Criada em laboratório chinês?

Por Publicado em:21/05/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 119

18 cientistas respeitadíssimos suspeitam que Covid19  tenha vindo de laboratório de virologia da cidade de Wuhan

Saber a origem do covid19 é importante para nos prevenirmos de outro desastre como o que estamos vivendo. E também para apressarmos a solução deste. Ainda não existem evidências diretas que provam o local de origem desta tragédia. Foram publicados argumentos de quem defende sua aparição vinda diretamente da natureza. Mas há indicativos científicos de que a criação desta pandemia tenha vindo do laboratório de virologia da cidade chinesa de Wuhan. No último dia 13 de maio, quinta-feira, uma das mais respeitadas publicações científicas do mundo, a Revista Science, trouxe o artigo dos estudiosos (https://science.sciencemag.org/content/372/6543/694.1). Com a ajuda dos estudos científicos do americano Nicholas Wade, vamos aos pontos que chamam a atenção nesta história e o porquê de muitos tentarem colar a fama de teoria de conspiração nela.
Logo após o início da pandemia, no dia 19 de fevereiro de 2020, o executivo Peter Daszak – diretor da empresa Ecohealth Alliance se apressou em escrever na Revista Lancet que: “Estamos juntos para condenar veementemente as teorias da conspiração, sugerindo que COVID-19 não tem uma origem na natureza”. Na sequência, Kristiang Anderson, Scripps Research Institute, publicou na também repeitada Revista Nature um artigo em que ele argumentava o mesmo. O executivo dizia que não há “marcas” de manipulação no covid19 e que as espículas dele (aquelas pontinhas em torno da esfera) não se encaixavam perfeitamente na proteína humana que faz a doença “pegar” em nossa gente. Ele também dizia que nenhum dos materiais genéticos mais conhecidos como insumo para o processo de produção artificial havia sido identificado no novo coronavírus. Esta semana, entretanto, algumas informações chamativas começaram a se popularizar.
O laboratório de virologia da cidade chinesa de Wuhan tem a missão de transformar vírus que atigem animais em organismos que podem causar doença em humanos. Segundo Nicholas Wade, “por 20 anos, principalmente longe da atenção do público, eles jogaram um jogo perigoso. Em seus laboratórios, eles rotineiramente criaram vírus mais perigosos do que os existentes na natureza. Eles argumentaram que poderiam fazer isso com segurança e que, ao se adiantarem à natureza, poderiam prever e prevenir “transbordamentos” naturais, o cruzamento de vírus de um animal hospedeiro para pessoas. Se o SARS2 tivesse de fato escapado de tal experimento de laboratório, um golpe violento poderia ser esperado, e a tempestade de indignação pública afetaria virologistas em todos os lugares, não apenas na China”. “Isso destruiria o edifício científico de cima a baixo”, disse o editor da MIT Technology Review, Antonio Regalado, em março de 2020. Para se ter uma ideia, este tipo de trabalho já recriou o vírus da gripe de 1918, mostrou como o quase extinto vírus da poliomielite pode ser sintetizado a partir de sua sequência de DNA e introduziu um gene da varíola em um vírus relacionado. Em Wuhan, na China, Os virologistas começaram a estudar os coronavírus dos morcegos depois que eles se revelaram a fonte das epidemias de SARS1 e MERS. Em particular, os pesquisadores queriam entender quais mudanças precisavam ocorrer nas proteínas de espículas do vírus do morcego antes que ele pudesse infectar as pessoas. Pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan, liderado pela maior especialista da China em vírus de morcego, Shi Zheng-li, montaram expedições frequentes às cavernas infestadas de morcegos de Yunnan, no sul da China, e coletaram cerca de cem coronavírus diferentes de morcegos.
Dentre as diversas publicações científicas que alertaram para o perigo de estes experimentos vazarem de dentro do complexo de segurança do laboratório e contaminarem a população, surgiram os registros públicos de financiamento das pesquisas da doutora especialista em morcego, Dra. Shi Zheng-li. O senhor Peter Daszak, aquele primeiro executivo que prematuramente veio a público afirmar algo até hoje incomprovável, subcontratou a pesquisa da Dra. Shin por meio de uma verba que lhe foi concedida pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), parte do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América (NIH).
Mas, para além do caminho do dinheiro, alguns argumentos científicos colocam em xeque a teoria de o vírus ter passado diretamente da natureza para o homem. O primeiro é o local de origem do primeiro surto: ele ocorreu na cidade de Wuhan, onde fica o laboratório de virologia, e não em Yunnan – 1.500 km mais ao sul, onde ficam as cavernas que abrigam o morcego do vírus. Segundo: O covid19 é um vírus que apareceu pela primeira vez pronto e acabado na capacidade de se “anexar” ao organismo humano. Ele nunca havia sido visto antes em estágios de transição entre sua capacidade de se “anexar” ao morcego, a um outro animal intermediário e, por fim ao ser humano. Para efeito de comparação, o coronavírus da doença Sars, de 2002, depois de passar dos morcegos para o animal intermediário (um tipo de gato), teve seis outras mudanças em sua proteína de espícula antes de se tornar uma doença moderadamente preocupante nas pessoas. Depois de mais 14 alterações, o vírus se adaptou muito melhor aos humanos e, só depois de mais quatro, a epidemia de 2002 disparou.
Na próxima semana, continuamos daqui, para darmos ao amigo leitor ainda mais detalhes da suspeita sobre a criação do covid19 em laboratório.

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Rafael Corradi

Rafael Corradi Nogueira, filho de Itaúna, é cientista político pela UnB. Há 13 anos trabalha como executivo de Relações Governamentais e Institucionais nos Estados Unidos e no Brasil. E como analista político. Apaixonado pela língua, tem especialização em Língua Portuguesa e Certificado em Inglês Avançado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido.