A inutilidade dos partidos favorece a incompetência dos políticos

Por Publicado em:23/08/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 2841

Estamos a pouco mais de um ano das próximas eleições municipais e não se vê vida político-partidária na cidade. Além das discussões estéreis sobre direita X esquerda, quando são citadas algumas siglas, não se ouve mais nada sobre as várias dezenas de partidos formalizados junto à Justiça Eleitoral e com a informação de que têm estrutura montada em Itaúna. Na verdade existem alguns “donos” de siglas, que as utilizam para definir quem vai se candidatar e até quem pode se eleger a cada eleição. Assim, quando chegar o momento, vão correr atrás de filiações de “candidatos” que vão servir para fazer número suficiente para dar condições aos partidos de disputar as eleições e eleger seus escolhidos. Aí aparecem os partidos, por 90 dias, agora por menos tempo e, depois, hibernam até o próximo pleito.
Paralelamente, quem tem mandato vai fazendo o jogo junto aos “donos” dos partidos ou mesmo na função desses, já que muitos titulares de mandatos também são os mandachuvas partidários. E isso favorece a que os políticos que estão com mandato sejam reeleitos, já que aparecem mais na mídia, além de poderem fazer aqueles atendimentos de praxe: uma consulta, um pedido de troca de lâmpada, uma moção de aplausos, um tapa buraco... E o eleitor brasileiro vota, em sua maioria, não pelo que pode fazer de bom o eleito, mas pelo que esse eleito pode fazer para ele, eleitor, pessoalmente.
Passadas as eleições, empossados os eleitos, estes vão cuidar de seus interesses e os eleitores voltam a criticá-los, como se isso importasse. Para tudo se repetir daí a algum tempo. Realmente, a inutilidade dos partidos continuará favorecendo os políticos incompetentes. O dia que existirem partidos que sejam realmente agremiações partidárias para o exercício da política, aí as coisas podem mudar. Até lá, é fácil até mesmo arriscar o palpite de quem será eleito no próximo pleito. Os donos do jogo político preferem que assim permaneça e os eleitores não se atentam a isso... é assim.


* Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública .

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Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.