Folha Entrevista - Emanuel Ribeiro, candidato a prefeito

Por Publicado em:17/10/2020 | Atualizado em:16/10/2020 102

Dando sequência às entrevistas com os candidatos a prefeito de Itaúna nas eleições deste ano, a FOLHA ouviu o candidato pelo Republicanos, Emanuel Ribeiro, que disputa com o número 10 e seu partido não está coligado. As perguntas são sobre os mesmos temas para os 6 candidatos e as entrevistas seguem ordem alfabética do nome dos candidatos.

FOLHA – Quais são suas principais propostas para a área da educação?

Emanuel Ribeiro – O meu plano de governo trata da educação da seguinte forma: o nosso foco principal é na educação da primeira infância. Hoje nós temos problemas sérios com creches... E por que não tem vagas suficientes? Porque grande parte dos recursos é aplicado em pagamento de salários de cargos de indicação política e isso onera o orçamento da Prefeitura em quase 70%. Reduzindo esse gasto, vamos ter recursos para implantar mais creches. Em segundo lugar, queremos transformar o método da educação, na rede municipal, com a implantação da proposta colocada pelo ministro Waintraub, em 2019, que é o método fônico. Vamos tentar implantar o método fônico, na educação municipal, logo de início. É um trabalho que demanda tempo e vamos aplicando durante o mandato, até porque quem já está no ano letivo não tem como mudar. E vamos enfrentar certa resistência, pois os professores que estão na rede municipal praticam o método “paulofreiriano”, vamos colocar assim, então vai haver uma resistência. O método fônico seria o ideal para a alfabetização, hoje, pois o método Paulo Freire, já se comprovou, produz uma mentalização de esquerda, né. Também vamos investir nas escolas municipais: reformas, telhado, tudo com critério técnico de engenharia, porque hoje se faz meio que artesanal. Uma vez acompanhei uma rede social de um certo senhor e eles estavam pintando a quadra de uma escola sem reformar ela antes. Então, estavam literalmente pintando mato. Isso é jogar dinheiro fora. Só querem é embelezar a parte estética. Então, o principal é desinchar a máquina (pública) porque a Prefeitura tem dinheiro, mas ele está sem mal gasto, hoje. Está indo para a área de pagamento de pessoal e não para a área principal que é a saúde e a educação, por exemplo. A gente pretende economizar mais, utilizar pessoas técnicas com salário menor, e assim fazer sobrar dinheiro para a área da saúde, da educação e onde é mais necessário, gerindo bem esses recursos...

FOLHA – Na área da saúde, quais são suas principais propostas para Itaúna?

Emanuel Ribeiro – Sim, nosso plano de governo, (na área da saúde) ele foi feito por três pessoas técnicas da área. Um deles é pessoa de destaque na área da saúde no Estado. Ele é formado em engenharia da saúde. Ele entende da parte administrativa da saúde. A outra pessoa é uma mulher, que trabalha em um posto de saúde e é vista como uma das melhores funcionárias deste local. E o meu secretário de Engenharia, o Carlos Silva, é pós-graduado também em engenharia da saúde. Pelo que as pessoas viram nossas propostas e são da área da saúde, posso garantir que meu plano de governo para a saúde é a melhor proposta para a área da saúde dos últimos 15 anos em Itaúna. São coisas muito simples, até, veja bem: ontem (quarta-feira, 14) eu passei na Farmácia Popular e tinha 22 pessoas na fila. Por que na Farmácia Popular tem fila de 22 pessoas, se todas as farmácias particulares entregam em casa? Por que a Prefeitura não pode ter uma parceria com uma empresa de mototáxi pra entregar esses remédios nas casas das pessoas? Hoje o sistema é muito burocrático. A pessoa que está lá na Várzea, por exemplo, tem que pegar a receita no posto de saúde, ir lá no “Dr. Ovídio” (secretaria de Saúde), pegar um carimbo e depois ir à Farmácia Popular. Por que não pode ser um “QR Code” (código digitalizado) para facilitar as coisas? Isso é coisa simples, então é falta de gestão. A gente tem umas ideais tecnológicas, sou formado em ciência da computação, para resolver mais rápido, simples e barato. Tem jeito pra tudo, o que falta é vontade. Não teria necessidade daquela fila lá na Farmácia Popular. Isso é uma das coisas que a gente vê que não funciona e que atrapalha a vida do contribuinte. Outra questão é a gestão do hospital aqui de Itaúna. Eu não posso interferir, porque é uma entidade particular, mas o recurso, uma boa parte dele, vem da Prefeitura. Então a gente pode trabalhar para melhorar essa gestão, inclusive trazendo recursos de fora, fazendo parcerias público-privadas, pois o meu governo é todo baseado em liberdade econômica e geralmente empresário gosta muito disso. Podemos fazer, por exemplo, restituições do Imposto de Renda com aplicação na saúde, não só na área da cultura, é como se fosse uma Lei Rouanet, para a saúde. Outro detalhe: por que o “Dr. Ovídio” não pode ser transformado em uma UPA? Por que todas as ambulâncias têm que sair de um mesmo local? Por que não podemos ter um ponto do Samu, ao lado do Corpo de Bombeiros, por exemplo? Uma ambulância sair lá do Dr. Ovídio, para chegar lá na Várzea da Olaria, por exemplo, demora uma hora ou mais, dependendo do trânsito... Disseram, por exemplo, que naquele acidente da Rua Divinópolis a ambulância demorou mais de meia hora. Me disseram, não posso afirmar. Por que essa demora? Uma organização melhor vai dar uma condição melhor de atender mais rápido e melhora também a condição de trabalho do pessoal da saúde. Mas antes disso o maior problema é de aumento de folha de pagamento na Prefeitura. Nos últimos anos está criando esse problema. Muito até por causa daquele “acerto de contas de campanha”, “ah eu te ajudo depois você me ajuda...”. Pretendo acabar com isso de vez, até porque não sou político. Eu não tenho turma, vou fazer é subir o funcionário público que está lá por concurso.

