Falta projeto e sobra individualismo

Por Publicado em:04/10/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 196

Estamos a um ano das próximas eleições municipais e se desenha um quadro de desesperança no horizonte itaunense. Por enquanto surgiram alguns nomes e nenhum projeto para a cidade. Tanto nas pré-candidaturas à Prefeitura quanto para a Câmara. Como sempre, os partidos políticos estão “na moita”, para surgirem após o Carnaval com suas chapas a serem completadas por aquele pessoal destinado a fazer número, já que os nomes que os interessa já estarão definidos. É assim mesmo que funciona: eles decidem quem serão os verdadeiros candidatos, que terão apoios dos caciques das siglas, os acordos que farão visando cargos futuros e, depois, saem atrás de nomes (principalmente de mulheres) para completar as chapas e cumprir com a legislação. 

Para a disputa aos cargos de prefeito e vice, algumas pessoas já se colocam na pré-disputa. Uma boa parte delas está atrás apenas de uma vaga de vice, em composição com quem tem “mais bala na agulha”. Os grupos já se movimentam nos bastidores, organizando os próximos passos para validar os nomes que já têm preparados e estudar as possibilidades que melhor atendam aos interesses da turma. Isso mesmo, até aqui e mais para a frente, incluindo aí o período eleitoral, o que vai falar mais alto são os interesses pessoais e de grupo e a cidade entrará apenas como parte do processo. É preciso ter um prefeito, um vice e os dezessete vereadores, então “vamos lá”. Como afirma o título, não há projetos para a cidade. 

Quando falo em projeto, lembro que Pará de Minas (que ultrapassou Itaúna em população), tem experimentado crescimento que vem atrás de projetos como o de transformar aquele município em polo regional da área de segurança empresarial. Isso mesmo, lá existe um projeto caminhando neste sentido. Nova Serrana, outro município que experimenta crescimento vertiginoso, trabalha pelo fortalecimento do polo calçadista. Cajuru se desenvolve como polo moveleiro. Itaúna patina, já que a indústria da tecelagem retraiu, assim como a siderúrgica. 

O Prodescom (Programa de Desenvolvimento Sustentável do Centro-Oeste Mineiro), movimento criado em Itaúna no passado, foi entregue ao domínio de empresários divinopolitanos e hoje está desativado. Na área empresarial itaunense o mesmo grupo de mantém no comando das entidades há muitos anos e nada de novo surge no horizonte. Assim, resta esperar quem será o “menos pior” para assumir o comando da cidade, caso haja mudança e não se mantenha o atual mandatário. 

Enquanto isso a cidade que poderia explorar uma de suas especialidades que é a reciclagem– dezenas de pequenos negócios e centenas de famílias vivem da reciclagem no município – ou buscar novas vocações, como a indústria da beleza, por exemplo (tem uma série de empresas atuando no seguimento: moda esportiva, alimentos fitness, academias...), continua marcando passo. Temos um público feminino em sua maioria, com baixa formação educacional (Itaúna ostenta título de Cidade Educativa, apesar de a universidade não interagir com a comunidade como acontece em outras cidades ditas universitárias), a ser trabalhado. Com as facilidades atuais, não é difícil encontrar as informações que possam contribuir para a construção de um projeto para a cidade. Mas esse não deve ser o interesse da maioria dos que querem um mandato e os benefícios que ele pode gerar para si e seus amigos, infelizmente...


* Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública .

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Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.