Sucesso e muitas reclamações

Por Publicado em:05/01/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 157
Na tarde de ontem o desmonte da estrutura ainda era feito, e o clube continuava interditado Na tarde de ontem o desmonte da estrutura ainda era feito, e o clube continuava interditado

Sócios criticam e afirmam que vão cobrar devolução de mensalidades na Justiça

O Réveillon no Tropical foi um sucesso, conforme os participantes e constatação da reportagem da FOLHA que esteve representada no evento. Shows, buffet, fogos, bebidas, serviços, enfim, toda a estrutura da festa esteve à altura do badalado evento, que mais uma vez esteve a cargo da Roinc Produtora. Conforme as informações colhidas, a festa foi mais um sucesso em termos de realização e produção. Porém, como no ano passado, gerou uma série de reclamações de sócios do clube e deve gerar ação judicial de associados, cobrando a devolução dos valores pagos em mensalidades no mês de dezembro.

Desde o meio do mês de dezembro que a reportagem começou a receber reclamações de sócios, apontando os problemas e declarando insatisfação com a maneira como estava sendo preparada a festa. Na última semana do mês as reclamações foram intensificadas e centenas de posts chegaram aos nossos canais de contato, demonstrando o tamanho do problema que a festa – revestida de grande sucesso, reafirmamos – está causando à Diretoria do clube.
Os questionamentos se referem à interdição parcial do clube, que se estende desde o dia 5 de dezembro, e, finalmente, a interdição total, que durou de 31/12 a 03/01. Porém, outros fatores incomodam os reclamantes, como “o tratamento dispensado aos sócios, verdadeiros proprietários do clube, que só se prejudicaram, enquanto a Diretoria pode ter se beneficiado com ‘agrados’ recebidos, como as 10 mesas gratuitas a que tiveram direito”, afirmou um dos insatisfeitos. As reclamações têm chegado à redação acompanhadas de pedidos para não identificar os reclamantes, porém, a reportagem apurou que uma interpelação extrajudicial será apresentada pelos advogados José Hailton e Gabriel, representando associados, e também deverá ser pedida na Justiça a devolução dos valores pagos pelos sócios nas mensalidades referentes ao mês de dezembro.

Conforme apurado, caso a diretoria seja sentenciada a devolver estes valores, o prejuízo pode alcançar a cifra de R$ 220 mil, bem mais que os R$ 40 mil recebidos pelo arrendamento do clube para a Roinc Produtora realizar o evento, conforme as informações não oficiais. Também esse fato está sendo questionado por alguns associados, já que o aluguel do salão de eventos para um associado gira em torno de R$15 mil – conforme informações dos reclamantes – e o aluguel de toda a estrutura, com interdição total do Tropical, por 5 dias, custou R$ 40 mil.

Explicações da diretoria

Em editorial veiculado na página do Tropical no mês de novembro, a diretora explica os motivos para a realização da festa em parceria com a Roinc Produtora, afirmando que “o intuito (...) foi alterar o formato da festa para oferecer mais e melhores opções de conteúdo (musical, de estrutura e organização). Os últimos anos mostravam que se nada de diferente e novo fosse feito, o Réveillon do Tropical acabaria por falta de público e devido ao crescente déficit financeiro”. Mais adiante, esclarece que “a Diretoria não tem como intervir na grade de artistas, estrutura montada, opções de bebidas e alimentação, etc, de acordo com o contrato assinado com a produtora. É de responsabilidade da Roinc Produtora a infraestrutura, segurança, divulgação e toda a organização. A remuneração do clube será através da participação da bilheteria do evento, sendo que há um valor mínimo definido em contrato a ser pago pela produtora pela locação do espaço”.

E conclui informando também que “os sócios tiveram a exclusividade de compra de ingressos antecipada em uma semana; limite de mesa por cota e pessoa para não privilegiar nenhum associado; maior desconto no ingresso para sócios do clube (de 11,2% para 16,7% em relação ao Réveillon de 2017/2018)”, concluindo com informações acerca da necessidade de interdição e sobre horário de funcionamento do clube.

Outras informações

Segundo dados não oficiais, foram negociadas 260 mesas para a festa ao custo de R$ 1.400 cada (possibilitando faturamento de R$ 364 mil). Dez mesas foram cedidas gratuitamente à Diretoria (os reclamantes questionam o porquê de não sortear essas mesas dentre os sócios). Na interpelação extrajudicial que será apresentada à diretoria do Tropical, o questionamento principal é com relação ao desrespeito ao parágrafo 3º do artigo 6º do estatuto do clube, que afirma: “A Diretoria poderá firmar convênios, ceder, alugar e/ou arrendar o espaço, bem como os objetos que nele guarnecem, podendo estes serem alienados; ou explorar quaisquer atividades lícitas, que não prejudique o seu funcionamento, revertendo o resultado financeiro decorrente desses atos para os fins orçamentários próprios”.

Entendem os reclamantes que a interdição total, por 5 dias, do clube e interdição parcial da área das piscinas, por 20 dias, prejudicou demasiadamente o funcionamento do Tropical, em detrimento os direitos dos sócios e por isso cobram a devolução das mensalidades. A direção do Tropical ainda não fez qualquer pronunciamento público sobre as reclamações, nem mesmo por meio dos canais de comunicação do clube.

Uma reunião entre diretoria e insatisfeitos aconteceu na manhã do dia 27 de dezembro quando, por cerca de duas horas, o assunto foi debatido, sem a ocorrência de um acordo que pusesse diminuir o descontentamento. A reportagem teve acesso também a reclamações de sócios, feitas diretamente ao clube, criticando a postura da Diretoria e cobrando providências.

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