Nesval do Bolo: o bobo da corte na prefeitura de Itaúna

Por Publicado em:21/11/2020 | Atualizado em:29/11/-0001 102

Nesval do Bolo é o bobo da corte na Prefeitura de Itaúna. Foi candidato a vereador e recebe um salário de R$ 7.035,45, pago com o seu dinheiro de cidadão itaunense encaminhado aos impostos. O nome oficial do cargo que ele ocupa é “assessor de gabinete”. Mas como figura pública, ele é o verdadeiro bobo da corte. A enciclopédia eletrônica ‘Significados’ é que nos ensina: “considerado cômico e muitas vezes desagradável, por apontar de forma grotesca os vícios e as características da sociedade. (...) Além de fazer rir (...), sua figura era caracterizada pelo exagero, sendo o excesso uma de suas principais características, tanto nos gestos, nas palavras, como na vestimenta”. A figura de Nesval do Bolo aponta para traços que preferimos não dar atenção, na nossa pequena sociedade de Itaúna. Ele faz parte de um governo liderado pelo experiente e sério Dr. Neider Moreira - político preparado, com anos de aprendizado no papel de gestor público. Mas, como assessor, o homem público conhecido como Nesval do Bolo passa a impressão de ter duas responsabilidades apenas: puxar o saco do chefe e criar força política por meio da seleção personalíssima de currículos para cargos comissionados, a fim de que consiga apoio eleitoral em alguma eleição para vereador. Sua eleição não se realizou, seu despreparo para aceitar críticas naturais feitas a qualquer figura política se mostra evidente e sua eficiência como funcionário pago com o dinheiro do contribuinte agora precisa ser questionada.
Um secretário de governo da Prefeitura de Itaúna recebe R$ 9.072,44, segundo o portal da transparência do município. Eles são o primeiro escalão. A linha de frente do time comandado pelo prefeito. São pessoas com a necessidade de um bom entendimento técnico das áreas que cuidam. Alguns possuem anos de prática em suas áreas e são respeitados por profissionais que o cercam. Nesval do Bolo tem quase o mesmo salário que eles. E ganha mais que o dobro que um gerente municipal de R$ 3.122,12 recebe. Mas não está no primeiro escalão, tampouco participa das importantes reuniões de secretariado. Em vez de respeito, ele coleciona fileiras de desafetos dentro da Prefeitura. Gente que normalmente tem mais experiência profissional que ele, mais estudo especializado em alguma área de gestão pública. Outros funcionários de longa prática na instituição têm receio do acesso que Nesval possui aos ouvidos do chefe. Exatamente como os bobos da corte. Eram quem entretinham a realeza, por meio de suas palhaçadas e suas puxações de saco. Mas a literatura, na belíssima obra Rei Lear, de William Shakespeare, também nos mostra o lado potencialmente nobre disso. O bufão pode aproveitar sua autorização de entreter o Rei, em momentos de proximidade pessoal, para dispensar conselhos francos, que sejam capazes de levar o chefe a refletir sobre suas próprias contradições. O bobo da corte pode, assim, se tornar um símbolo de bom senso e honestidade. Talvez isso seja suficiente para justificar um alto salário pago ao cargo político que o controverso personagem ocupa.
A presença de Nesval do Bolo, na antessala do gabinete de nosso prefeito, é enigmática. A função de secretariar o líder do município está à cargo das duas atenciosas secretárias-executivas que muito profissionalmente nos atendem na sala ao lado. E a administração, junto ao repasse de ordens, emanados do gabinete, são responsabilidade do Chefe de Gabinete Walter. Se considerarmos a nobre descrição shakespeariana de Bobo da Corte, entretanto, Nesval do Bolo pode ser o grande conselheiro que tem orientado nosso Prefeito Neider Moreira. Seria intrigante. Mas, neste caso, o salário que pagamos ao cara do bolo estaria justificado.

ESCLARECIMENTO

A título de esclarecimento respeitoso, ao prezado leitor, respondo aqui a um questionamento que me fizeram recentemente. Não recebo nenhum dinheiro, nem pago nenhum valor para escrever neste espaço. Fazemos isso como convidado, de opinião independente do editor deste jornal – a quem cumprimento por sempre respeitar e proteger integralmente a publicação de minha visão de mundo. Seja ela convergente ou divergente da que ele possui.

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Rafael Corradi

Rafael Corradi Nogueira, filho de Itaúna, é cientista político pela UnB. Há 13 anos trabalha como executivo de Relações Governamentais e Institucionais nos Estados Unidos e no Brasil. E como analista político. Apaixonado pela língua, tem especialização em Língua Portuguesa e Certificado em Inglês Avançado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido.


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