FOLHA – E suas propostas para a área de emprego e renda? Quais são?

Emanuel Ribeiro – Hoje, na Prefeitura, para você tirar um nada consta (da empresa) você tem que ir pelo menos 4 vezes na Prefeitura, geralmente precisa de ir 5 (vezes), é uma burocracia tremenda. Na Prefeitura de Belo Horizonte, hoje, você tem que acessar um site, só isso. Você não precisa ir à Prefeitura. Um alvará em Itaúna, você tira na internet, mas demora. Na Prefeitura de Belo Horizonte, tira na hora. Estou citando a Prefeitura de Belo Horizonte porque lá foi implantado um sistema do Governo federal, que está disponível para todas as prefeituras, de graça. Permite desde uma troca de lâmpada até resolver um problema da sua empresa. Hoje a prefeitura está praticamente empacada. Isso gera atraso para o empresário. Se facilita para o empresário, já é um ganho. Outro detalhe são os terrenos públicos, que não são usados de acordo para trazer empresas novas para a cidade. A liberação de terremos para as empresas sempre gera um envolvimento político. A Prefeitura é que libera os terrenos, então tem uma força para usar critérios que favoreçam a cidade e não com critérios políticos. Nós vamos fiscalizar melhor, pois a cessão de um terreno que a empresa não cumprir com as obrigações em um determinado prazo, vamos retomar esse terreno e passar para outra empresa. Hoje nós temos áreas travadas judicialmente há 10, 12 anos. Nós temos a área do presídio em uma área das mais nobres da Prefeitura. Eu te pergunto, se você vai abrir uma empresa, você abriria ao lado de um presídio? Eu não abriria. O terreno está lá, parado, ninguém quer colocar nada ao lado. Acho que o presídio tinha que ser lá no “lixão”, onde é mais desvalorizado. Não pode construir um presídio em uma das áreas mais nobres da cidade. Vamos implantar o liberalismo nesta questão. Meu plano de governo tem esses detalhamentos, lá. Nós somos liberais na economia. Vamos fazer com que acabem os muitos entraves. Desburocratizar a máquina pública. E temos que saldar as dívidas da prefeitura, mostrando responsabilidade fiscal, para fazer o enxugamento da máquina. Quando você dá uma perspectiva de organização e de melhorar a gestão na cidade, tem uma melhora no salário médio do cidadão, isso é natural. Então você promove uma circulação de renda na cidade que beneficia a todos. Outra coisa é o fato de algumas cidades em volta serem referência (citou Nova Serrana nos calçados, Pará de Minas com a avicultura etc.). Itaúna já foi, em ensino, mas e agora? Itaúna é residência de donos de mineradora... queremos fazer Itaúna ser um polo, de novo, mesmo que seja diversificado. E o principal meio de conseguir isso é enxugar a máquina e dar segurança ao empresariado.

FOLHA – Vamos falar agora de infraestrutura urbana. Como você vê essa área em Itaúna?

