Os novos “faróis” da Praça et cetera...

Por Publicado em:15/05/2020 | Atualizado em:29/11/-0001 156

Itaúna é ímpar. Isso já é um conceito concreto para o itaunense de origem, o verdadeiro barranqueiro, e para os agregados. É ímpar por quê? Se pensarmos bem, o itaunense tem é que ser estudado. Ele é, primeiramente, senhor absoluto de si e tem a certeza absoluta de que é melhor que os vizinhos, que a sua cidade é esplendorosa e pode mais que as outras e que tudo aqui é diferente e melhor que das cidades vizinhas. Tem a melhor universidade de Minas, construída por ele, mas que acabou “privatizada” por um agregado; tem o melhor Hospital, porque foi doado por um itaunense autentico que não tinha o que fazer com o seu dinheiro e resolveu doá-lo a seu povo; tem empreendedores sérios e picaretas que ficam ricos; tem banqueiros desde a década de 60 e continua tendo; tem as melhores indústrias, as melhores escolas, as praças mais bonitas, os melhores clubes sociais, os jardins mais floridos e por aí vai...

E em meio a esta autossuficiência sem limites, o itaunense também é pitoresco, e como bem dizem os observadores, tem “coisa” que só acontece aqui. Ações simples do cotidiano, que em qualquer outra cidade brasileira passariam desapercebidas, em Itaúna viram motivo de polêmica, de discussões acaloradas, de piadas e até mesmo de atitudes drásticas e/ou radicais, como a que aconteceu ontem, motivada por uma ação banal, porém instrutiva e efetivamente de cunho educativo e de segurança. Um funcionário público que exercia um cargo de confiança desde o início do governo municipal acabou demitido por ter seguido instruções de um estudo de trânsito urbano que concluiu e determinou que fossem instalados semáforos em quatro pontos da principal praça da cidade, em locais onde há faixas, com o intuito de disciplinar a travessia de pedestres, que em Itaúna, diferentemente de outras áreas urbanas de outras cidades, é um “Deus nos aguda” para os motoristas. O pedestre em Itaúna, tem a certeza de que ele pode atravessar a rua no momento em que ele bem entender e independentemente de qualquer situação. Não importa a condição do trânsito, ele atravessa e pronto. Pois bem, os semáforos foram colocados para disciplinar a travessia e para possibilitar um fluxo mais tranquilo no entorno da Praça Dr. Augusto, centro nervoso da cidade, onde todos passam em algum momento do dia, seja de carro, motocicleta, a pé ou de ônibus. É um caos e a disciplina é necessária.

Está tudo certo, os semáforos são necessários. Mas como tudo aqui é diferente, o assunto da semana na Cidade Educativa (tem mais essa, somos Educativa do Mundo, título conferido pela Unesco na década de 70) foram os faróis, como dizem os paulistas, instalados na Praça. Assunto principal nas rodas de bate-papo e no meio político, entre vereadores, secretários, ex-prefeitos, ex-vereadores e pretendentes. Na reunião da Câmara da semana, o assunto principal foi a instalação dos semáforos. Meu Deus! Acreditem, vasou até áudio do diretor de Trânsito, e vereadores esbravejaram contra o então responsável pelo setor, esse, por sua vez, chamou o itaunense literalmente de retardado e por aí vai. Resultado, o diretor de Trânsito do governo Neider foi demitido por causa do áudio vazado por um conhecido colunista social da cidade. Particularmente acho que o diretor de Trânsito de fato abusou no áudio, mas, em se tratando do trânsito urbano, os semáforos são necessários e foram instalados de forma correta e devem ficar onde estão. E funcionando como estão. É necessário uma melhor explicação e um trabalho educativo nos locais, mais nada. O Itaunense não pode apenas achar que pode atravessar a rua no momento em que quer e onde bem entender. É preciso educação.

Quanto à repercussão do assunto e às discussões na Câmara, o que temos a dizer é que, sinceramente, achamos que é tempo desperdiçado com assunto banal, de menor importância. Entendemos que é muito esforço para pouco resultado, principalmente levando-se em conta que atravessamos um momento delicado, em que a prioridade é lidar com a preservação da saúde da população e com as consequências do estado de exceção. Pois a economia do município está sendo atingida em cheio e é preciso buscar meios para diminuir estas consequências que incidirão diretamente na população, com a perda do emprego, o aumento de impostos e tempo perdido na educação em todos os níveis, do básico ao superior. Por outro lado, estamos vivenciando ações positivas para o nosso município, com obras importantes e que vão impactar positivamente em um futuro próximo. A Estação de Tratamento de Esgoto, quase concluída, é uma delas, projeto que uniu esforços de grupos políticos diferentes e que é fruto de três administrações públicas municipais. Osmando, Eugênio e agora Neider têm participação ativa na construção da ETE, que tratará todo o esgoto da cidade e vai elevar Itaúna a outro patamar conceitual quando o assunto são recursos públicos federal e estadual. A administração municipal vai trabalhar em novo prédio dentro de poucos meses, a prestação dos serviços ganha eficiência e a população ganha em presteza, novas indústrias estão para instalar. Na educação, novo colégio começa a ser construído, mais opção para o ensino particular. Nosso Hospital está com as contas equilibradas e vai ganhar novo prédio com novos serviços, graças à iniciativa privada, com o grupo J. Mendes doando mais de R$ 45 milhões para a execução do projeto, outras empresas do setor minerário e outros setores também têm ajudado a Casa de Caridade. Então, a conclusão é que temos assuntos de relevância para discutir e que vão impactar no nosso futuro. Perder tempo com a discussão de semáforos na Praça é, no mínimo, de uma banalidade ímpar. Travessia de pedestres, semáforos? Somos mesmos ímpares. Uma terrinha de Borba Gato. É fato. Cabe a máxima: “Se colocar lona, vira circo. Se cercar, hospício”.

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