Virou uma bagunça!

Por Publicado em:15/12/2018 | Atualizado em:01/03/2019 72
O cidadão Emanuel Barbosa usou a tribuna popular, falou verdades e deixou os vereadores com a “saia justa”. Uma vergonha O cidadão Emanuel Barbosa usou a tribuna popular, falou verdades e deixou os vereadores com a “saia justa”. Uma vergonha

Vídeos, áudios e muita baixaria, marcaram a semana política em Itaúna, jogando os detentores de mandato em uma vala comum

O problema vem sendo construído a muitas mãos já há algum tempo. Itaúna, nos últimos anos, tem sentido o peso da falta de representatividade com os políticos detentores de mandato cada vez mais atuando apenas na resolução de seus interesses pessoais e individuais. O problema é comum ao País inteiro, mas aqui as coisas vinham tomando um rumo ainda pior, na opinião da maioria dos formadores de opinião da cidade, que acompanham a cena política mais de perto. E o clímax desse estado de coisas foi atingido nesta semana com a exposição de vídeos e áudios nas redes sociais que demonstram como as coisas acontecem nos bastidores do mundo político itaunense. Compra de votos é apenas uma das muitas denúncias que podem ser tiradas deste episódio, eivado de máculas, para se usar o termo jurídico-policial que a questão merece.

O início da explosão da crise aconteceu no dia 19 de novembro, quando se tentou eleger a Mesa Diretora da Câmara. Em decisão contestada e anulada pela Justiça, uma chapa foi considerada eleita com menos votos que a chapa derrotada, impugnada – de forma indevida, conforme sentença liminar da Justiça – pelo presidente da Câmara. Nova eleição foi marcada para o dia 11, terça-feira. Porém, antes do pleito começou a circular nas redes sociais um vídeo-áudio, com acusações de compra de votos, com acusações contra a chapa formada pelas vereadoras Gláucia, Otacília e Márcia e suposto envolvimento de membros do governo municipal.

A polícia foi acionada (PC e PF, segundo informações chegadas à reportagem), o vereador Iago (Pranchana) ficou a tarde toda prestando depoimento em Divinópolis na terça-feira, 11, e o clima esquentou na reunião ordinária, acontecida no mesmo dia, com vereadores quase trocando tapas. Na cidade surgiram vídeos, áudios e muitas manifestações de cidadãos criticando as ações dos vereadores. Na reunião ordinária o cidadão Emanuel Barbosa da Silva fez um desabafo em nome de um grupo, mas que tem sido abonado por uma grande massa de pessoas nas redes sociais.

Sobre a nova eleição, o presidente da Câmara. Márcio Gonçalves Pinto (Hakuna) disse à FOLHA que não tem ainda uma data definida, devido à gravidade dos áudios divulgados e do fato de três vereadores “que votam no processo estarem citados”. O Regimento Interno da Câmara, no seu artigo 65, parágrafo 6º, estabelece prazo de 5 dias úteis para a realização de reunião extraordinária que seja convocada por um mínimo de um terço dos vereadores. Na terça-feira, 11, foi lido na reunião ofício assinado por 9 vereadores, pedindo a convocação de extraordinária para tratar da eleição. Contados os 5 dias úteis dá exatamente na terça-feira, 18. Caso a reunião não seja convocada pelo presidente, os requerentes podem fazê-lo, conforme expressa o parágrafo 7º do mesmo artigo do Regimento Interno.

Pulando fora?

Após a repercussão extremamente negativa de todo esse episódio, alguns vereadores falam em “abandonar a vida política”. Uma dessas falas virou chacota, com o vídeo mostrando a fala “viralizando” na cidade. Lacimar, nervoso, ao comentar o episódio, disse na reunião da Câmara que os maiores prejudicados seriam os próprios vereadores e que a população não estava nem aí para os edis. Para constatar o que dizia, afirmou que a transmissão no Youtube (que é feita semanalmente) teria “no máximo 6 pessoas assistindo, hoje porque é polêmica, tem umas 20 pessoas”, e completou “se tiver mais eu entrego o meu mandato”.

A vereadora Otacília, em seguida, pediu que se constatasse a audiência da transmissão. Havia 63 pessoas assistindo. Com a resposta, ela cobrou de Lacimar (Três) que entregasse seu mandato. Muitos risos ecoaram. Lacimar compõem a chapa de Hudson, no cargo de secretário. Da Lua, que é secretário da atual Mesa e disputa na chapa de Hudson o cargo de vice-presidente, afirmou também em plenário que “nos últimos dias pensei, e tenho pensado, em renunciar (ao mandato)”.

Já o vereador Pranchana, autor da gravação com a proposta de Lequinho, afirmou em manifestação no Facebook, quando respondia algumas críticas, que “...nunca mais me candidato nem a síndico de prédio aqui”. Deixou uma dúvida, já que pode se candidatar em outra cidade, pelo visto. Recentemente ele disse, durante manifestação em reunião da Câmara, que não quis disputar a eleição de deputado estadual neste ano, mas que futuramente deverá fazê-lo. O nome dele foi registrado como candidato pelo Avante, porém, ele não teria feito campanha, conforme disse. Iago Souza responde a processo de cassação e as informações são de que sua situação é instável e há risco de perda de mandato.

 

Última modificação em Sexta, 01 Março 2019 15:03

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