Manifestação - Catadores e ambientalistas protestam contra a incineração

Por Publicado em:23/07/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 168

Na quarta-feira, 21, catadores de materiais recicláveis e ambientalistas fizeram manifestação no centro de Belo Horizonte em protesto contra a possibilidade de instalação de incineradores no Estado para geração de combustíveis a partir do lixo doméstico. Conforme os manifestantes, “estão utilizando dinheiro conseguido em compensação à tragédia de Brumadinho para gerar mais mortes, já que querem envenenar o ar dos mineiros”. Com a participação de catadores e defensores do meio ambiente de Itaúna e da região, a manifestação reuniu centenas de pessoas, que portaram cartazes e faixas e gritaram palavras de ordem, pedindo para que seja alterado o edital lançado pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Governo de Minas.
Em maio, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles participou de solenidade com o governador do Estado, com apoio de políticos como o senador Carlos Viana e vários deputados, em que anunciou o investimento de cerca de R$ 100 milhões de recursos do acordo com a Vale para investimento no combate ao fim dos lixões. Esse dinheiro é proveniente da compensação que a Vale deve pagar aos mineiros por ter provocado a tragédia que matou centenas de pessoas com o rompimento da sua barragem, em Brumadinho. Porém, conforme apontam os ambientalistas e catadores, a proposta do ministro e do governador, com apoio do senador e de deputados, é permitir a instalação de incineradores no Estado.
A lei 18.031, de 2009, que proibia a instalação de incineradores em Minas Gerais, foi alterada com a publicação de decreto 48.107/2020, do governador Romeu Zema, em dezembro passado, foi acrescentado o parágrafo que permite a instalação de incineradores para geração de combustível a partir do lixo, em Minas Gerais. O decreto do governador é visto por ambientalistas como uma “preparação de terreno para acabar com a reciclagem no Estado”. Eles apontam o edital lançado pelo governo federal como “caminho para colocar as indústrias no mercado da reciclagem, com dinheiro público, em detrimento dos catadores”.
Madalena Duarte, itaunense que é liderança nacional dos catadores de material reciclável, participou da manifestação e convoca a população itaunense para apoiar essa luta: “Itaúna está à frente em questão de reciclagem em todo o País. Temos coleta seletiva há 20 anos. Com a instalação de incineradores, toda essa conquista será prejudicada”, disse ela. Enquanto no mundo os incineradores estão sendo abolidos, pois causam sérios problemas à saúde das pessoas, em Minas Gerais estão liberando sua instalação e, pior, com dinheiro público, conquistado a partir do que deveria ser a compensação por uma tragédia ambiental, que, da maneira como está se colocando, vai permitir a criação de novas tragédias, envenenando o ar, o solo, as águas de Minas, como denunciam os ambientalistas.

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