Deputados fazem troca-troca com governo e cidadão “leva ferro”

Por Publicado em:09/08/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 453

Na madrugada de quarta-feira, 7, já estava aprovada a segunda votação da reforma da Previdência, que tramita na Câmara dos Deputados. A aprovação teve 370 votos e 124 foram os votos contrários. Quase a mesma votação do primeiro turno. Porém o detalhe está na pré-votação: os deputados só aceitaram votar depois que o governo garantiu o repasse de cerca de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares. O que significa isso? Que para votar os deputados garantiram verbas que garantem a manutenção de seus mandatos. Foi feito o antigo e velho troca-troca político e, mais uma vez, o cidadão-eleitor é que leva o ferro nessa relação promíscua da classe política. O deputado vota o que o governo quer, em troca são pagas aquelas verbas que os deputados indicam para fazer alguma obra nas cidades onde eles são votados (caso dos asfaltamentos de ruas aqui em Itaúna, por exemplo, com verbas liberadas por alguns deputados). Aí, o cidadão “agradece” o asfalto votando no deputado e leva ferro na hora de se aposentar. Basta ver quem será beneficiado com esta reforma: os grandes grupos empresariais, que vão gastar menos com o trabalhador (para os pequenos e médios a diferença não é grande); os políticos, juízes, promotores, militares das Forças Armadas, com grau de comando; e ocupantes de alguns outros cargos – assim como seus familiares –, que se aposentam com 100% do salário. Quem será prejudicado: o trabalhador, que vai precisar trabalhar 40 anos (homens) ou 35 anos (mulheres) para se aposentar com 100% da média das contribuições. Isso mesmo, com a média e não com o salário atual à época da aposentadoria.

E pior, com a média reduzida, porque hoje essa média é feita sobre os 80% maiores salários (os 20% menores são retirados na hora de calcular) e com a reforma que está sendo aprovada, vai ser feita a média de 100% das contribuições.

Assim, hoje, se você teve 80% das suas contribuições sobre 4 salários e 20%, quando no início de carreira, sobre 1 e meio salário, o cálculo vai ser feito sobre os 4 salários de média. Com a reforma, o cálculo inclui os 20% que você recebia 1 salário e meio. Assim, com os menores salários entrando na conta a média vai ser menor. E só vai permitir ao trabalhador homem se aposentar com 100% da média depois de 40 anos de contribuição e para as mulheres, 35 anos. Repetindo: não é o salário atual, mas 100% da média que já vai ser jogada pra baixo.

Enquanto isso, os deputados que votaram a favor desta verdadeira sacanagem com o trabalhador, que será o único a pagar a conta, vão anunciar verbas para asfaltamento, construção de sala de aula, reforma no posto de saúde, um dinheirinho para contratar cirurgias eletivas – tudo aquilo a que o cidadão já deveria ter direito, pois paga os impostos é para bancar esses serviços –, e ganhar os votos do cidadão-eleitor que acabou de ser ferrado, mais uma vez. Em Itaúna, por exemplo, tem uma meia dúzia de ruas que serão asfaltadas com essas verbas. Enquanto isso o Centro de Oncologia, equipado com dinheiro de doação da comunidade, continua sem funcionar. Sabem por quê? Porque nenhum desses deputados e seus cabos eleitorais consegue liberar os recursos para fazer o Centro funcionar. E assim vai acontecendo o troca-troca político e o povo levando ferro.


PS: Parece que mudaram a função do Legislativo, tanto no âmbito federal quanto no estadual e municipal. Deputados e vereadores que deveriam ter, primeiro, a função de fiscalizar os demais poderes e cobrar a aplicação correta da legislação, agora exercem a função de “mendigos de verbas e serviços”, em troca de votos nas questões que interessam aos governantes e seus patrões. E o eleitor continua sendo enganado e ainda tem que escutar elogios a deputados e prefeitos que “liberam verba” ou “fazem obra”. E para complementar o tempo ocioso (pago com dinheiro público), fazem média e homenagens... São títulos, medalhas e diplomas para todo lado, já que também rendem votos.


PS: registro com tristeza o passamento do meu amigo Dr. Baru. Ele agora está na turma de São Pedro, foi pescar no céu!

* Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública .

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Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.