Políticos distantes do povo

Por Publicado em:27/09/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 768

Parece lugar comum, mas é uma verdade que se acentua a cada dia. Por mais que o político necessite estar próximo do povo, do cidadão-eleitor, no dia a dia eles se distanciam cada vez mais. Basta dar uma olhada nas manchetes para ver que eles vivem em “outra realidade”, como se fosse um espaço virtual aonde os problemas não chegam. Nos últimos dias os deputados aprovaram o afrouxamento na lei que permite aos partidos gastar o dinheiro do fundo partidário com a compra de aviões, helicópteros e até mansões, aliás, como o PROS já fez e foi denunciado recentemente. Deputados como o Domingos Sávio e Paulo Abi-Ackel, bem votados em Itaúna (para falar daqueles com os quais convivi mais próximo nas últimas eleições e até apoiei o primeiro), aprovaram o afrouxamento na lei sem questionamentos, como se fosse a coisa mais normal aceitar que os partidos (leia-se, os donos deles) gastem dinheiro público com aquisição de jatinhos, mansões... Já o governo federal encaminhou – como já falamos aqui – proposta de liberar 2,5 bilhões de reais no próximo ano para pagar as eleições municipais, ao mesmo tempo em que corta recursos para manter bolsas de estudos em projetos científicos de suma importância para a humanidade, como o estudo em busca de solução para doenças. É muita distância da realidade.

E nas cidades a coisa não é diferente. E o distanciamento é aumentado com a ação de alguns assessores. Outro dia o vereador Marcinho Hakuna falou na Câmara sobre o fato de “alguns técnicos atuarem como políticos”, criticando a ação de alguns assessores da atual administração que, assim entendemos, possa ter se encaminhado para o lado politiqueiro e não político do serviço público. Realmente, concordo com o vereador quando ele critica a politicagem praticada por técnicos que ocupam, às vezes, cargos em que se consideram os donos, todo-poderosos, acima do bem e do mal. Talvez pelo fato de não serem técnicos em excelência, arvoram-se os donos da verdade e lascam a politicagem boba, distante da realidade em seus atos impensados, ou mal pensados. Entendo, ao contrário do vereador, que o técnico tem, sim, que ter uma visão política para definir seus atos para que não faça coisas que mais geram problemas que apresentam soluções para o serviço público, ao qual prestam serviço. Concordo com o vereador, mudando a definição: nada de politicagem, por favor.

Dito isso, comento sobre as muitas e tantas reclamações na cidade, nos últimos dias, em relação ao estacionamento rotativo. Claro que há reclamação excessiva em algumas falas, pois o rotativo soluciona uma série de problemas graves no trânsito urbano. É claro e fácil de ser notado que muita gente usava mal as vagas de estacionamento no Centro, porque eram gratuitas e, assim, achavam que só eles tinham direito de ocupá-las. Tem uma denúncia, não confirmada, por exemplo, de vendedor de carros que estacionava dez ou mais veículos todos os dias nessas vagas, para expô-los à venda, mesmo dispondo de área própria para fazê-lo. Outras, de pessoas que vinham ao Centro de carro, estacionavam e depois voltavam a pé para sua casas (pois moram próximo) e deixavam o veículo ali o dia todo para caso necessitassem. Mas os problemas com a implantação do serviço existem e são muitos porque determinou-se uma coisa, tecnicamente apenas, sem usar da verdadeira política de buscar informações, de negociar com os envolvidos, de comunicar o que se pretendia, antes de fazê-lo. Casos como a exigência de retirada do veículo após duas horas, fazendo com que a pessoa tenha que ir para outro “setor” do estacionamento poderia ser resolvido com uma taxação digamos, de 10% para a terceira hora, 20% para a quarta hora... Esta poderia ser uma solução. Quem quiser ficar mais tempo, que pague um pouco mais caro.

Também poderiam estipular um prazo para que os talonários em papel (com os quais todos estavam acostumados) fossem usados até que todo mundo se integrasse ao meio digital. Coisa de seis meses... um pouco mais, um pouco menos... Uma campanha de comunicação mais consistente, com outras ações que não sejam só na internet (infelizmente algumas pessoas “dão aula” sobre não necessitar fazer outra coisa a não ser publicar no “Face” ou no “Zap” rsrsrsrs), para esclarecer como seria implantado o serviço. Uma equipe de tira-dúvidas (contratassem meia dúzia de moças para ficar nos pontos de mais acesso, explicando como seria, por uns 15, 20 dias...). Enfim, ouvissem as pessoas, conversassem com elas, escutassem as reclamações e não dessem palavras ríspidas como resposta, que apresentassem soluções. Às vezes o outro tem uma solução simples para um problema que criamos. Essa é uma máxima que o profissional “técnico em excelência”, sabe-tudo, precisa ter sempre à mão para não se complicar. Ter humildade de entender que “ninguém sabe tudo sobre coisa alguma” e que sempre é necessário ouvir o outro. Isso é a política que o técnico do serviço público precisa praticar.

É preciso acabar com esse distanciamento que existe entre o político e o cidadão-eleitor. Tanto o político como seus assessores precisam estar mais próximos das pessoas, vivenciar a comunidade que gerenciam. Não adianta muitos anos de banco de escola ou de teoria executiva se não se vivenciar os problemas na prática. Não se consegue limpar a casa se não se enxerga onde está a sujeira.


Em tempo: fiquei sabendo de um verdadeiro absurdo, que se confirmado mostra o tamanho deste distanciamento do ator do serviço público para com o público a ser atendido. Me disseram que os assessores da Câmara teriam uma credencial que lhes permite estacionar em frente ao prédio do Legislativo sem pagar por isso. Que seja só boato, pois o fato de ser “assessor”, ou mesmo o detentor de mandato, não dá direito a privilégio. Assim como escrever “imprensa” no veículo particular não garante o direito a gratuidade no estacionamento. Isso é a abominável “carteirada”, muitas vezes praticada por quem condena a corrupção, dando mostras de extrema ação corruptiva. Tomara que seja engano...

 

* Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública .

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Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.