Deflagrada a disputa eleitoral

As acusações levadas a público na reunião da Câmara na terça-feira, 4, servem para ilustrar o que vai ser o ano eleitoral no município. Vai ser uma baixaria sem precedentes, porque a agilidade proporcionada pela tecnologia digital e as facilidades de gravação, filmagens e fotografias de documentos proporcionam denúncias praticamente comprovadas ou pelo menos de difícil defesa para os acusados. O que assistimos na Câmara (via YouTube, pois estamos proibidos judicialmente de frequentar a Casa e fazer o nosso trabalho jornalístico, no que consideramos um cerceamento ao direito de exercer o jornalismo livremente, conforme garante a Constituição Federal em seu Artigo 220 e em seu Artigo 13, a liberdade de pensamentos) deixa claro que a oposição não está morta e pretende mostrar que tem condições de disputar a prefeitura em pé de igualdade (será?), pelo menos no que tange à ação de campanha. Pois entendemos que o prefeito, com o poder nas mãos, tem mais condições de acionar maior parcela do eleitorado. Mas é uma via de mão dupla, pois as deficiências inerentes ao poder e à administração, acabam por colocar em risco essa vantagem, porque as promessas e as necessidades das comunidades e dos cidadãos acabam sendo preteridas e são substituídas por ações administrativas básicas, como a manutenção dos serviços e pagamentos de funcionalismo.

A administração do prefeito Neider é a prova de que não se pode mais fazer promessas eleitoreiras se não há certeza de que pode-se cumpri-las. O atual prefeito não conseguiu cumprir o seu plano de governo e sua administração é a chamada popularmente “feijão com arroz”, pois a cidade não viu absolutamente nada de novo. Vão argumentar como contraponto que a Belgo Bekaert está fazendo expansão e que sua nova fábrica vai dar mais empregos e possibilitar maior geração de renda ao município, isso aconteceria com qualquer prefeito que estivesse administrando, não foi um trabalho do Neider. A nova prefeitura foi uma ação do ex-prefeito e os recursos para a continuidade da obra estavam reservados, o prosseguimento era e é uma consequência natural. Ampliações, novos programas nas áreas da educação e na administração direta são ações naturais a qualquer administrador público, é preciso modernizar os serviços públicos buscando mais agilidade e melhor prestação de serviços ao cidadão. Ações de ordem geral no urbanismo e na infraestrutura são naturalmente parte cotidiana na administração pública, a reconstrução da ponte na comunidade dos Lopes, por exemplo, virou novela e teve intervenção de deputados e vereadores para conseguir um tubo ARMCO, o que durou mais de um ano. Uma “pinguelinha” que virou piada. E a ponte que precisa ser construída na estrada que dá acesso ao Distrito Industrial já virou outra novela. Não sei quem já conseguiu as vigas, agora falta a liberação de recursos conseguido por vereador junto a deputado e por aí vai... Dizem que sem a ponte a nova empresa que vai se instalar no Distrito, que produz painéis elétricos, não vem. É um risco, pois não conseguem construir uma ponte de poucos metros.

Achamos que houve avanços visíveis na área da saúde pública. A prestação de serviços melhorou visivelmente, há mais organização, melhor distribuição dos atendimentos e um melhor ordenamento administrativo. Os serviços de primeiros socorros, como o do Plantão 24 Horas, melhoraram substancialmente com a decisão de passá-los para a Hospital Manoel Gonçalves. O prefeito é médico e designou para a área outro médico. Deu certo. Na educação as coisas andam bem, diríamos, dentro da normalidade. Na área da Ação Social enxergamos avanços, mas as ruas do centro da cidade estão cheias de mendigos, pedintes e drogados, que dormem embaixo das marquises, na frente de prédios públicos, como na do prédio da própria prefeitura, e nos monumentos. Não há uma política voltada para a solução desse drama social, que não é privilégio de Itaúna, é verdade, mas precisa ser combatido com ações elaboradas e eficazes.

Diante deste quadro, resumido e citando apenas o que observamos no dia a dia, enquanto jornalista e um itaunense apaixonado, entendemos que o atual prefeito apenas administrou o “feijão com arroz” e esqueceu o seu programa de governo, diríamos, até arrojado, pelas críticas feitas no passado enquanto era oposição. Por isso, achamos que a eleição está deflagrada e tem como foco principal as fraquezas do governo Neider, que são muito maiores que a sua eficiência. É preciso ressalvar que Neider teve o governo prejudicado por questões circunstanciais, como os recursos da ordem de 35 milhões de reais retidos pelo governo do petista Fernando Pimentel e pelas dívidas deixadas pelo prefeito anterior, o que é de praxe, um deixa para o outro, junte-se a isso o desconhecimento do quadro administrativo ao assumir. Talvez esse seja o único mote de campanha possível a Neider. Não fiz porque não tive como fazer, preciso de mais um mandato para executar meu plano de governo. Isso seria o suficiente? Junta-se a isso o fato de a cidade não ter um nome preparado. Não há um nome pronto. Eugênio Pinto é uma piada pronta. Maurício Nazaré é carta fora do baralho; Marcinho Hakuna vem, mas não tem recursos e nem nome para competir; Da Lua está é no “mundo da lua” e é, no máximo, candidato à reeleição; e outros como do PT e partidos pequenos que são os considerados nanicos e vão continuar assim. Não vai haver surpresa.

Mas, independentemente das ponderações e das análises estarem corretas ou não, a eleição, politicamente falando, está deflagrada e o que vamos assistir a partir de agora são ações visando denúncias que venham desgastar nomes que já estão na disputa e outros que podem surgir. O exemplo de terça-feira está aí para mostrar o que teremos até outubro. Particularmente acho que Neider será reeleito e o motivo é apenas um: não temos outro nome viável. E mais, acho que o único nome em condições de enfrentá-lo é o de Osmando Pereira, quatro vezes prefeito. A verdade: Itaúna esqueceu de renovar o seu estoque de candidatos. Não preparou ninguém à altura. Lamentável.

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