Uma eleição em que o silêncio vai prevalecer

Mesmo diante do impasse colocado ao eleitor por causa da mudança de estilo das campanhas, que estão mais silenciosas e buscam mais um contato direto com o eleitor via redes sociais, analisando a situação em que estão outros municípios do estado e principalmente da região, estamos começando a acreditar que os discursos e as propostas até o momento apresentadas pelos candidatos a prefeito em Itaúna ainda não convenceram. Cabe observar que, em um período em que há uma crise instalada em 99% das cidades brasileiras, que se agravou por causa da pandemia de Covid, a situação em Itaúna até que não é das piores. Resguardadas as devidas proporções. Mesmo que estejamos ainda enfrentando alguns problemas na área do emprego, é real comentar que há crescimento em muitos setores. E é real também afirmar que, enquanto muitas cidades com maior ou menor densidade demográfica reivindicam luz, saneamento básico, calçamento e escolas, não temos problemas nestas áreas. Está tudo pronto. É real afirmar também que há um crescimento do parque industrial, mesmo que lento e quase imperceptível, o que significa mais arrecadação no futuro. E, independentemente de quem realizou, Itaúna chegou num ponto em que a população pode afirmar que mora numa cidade 99% eficiente. Afirmar 100% seria um exagero.
Assim, em nossa opinião, se o próximo prefeito conseguir implementar mais serviços na área de saúde, mantiver os trabalhos de infraestrutura, fizer a manutenção e ampliação das redes de esgoto e água, e manter a cidade sempre limpa e bem cuidada, não terá muito com o que se preocupar. A questão é saber se uma mudança brusca na administração seria algo bom ou ruim. Se muda, novas ideias surgem, novos estilos aparecem... Se mantém o que está, pelo menos assegura-se a continuidade dos projetos, das obras, do pensamento. Outro fator que precisa ser observado pelo eleitor é a abertura, o acesso dos governantes municipais junto às autoridades que governam o Estado e o País. A cidade já conviveu com o isolamento e a população aprendeu que não é a melhor opção. O alinhamento do Executivo Municipal com os poderes governamentais é preponderante para que o município obtenha recursos para executar projetos novos e obter melhorias, apesar de no momento a inoperância nas duas esferas do poder ser visível.
Então, se analisarmos todos os pontos de sustentação, concluiremos que Itaúna não está em situação tão ruim, apesar de nos últimos anos ter sofrido duros golpes com o fechamento de empresas grandes e com o distanciamento dos poderes maiores. Por outro lado, ganhou outras empresas com tecnologia de ponta que constituem os pilares para o avanço da industrialização centrada na qualidade de vida. Como bem observou um dos candidatos, não adianta indústrias que dão 1.000 empregos e que venham a causar danos à cidade. Sabemos que o crescimento é primordial e a evolução é salutar, porque isso se transforma em qualidade de vida quando se tem administradores capazes de enxergar que os recursos públicos são ferramentas a serem usadas em prol do cidadão.
Feitos os comentários introdutórios, observamos que até o momento a campanha está fria. E como todos já sabem, o motivo é a pandemia de Covid, mas também, em consequência dela, há grande resistência enfrentada pelos candidatos em levantar recursos. Estão trabalhando com o Fundo Partidário, que se olhado como um todo em termos de país e estado é uma fortuna, mas o que chega aos diretórios municipais é pouco para bancar a exigente máquina publicitária de campanha. Sem conseguir solucionar o entrave, estão preferindo até aqui não dificultar. Então, a passos lentos, pressupomos que o voto consciente vai ganhar espaço nos próximos dias e o estardalhaço muito comum em outros pleitos, criado com a propaganda em massa, vai ficando em segundo plano. Outro diferencial desta campanha será a verdade, isso porque o cidadão, que em outros tempos tinha o sentimento de que estava sendo embromado e de que tentavam decidir por ele os destinos políticos da cidade onde ele vive, trabalha e tem família, desta vez, por causa da mudança de estilo da propaganda, do jeito que o candidato aproxima-se dele, percebeu que ele tem o livre arbítrio e que este não é somente uma opção, não é apenas um direito. É, antes de tudo, um sentimento de liberdade. E que essa liberdade ninguém pode tirar. Com isso, com este avanço e com certeza absoluta, os políticos aprenderam que ninguém tem o direito de brincar com o direito dos outros.
Lembramos que em um editorial nos idos de 2004, poucos dias antes das eleições municipais daquele ano, sob o título “Fim do destempero”, argumentamos que os candidatos já naquela época lidavam muito com estatísticas, porém muito pouco com o psicológico do eleitor. E quando as avaliações partem das pesquisas de opinião, os erros são maiores exatamente porque esquecem que estão lidando com o sentimento humano. Para quem acompanha mais de perto os movimentos políticos da cidade, fica fácil avaliar que há mais erros de avaliação, seguidos de erros de estratégia, aliados aos destemperos centrados no egocentrismo da maioria dos candidatos, que acertos. Já citamos em editoriais no passado que estudos antropológicos mostram que a humanidade gosta de experimentar, e que sempre há uma necessidade incontida em lutar por coisas novas, o que não é nenhum “bicho de sete cabeças”. E que, mesmo que o desejo de experimentar o desconhecido fosse confirmado, os antídotos naturais expurgariam naturalmente os malefícios de forma brusca ou lentamente.
Em outros tempos, em eleições dos anos 2000 a 2008, comentamos neste mesmo espaço que todos na cidade falavam à época em fenômeno eleitoral, mas que preferíamos optar pela expressão “recado definitivo”. Mais que isso, afirmamos que a situação política desenhada à época serviu, pelo menos, para mostrar algumas coisas: para enterrar de vez a oligarquia política tradicional, para mostrar aos homens de negócio que nem sempre só o dinheiro decide e principalmente para mostrar que em cidade de Gonçalves, Nogueiras, Santiagos, Penidos, Pereiras e Moreiras, etc... também podem governar “Zé Manés”, Silvas e cidadãos sem “pedigree”. Então, nossas considerações relativas à eleição majoritária terminaram à época, um dia antes da votação, com o título “Processo inacabado”, em que prevenimos que o quadro eleitoral era atípico, independente do resultado, porque a campanha mostrou tudo aquilo que vínhamos afirmando desde o início: que os tempos mudaram e que o povo já não aceita ser controlado. Que a evolução da campanha permitiu um quadro ainda inacabado até aquele momento, mas com uma insatisfação sem disfarce com as costuras. O resultado veio com a abertura das urnas. O recado, de fato, como vínhamos afirmando, foi definitivo para os políticos que sempre manipularam e tentaram, como tentam, manusear o eleitor. Continuamos achando que, como escrevemos no editorial do último sábado, o perfil do itaunense não condiz com o quadro de candidatos apresentados a ele. Mas, em todo caso, é de bom tom que o único candidato em condições de administrar a cidade, saiba que o itaunense não é mais o mesmo dos anos 2000. Ele sabe interpretar, sabe discernir o que é real e o que é apenas fantasia e sabe muito bem o que é qualidade de vida. Mais que isso, tem acesso ao processo administrativo do município e, o melhor, sabe interpretar as contas, fazer o balanço e muito bem definir se compensou e vai compensar mais 4 anos. Então, juízo com as coisas públicas, que pertencem e são frutos do sacrifício do povo. É como diz o ditado popular (e como diriam os mais experientes), um pouquinho de caldo de galinha não faz mal a ninguém.

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