Vencedora do fic 2019 - “Música em uma arena democrática de diálogo”

Por Publicado em:20/12/2019 | Atualizado em:20/12/2019 1086

“E eu fiquei do lado. Parada, calada. Vendo o malandro apanhar. Malandro, cuidado, acabou seu reinado (...) E vê se para com essa coisa de bater em mulher. Ó, e aqui em casa você não pisa mais, viu, malandro?!”. Desde os primeiros acordes, a música vencedora do Festival Itaunense da Canção - FIC 2019, “Malandro”, levantou a plateia, primeiro pelo ritmo animado do samba e execução agradável aos ouvidos e depois pela letra significativa, que traz a versão da mulher que escreve e vive o samba, “que faz da musicalidade terreno fértil com ousadia, coragem, expressividade e contra as violências praticadas contra mulheres e meninas”, como aponta a autora, Thaiz Cantasini.

Thaiz chegou a Itaúna em setembro deste ano, vinda de Ouro Preto. Ela é mestre em Processos e Poéticas da Cena Contemporânea pela UFOP, além de atriz, artista educadora, cantora, compositora e performer. Ex-integrante do Coletivo Minas da Voz, já atuou como produtora do Sonora – Ciclo Internacional de Compositora na Região dos Inconfidentes em Ouro Preto, lugar em que estudou e morou desde 2006.

Junto com os músicos convidados para a apresentação no FIC, Noca Tourino (violão), Saulo Campos (saxofone), Victrão (surdo) e Davi (pandeiro), subiu ao palco para levar um tema considerado difícil, mas que afeta a todos. Sobre o processo de criação da canção, Thaiz explica que a música surgiu de fatos do cotidiano.

“Eu sou dona da minha caneta, eu quero escrever um samba, um samba de breque. E eu também sou malandra, num é? Tô aí na ginga. Então essa música surgiu neste contexto de observação de mundo, tanto em Ouro Preto, quanto espacial, quanto relacional, as situações que eu presenciei”, afirma.

Em relação ao festival, Thaiz destaca a importância do evento para os artistas. E chama a atenção para a escolha da música que cada um escuta, que tem ligação com o contexto de vida individual e social. “Toda música que você escuta é autoral, mas que tipo de autoral que a gente vai ouvir? A gente vai eleger um fator, social ou por identificação, por mil e uma circunstâncias, para se gostar de tal tipo de autoral. Eu acho que o festival traz para mim é uma satisfação por perceber minha música em uma arena democrática de diálogo e de divulgação, propagação. Acabei de chegar na cidade então senti que foi um estímulo tão forte para que eu continue fazendo música. Tanto eu como outras mulheres, que às vezes param por mil circunstâncias. Acho positivo isso, até porque abre portas, estamos aqui para isso”, finaliza.

Última modificação em Sexta, 20 Dezembro 2019 17:20

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