Um buraco negro

As teorias são muitas, mas os cientistas ainda não conseguiram definir de forma unânime e definitiva o que é um “buraco negro” no Universo. A citação é para ilustrar o que estamos vivendo com a pandemia do coronavírus. O mundo está parando e a situação se complica dia após dia, não escolhendo posicionamento geográfico e situação econômica dos países. E neste momento não importa se o país é de primeiro mundo ou subdesenvolvido, se está na América Latina, África, América do Norte, Europa Ocidental ou Oriental ou na Ásia. Não importa o continente e a situação econômica e social, estamos todos dentro da mesma bolha até que se consiga um medicamento eficaz para conter o vírus desconhecido.

A situação assusta e é motivo de pânico. E não é para menos, pois lidar com o desconhecido deixa o ser humano até mesmo paranoico e expõe a fragilidade do todo poderoso homem que sempre teve a certeza de que domina o Universo, vê sua fragilidade exposta, mesmo diante do poderio econômico dos países considerados de primeiro mundo. Até aqui os avanços tecnológicos, os estudos científicos e a inteligência humana, que já possibilitaram o estudo de outros planetas e já venceram a batalha contra outros vírus e doenças em séculos remotos até a atualidade, se mostram ineficazes contra um vírus desconhecido nomeado COVID-19 ou popularmente como coronavírus. No momento o que interessa é a união do ser humano em nome da vida, a partir daí a compreensão, a responsabilidade compartilhada e os cuidados individuais que formam o coletivo é que vão determinar a intensidade em números da contaminação pelo vírus. Não é o momento de desacreditar e agir com irresponsabilidade, pois apenas um infectado pode transformar a contaminação em comunitária. Os sacrifícios precisam ser feitos em prol do amanhã.

O que está evidente é que a batalha já começou e os movimentos e estratégias são as de um jogo de xadrez, porém não terá apenas um vencedor, é um batalhão contra um desconhecido, porém devastador. Tudo que fizermos a partir daqui será pouco em se tratando de prevenção, pois as consequências já começam a surgir e se mostram complicadas, uma vez que mexe diretamente com a economia, que está globalizada, indiferente de um país ser maior e mais evoluído economicamente que o outro. Ontem a Organização das Nações Unidas – ONU declarou que é “praticamente certo” que a economia global entre em recessão em razão da pandemia do coronavírus. No Brasil, as reservas econômicas já estão sendo utilizadas e, com a aprovação do decreto de calamidade pública pelo Congresso Nacional, o governo federal passa a atuar com mais flexibilidade, podendo realocar recursos. Além da flexibilização orçamentária, o decreto legislativo cria uma comissão mista, composta por seis deputados e seis senadores, para acompanhar as medidas do governo no combate ao coronavírus. Em nível estadual, o governo mineiro já tomou todas as providências possíveis visando a prevenção e o controle da disseminação do vírus.

O governador Romeu Zema assinou deliberação, na quinta-feira (19/3), restringindo a circulação de pessoas em Minas Gerais e intensificando ações para evitar a disseminação do coronavírus. O transporte coletivo entre os municípios, por exemplo, deve ser feito sem exceder a metade da capacidade de passageiros sentados. Para o transporte coletivo urbano e rural, vale a mesma proporção. Até ontem, sexta-feira, 20, à noite, o número de casos confirmados do COVID-19 saltou para 29 no Estado, e Belo Horizonte (Macrorregião Central de Saúde) já apresenta contaminação comunitária, que é quando não se sabe de quem o paciente contraiu a doença. Tendo em vista esse cenário, fazem-se necessárias medidas adicionais para frear o avanço do coronavírus.

Em Itaúna, o governo municipal está agindo com determinação e agilidade e, ao que parece, está obtendo apoio da população, que já entendeu que deve ficar em casa em isolamento, cumprindo a quarentena. As ruas estão vazias e o comércio já funciona parcialmente. A partir de segunda-feira, 23, todo o comércio vai fechar por força de portaria municipal e lojas, prestadores de serviços, bares, restaurantes e afins não podem abrir sob pena de ter o alvará cassado. As padarias, supermercados, farmácias e hortifrútis devem funcionar com ressalvas, buscando alternativas de atendimento prioritário e em forma de delivery. Os PSFs (Postos de Saúde) só atendem emergências e estão suspensos todos os atendimentos agendados. Observamos que há insatisfações, porém com a compreensão da emergência, mas a preocupação em não poder funcionar vem acompanhada do medo de não poder arcar com os compromissos financeiros, já ouvimos de muitos comerciantes que eles estão apreensivos, sem saber como pagar as contas.

Diante do quadro, fica evidente que as consequências serão de fato devastadoras, principalmente para o médio e pequeno empreendedor, e consecutivamente para o salariado que presta serviços no comércio e pequenas indústrias. Conviveremos com um período de caos e teremos que saber passar por ele com altivez. Em nossa opinião, o quadro se encaixa na definição do “buraco negro”. Não há até aqui uma luz no fim do túnel, e as consequências ainda não podem ser avaliadas com precisão. Então, a prioridade é a vida.

Avalie este item
(0 votos)

Compartilhe esta notícia


Warning: preg_match(): Unknown modifier '/' in /home/storage/d/52/6b/folhapovoitauna1/public_html/plugins/system/cache/cache.php on line 217