Criado em laboratório chinês? Parte 2 - 18 cientistas respeitadíssimos suspeitam que a covid19 tenha vindo do laboratório de virologia da cidade de Wuhan

Por Publicado em:28/05/2021 | Atualizado em:28/05/2021 123

Este artigo precisará ser mais técnico que o normal. É preciso que você, amigo leitor, tenha acesso facilitado ao estudo dos respeitados cientistas que acabaram de publicar na revista científica Science, do último dia 13 de maio. Eles argumentam tecnicamente sobre como o covid19 possa ter sido criado no laboratório de virologia da cidade de Wuhan, na China. Com a ajuda do pesquisador Nicholas Wade e seu mais recente artigo (https://thebulletin.org/2021/05/the-origin-of-covid-did-people-or-nature-open-pandoras-box-at-wuhan/), tentarei fazer o que ele mesmo sugeriu: deixar o mais indolor possível a explicação técnica-científica que nos ajudará a se afastar das intrigas políticas que atacam o tema. Há dois artigos publicados no início de 2020 que recusam veementemente a hipótese do covid19 ter sido fabricado em laboratório. Vamos mostrar as contradições que os cientistas apontaram nestes artigos. São as bases da suspeita da doença ter sido produzida em Wuhan.
Cientistas são reconhecidos por diferenciarem aquilo que sabem daquilo que não sabem. Ou seja, cientista respeitado só afirma algo quando tem como provar. Caso contrário, ele apenas aponta sua suspeita. Quando Peter Daszak publicou o primeiro artigo, em 19 de fevereiro de 2020, e disse que tinha “certeza absoluta” que a criação do vírus era teoria da conspiração, muitos aumentaram a suspeita. Foram descobrir que ele era financiador do laboratório chinês. Um vazamento do vírus mortal seria destrutivo para a reputação dele. O fato escalou ainda mais quando se percebeu que ele era um dos integrantes da comitiva da Organização Mundial de Saúde (OMS) para investigar a origem do vírus e produzir uma conclusão oficial.
Em outro artigo, publicado na revista Nature Medicine, no dia 17/03/2020, o Dr. Kristian G. Andersen usou três argumentos para negar que o novo coronavírus tivesse sido produzido em laboratório. Primeiro, ele disse que não havia marcas, “cicatrizes”, que mostrassem que a estrutura do SARS2, conhecido como covid19, tivesse sido construída artificialmente. Entretanto, ele parece se esquecer que novos métodos conhecidos como “no-see-um”, “seamless” ou “serial passage” fazem o trabalho sem deixar as marcas que as técnicas mais antigas deixavam. Em segundo lugar, ele argumentou que o encaixe do vírus na célula humana não era 100% perfeito, como ele acredita que uma produção artificial faria. Segundo ele, a chave não encaixa na fechadura perfeitamente, ela abre a porta, mas faz isso arranhando, com uma combinação ligeiramente para o lado e outra, meio torta. A nossa chave é uma combinação de proteínas que formam aquelas pontinhas em volta do vírus, elas se chamam espículas. A fechadura é uma proteína da célula humana chamada ACE2. No entanto, mais uma vez o cientista parece se esquecer que experimentos de criação de vírus em laboratório não são feitos com a seleção e o enfileiramento dos pedacinhos das proteínas, como se a gente construísse uma chave colocando uma parte da combinação atrás da outra, já no tamanho e na ordem exata. Segundo nos ensina Wade, o processo acontece ao emendarmos genes de outros vírus na espícula do vírus que temos em mãos, quero dizer: ao agregarmos moldes de outras chaves a uma que já existe. Isso pode ocorrer por meio do método “serial passage”, cada vez que o vírus é transferido para novas culturas de células ou animais, os mais bem-sucedidos são selecionados até que surja um que faça uma ligação realmente forte às células humanas. Não necessariamente cem por cento perfeita. Mas forte o suficiente para infectar. Por fim, o artigo da equipe do Dr. Kristian G. Andersen, traz um terceiro argumento. Ele diz que os moldes, as fôrmas, que precisariam ser usados para fabricar a covid19 não são conhecidos. Explico. Para se produzir um novo vírus, é preciso manipular seu material genético – que se apresenta em uma forma chamada de RNA. O problema é que esta forma é difícil de ser trabalhada. Então, os cientistas colocam este mesmo material genético em uma outra fôrma, conhecida como DNA. Esta outra fôrma é provisória e serve apenas para o momento do trabalho de criação. O nome técnico dela é “DNA Coluna Dorsal (DNA Backbone) ”. Depois, de pronto, eles tiram o bolo da fôrma e servem na travessa mesmo. Quero dizer: eles tiram o material genético da forma de DNA e apresentam o novo vírus com RNA. Citando: “Apenas um certo número dessas estruturas de DNA foi descrito na literatura científica. Qualquer pessoa que manipular o vírus SARS2 “provavelmente” teria usado um desses backbones conhecidos, escreve o grupo Andersen, e como o SARS2 não é derivado de nenhum deles, não foi manipulado em laboratório”. Ainda de acordo com o artigo de Nicholas Wade: “o argumento é visivelmente inconclusivo. Os backbones de DNA são muito fáceis de fazer, então é obviamente possível que o SARS2 tenha sido manipulado usando um backbone de DNA não publicado”.
Semana que vem, voltamos para concluir as descobertas mais recentes publicadas sobre a origem da pandemia da covid19.

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Última modificação em Sexta, 28 Mai 2021 19:53

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Rafael Corradi

Rafael Corradi Nogueira, filho de Itaúna, é cientista político pela UnB. Há 13 anos trabalha como executivo de Relações Governamentais e Institucionais nos Estados Unidos e no Brasil. E como analista político. Apaixonado pela língua, tem especialização em Língua Portuguesa e Certificado em Inglês Avançado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido.