Oposição de fachada?

Por Publicado em:21/11/2020 | Atualizado em:29/11/-0001 65

O jogador Garrincha, após ouvir a preleção do técnico, falando o que cada jogador deveria fazer, perguntou: “Vocês já combinaram com o João?”, que era como ele se referia aos jogadores adversários. A partida de futebol tem 11 jogadores de cada lado, são 11 contra 11 e não adianta programar o que fazer com os “nossos” 11 se não soubermos o que os 11 “deles” podem fazer em campo. Assim também é na política. É preciso entender que não basta aos caciques tramar nos bastidores, organizar as chapas e achar que o cidadão deve ir lá e votar e que os correligionários têm que apoiar, simplesmente. Principalmente se o candidato é imposto, “tirado do colete”, como dizem no jargão político. E o resultado das urnas em Itaúna demonstra a rejeição do cidadão-eleitor às armações de bastidores, à oposição de fachada. Entre o original e o xerox, preferem o original...
Foram seis candidaturas, legítimas todas elas, mas é necessário fazer alguns apontamentos: o prefeito, que se reelegeu, era candidato natural à reeleição. Fez o “dever de casa” e com isso ganhou mais um mandato, mesmo enfrentando forte rejeição, apontada pelas manifestações dos cidadãos no dia a dia. E muito do sucesso nas urnas se deve ao fato de o grupo de “oposição”, que tinha o ex-prefeito Osmando como liderança, ter deixado de existir a poucos meses do pleito. Por um lado, Osmando não assumiu a responsabilidade de líder, ficando “de fora” da disputa, e por outro, pessoas que até poucos meses eram “unha e carne” com o prefeito, aprovando tudo que ele mandava para a Câmara, tentaram se posicionar como oposicionistas, talvez até porque não obtiveram espaço junto ao prefeito que, dizem, já estava cansado de tanto satisfazer as vontades de alguns.
A chapa encabeçada pelo Márcio Pinto, o Hakuna, não era de oposição real. Ele sempre esteve do lado do prefeito reeleito e há alguns meses “mudou de lado”, aproveitou da fraqueza do grupo que, sem ter Osmando, esperou que Tõezinho assumisse. Foi quando esse grupo estava órfão que Hakuna quis assumir o papel que não era dele, pelo menos neste pleito. Deu o esperado: rachou a turma osmandista. E agora não adianta querer se colocar como vítima, dizer que precisava que “todos” se unissem em torno da candidatura de oposição, propondo uma pesquisa para apontar o cabeça-de-chapa. Como disse no início, “não combinaram com o João”, propuseram uma oposição de fachada.
Quem fez oposição ao prefeito reeleito, nos quase 4 anos deste mandato, foi a Otacília – abandonada pelos caciques do ex-grupo, contando com apenas alguns companheiros de longa batalha, dos quais faço parte –; a Márcia Cristina, que foi candidata e reeleita à Câmara; e o Tõezinho, que abriu mão de se candidatar. Então não me venham com essa roupagem de oposicionista de última hora, que não cola, não é digna de credibilidade. Nos últimos quatros anos, Hakuna passou mais de 3 apoiando e aprovando tudo que o prefeito queria. E indicando ocupantes de cargos comissionados, como o gerente de Trânsito – conforme disse o próprio prefeito reeleito. E se não bastasse isso, membros do ex-grupo osmandista dormiram achando que Tõezinho era o candidato e acordaram com Hakuna em seu lugar, indicado pelos presidentes de algumas siglas, se muito. Cadê o exercício da democracia? Política não se faz com candidato tirado do bolso do colete, resultado de acordos de eleições anteriores com algumas pessoas, e depois tentar impor a candidatura goela abaixo de quem passa os anos dando sustentação a uma proposta de grupo.
Final da história: Marcinho não perdeu, pois com os votos que teve vai ocupar cargo com bom salário no próximo ano. Ficam as graves denúncias apenas, como a que o próprio Hakuna fez na terça-feira, 17, de que tem candidato que fez campanha milionária – deveria falar o nome e apresentar as provas ou é tudo jogo de cena? Seria Caixa 2? E, ainda, a denúncia feita pelo Emanuel Ribeiro de que a esposa de Hakuna é funcionária fantasma da Assembleia. Deu nome, sobrenome, endereço onde ela realmente trabalha e o cargo pelo qual ela recebe. Está fácil para o Ministério Público Eleitoral investigar, até porque foi denúncia pública, que circulou nas redes sociais. No mais, parabéns aos eleitos.

Avalie este item
(0 votos)

Compartilhe esta notícia

Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.


Warning: preg_match(): Unknown modifier '/' in /home/storage/d/52/6b/folhapovoitauna1/public_html/plugins/system/cache/cache.php on line 217