Emanuel Ribeiro – É ridícula essa área em Itaúna. Eu tenho um vídeo no meu Facebook em que o Carlos Silva, meu secretário para essa área, ensina a fazer bueiros lá na Sudecap (órgão estadual). Hoje, nós temos esse problema de asfalto, né (em Itaúna). A administração ficou perfeitamente comparável a um salão de beleza: enfeita tudo, mas sai com água! (risos) Então, quando começar a chover e esse asfalto começar a descascar, nós vamos ter problema é jurídico, porque colocou-se uma “tinta asfáltica” na cidade e com um detalhe fundamental: teve um vereador que tentou aprovar uma lei há um tempo atrás que quando você colocar asfalto tem que desenterrar o que está antigo, e corrigir os problemas técnicos na tubulação de água e de esgoto. Não se fez isso, então já tem rua em que o asfalto está, mas já está todo picotado porque o problema de baixo, que é o que não aparece, que não dá voto, está surgindo. Daqui um ano, o asfalto onde se gastou milhões vai estar todo picotado. Porque não faz o serviço de base primeiro. Trânsito em Itaúna está uma calamidade. Andar na Praça hoje está complicado, o rotativo todo errado no seu funcionamento... Dá pra fazer, com menos dinheiro do que se gasta. O Ministério da Infraestrutura, hoje, não recebeu aportes, ele teve redução no orçamento e está fazendo muita coisa. Então, dá pra fazer, repito, pois ele (ministro da Infraestrutura) está fazendo coisas hoje que ninguém conseguiu fazer, por quê? Porque é só conseguir gerir o recurso que você tem. Infraestrutura não é caro, caro é retrabalho porque não fez direito. Quase tudo que está sendo feito pela Prefeitura está tendo retrabalho. Cito como exemplo aquilo ali, no entorno da pracinha do Aeroporto, que foi refeito três vezes, na Rua Zé Cavaquinho. Agora colocaram lá, parece, um asfalto que parece ser de qualidade, mas eu garanto que ainda vai dar problema, porque a obra de drenagem feita ali não foi bem feita. Faz bem feito, que mexe uma vez só. Faz uma compactação bem feita, com norma, com critério. Equipamento, a Prefeitura tem, mão de obra é até boa, mas esse problema de gestão acaba gastando muito dinheiro e tendo pouco resultado. Por exemplo, pintaram umas sucatas de banco em uma pracinha na zona rural, isso é jogar dinheiro fora. E outra coisa é que estão fazendo igual na época do PT, que pintava tudo de vermelho, agora estão pintando as coisas com as cores do partido deles, isso é gastar dinheiro público de maneira errada. Dizem até que já está no Ministério Público... Na infraestrutura dá pra fazer e com pouco recurso, desde que faça direito.

FOLHA – Concluindo, o que você espera, caso seja eleito, em relação à pós-pandemia ou mesmo ainda com a pandemia. O que fazer?

Emanuel Ribeiro – Essa questão da pandemia é complicada. Meu pai está com 79 anos, está com medo, pela primeira vez. Está lá na fazenda, em Sete Lagoas, ele, que é um super-herói pra mim, com medo dessa pandemia. É a primeira vez que vejo isso. Itaúna está enfrentando um quadro de classificação vermelha, mas estão forçando-a para amarelo. A questão da pandemia é o seguinte: ela ocorre no mundo inteiro e a gente vê que aqui também ela atinge um patamar de zero alguma coisa (da população total). É lógico que, sem relevar a pandemia, mas o que se faz hoje é um alarmismo. Eu acho até bom para que a pessoa veja que o vírus é problemático, é fatal... mas atrasou-se nesse alarmismo a questão econômica. Pelo menos o governo federal deu um jeito, esses R$ 600 fez o cimento passar de 17 para 25 (reais), fez as telhas de zinco dobrar de preço, estrutura metálica não tem mais, não tá tendo, fui olhar o preço de uma geladeira e me disseram, olha não tem mais pra entregar, só em janeiro... o que é um sinal de que a economia está indo bem. Só que a (em) nível municipal, o que acontece, a gestão não é tão boa, e isso onera o município e fica parecendo que o município está arrastando. Minha principal proposta, até para dar um ânimo no cidadão itaunense, para que ele tenha mais confiança para voltar ao seu trabalho, colocar os filhos na escola de novo, usar o transporte público, sem medo da pandemia, é ter o foco nos problemas estruturais e políticos da Prefeitura. Começar a trabalhar da forma correta, enxugando a máquina, vai dar para mostrar ao cidadão itaunense que vai dar para fazer as coisas com o mesmo recurso e de forma melhor. Fazer muito mais coisas com o mesmo recurso ou até com menos, porque o que se faz hoje tá de forma errada. Dá para o cidadão ter uma expectativa melhor para sair dessa pandemia com esperança, mas acredito que com políticos vai ser impossível. Mas é preciso agir para o cidadão sair dessa pandemia com perspectiva de futuro.

Última modificação em Sexta, 16 Outubro 2020 14:24

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