Corpus Christi e a presença física de Deus na Praça da Matriz

Por Publicado em:15/06/2022 | Atualizado em:29/11/-0001 36

Somente nós, católicos, sabemos que o Corpo de Cristo está fisicamente presente na substância daquilo que se parece apenas como uma hóstia de pão, durante a Eucaristia. Nesta semana, preparamos honrosamente um longo tapete para assistir a Deus percorrer literalmente as ruas da Praça da Matriz. A Igreja vivencia no Corpo de Cristo a festa do amor, nos ensina Frei João Paulo Andrade.
O brilhante exegeta Padre Paulo Ricardo nos relembra que um ano antes da Última Ceia, a Sagrada Eucaristia já escandalizava quem escutava sobre ela. Lá no capítulo seis do evangelho de São João, depois de multiplicar os pães e andar sobre as águas, Jesus começou o discurso do Pão da Vida, enquanto ouvintes judeus discutiam sobre “como pode Ele nos dar sua carne a comer?”. Mas Cristo torna a enfatizar que seus dizeres não eram metafóricos, em latim: “Amen, amen dico vobis”. Em português: “ Em verdade, em verdade vos digo”. “Porque minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida (Jo 6:55)”. A humanidade de Cristo, nosso Deus, passará a olhos vistos pela Praça da Matriz de nossa amada Itaúna. Conforme se iniciou quando Deus veio ao auxílio de um sacerdote, no ano de 1264. Abel Camasca nos relembra que, o Pe. Pedro de Praga duvidava sobre a presença real de Cristo na Eucaristia e realizou uma peregrinação a Roma para rogar sobre o túmulo de São Pedro uma graça de fé. Ao regressar, enquanto celebrava a Santa Missa em Bolsena, na cripta de Santa Cristina, a Sagrada Hóstia sangrou, manchando o corporal com o preciosíssimo sangue. A notícia chegou rapidamente ao Papa Urbano IV, que estava muito perto de Orvieto e mandou que o corporal fosse levado até ele. A venerada relíquia foi levada em procissão e diz-se que o Pontífice, ao ver o milagre, ajoelhou-se diante do corporal e, em seguida, o mostrou à população. Mais tarde, o Santo Padre publicou a bula “Transiturus”, com a qual ordenou que fosse celebrada a Solenidade de Corpus Christi em toda a Igreja na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade.

Ainda de acordo com nosso celebrado exegeta, ensinam as Escrituras que Deus está em todas as coisas (cf. Sl 138,5-12; Jr 23,24; At 17,27; Rm 11,26; Ef 4,6; Is 26,12); mas, sendo Ele espírito puro e simples, superior a tudo quanto é ou pode ser, não está presente nas criaturas nem como parte de sua essência, ao modo de matéria ou de forma. “Na Eucaristia”, ensina o Concílio de Trento, “o Corpo de Cristo está sacramentalmente presente segundo um modo de existência que, embora mal o possamos exprimir com palavras, é todavia, possível a Deus, e podemos vislumbrá-la pela inteligência iluminada pela fé e nela devemos crer com firmíssima constância”.
O professor de filosofia da Universidade de Boston, Peter Kreeft, publicou um diálogo intrigante e ilustrativo em que um interlocutor protestante tenta honestamente entender a Verdade da explicação de um católico. Deus agiria em nossos espíritos através da matéria. Mas o fato de “não entender isso” não resulta na conclusão de que “isso não pode ser verdade”, porque se resultasse, teríamos que rejeitar a maior parte dos mistérios da fé cristã, inclusive a própria Encarnação. Cristo não está presente na Eucaristia em razão de termos fé. Ele está lá antes de termos fé. É a nossa fé que vem depois. Não se trata de uma abstração. Abraços e tapas, realidades materiais, agem no espírito de cada pessoa. Algo material, humano, atinge o espírito. E tudo isso é verdade como um fato histórico real. Não como uma teoria. Cristo disse aos Seus Apóstolos para ensinar com a Sua autoridade. Ele lhes disse: “quem vos ouve Me ouve”. E eles ordenaram outros para os suceder e esses foram chamados bispos. Está tudo no Novo Testamento assim como em relatos seculares. É fato, não teoria. E aqueles bispos ordenaram outros bispos e padres, afirmando passar adiante a autoridade de Cristo e dos Apóstolos por essa cadeia de sucessão, pelo sacramento da ordenação. Esse é outro fato histórico. É assim que a autoridade de Cristo é transmitida adiante através da história a nós até hoje, assim como a relação sexual é a continuidade biológica da raça humana e é transmitida adiante através dos séculos. É isto que a Sagrada Tradição é. Nós dependemos dos nossos pais na fé em nossa verdade sobre Cristo, em nossa verdade sobrenatural, exatamente tanto quanto dependemos dos nossos pais na carne para a nossa vida natural. A própria Bíblia teve que ser transmitida através da história. Ela é parte escrita da Sagrada Tradição. Todavia a Bíblia não é nossa ligação imediata a Cristo; a Igreja Católica é. A Igreja é também a ligação entre Cristo e a Bíblia. Jesus não escreveu a Bíblia nem mandou seus Apóstolos ensinarem a Bíblia. Ele os mandou ensinar tudo o que Ele disse e realizou. Ele não lhes deu uma Bíblia; Ele lhes deu uma Igreja. E então, anos mais tarde, a Igreja Católica escreveu a Bíblia, o Novo Testamento. Dado que não pode haver mais no efeito do que na causa, portanto caso se negue a infalibilidade da Igreja, deve-se negar a infalibilidade da Bíblia. Assim, quando aceitamos o que a Bíblia diz, logo deveremos aceitar o que a Igreja Católica – o único Corpo Místico de Cristo – pois ela é o elo entre Cristo e a Bíblia, uma extensão de Sua humanidade. E ademais, porque a Bíblia nos diz que Cristo nos deu a Igreja.
A Eucaristia é uma criação de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Eucaristia, em especial durante a celebração de Corpus Christi, é o Coração de nossa identidade católica, o coração de nossa fé. Temos um dia especialíssimo.

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Rafael Corradi

Rafael Corradi Nogueira, filho de Itaúna, é cientista político pela UnB. Há 13 anos trabalha como executivo de Relações Governamentais e Institucionais nos Estados Unidos e no Brasil. E como analista político. Apaixonado pela língua, tem especialização em Língua Portuguesa e Certificado em Inglês Avançado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido.