos cheios e desta vez estou desconfiado de que a situação é caótica, é em nosso entendimento pré-falimentar. Então, se tem que intervir, que assim seja. Brigar, acusar e buscar a razão para aquele ou para o outro não vai resolver a situação. O Hospital precisa da Prefeitura e vice-versa. O consenso é a melhor solução, senão obviamente perdem todos, principalmente a população, que é de fato e de direito a dona do Hospital Manoel Gonçalves de Sousa Moreira. Então, vamos ao trabalho, hora de sentar à mesa mais uma vez, sem acusações, cobranças e exigências impossível de cumprir. O que nos deixa indignados é que, após as tempestades, “tudo fica como antes, no quartel do Abrantes...” E o povo, Oh!

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