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Pior é que não é brincadeira...

Por Publicado em:31/10/2019 | Atualizado em:29/11/-0001 379

Vejo, leio, escuto algumas coisas que me parecem ser brincadeira, mas não, são realidade, triste realidade, que nos levam a desacreditar cada dia mais nos homens e mulheres que assumem cargos de comando, que deveriam exigir deles um pouco mais de seriedade. O presidente deste país “grande e bobo”, relembrando um colunista dos tempos idos, “dá piti”, como dizia minha avó pra designar ataque histérico, toda vez que falam no Queiroz e no laranjal do seu partido. Os petistas não abandonam o slogan “Lula Livre”, que enche mais que a caneta azul. E os seguidores desses dois grupos (petistas e bolsominions) emburrecem o nosso dia a dia com as manifestações idiotizadas a cada momento.

Mas se não bastasse isso, têm as coisas que só nos cantões acontecem e, com tantas coisas sem sentido por aí, passam despercebidas de nós outros, ou quase passam. Na semana passada li um texto de uma decretação de “ponto facultativo” na Câmara de Itaúna, a partir do meio dia da sexta-feira – isso mesmo, o pessoal ficou por conta do erário até a manhã de terça-feira, nada menos do que 84 horas de folga... – devido ao “bom desempenho e o número excessivo de serviços prestados pelos servidores da Câmara Municipal de Itaúna no decorrer de 2019”... Aí, aquele gozador inveterado me perguntou: “Se fosse na empresa privada, seria assim?”. Como já comentei aqui em edições passadas, as ações dos homens (e mulheres) públicos estão longe da realidade dos cidadãos comuns.

Mas as coisas estranhas não ficam só na esfera pública. Nesta semana a empresa que administra a MG-050 e cobra de um veículo simples R$ 6,20 por praça de pedágio está realizando algumas obras ao longo da rodovia. É bom lembrar que essas obras, paliativas, estão atrasadas, já deveriam ter sido realizadas há alguns anos. Dentre essas ações está uma reforma na ponte próxima à Intercast, em Santanense. Para controlar o tráfego no local, estão utilizando o sistema pare-e-siga. Só que não avisaram a ninguém sobre os transtornos, apesar de terem enviado vários releases à imprensa nos últimos dias informando ações “sociais” da empresa. Talvez seja para que nenhum político assuma a paternidade da obra rsrsrs. O pior é que o sistema adotado é no mínimo esquisito, para não dizer falta de respeito para com o usuário. Param por 15 minutos o fluxo em um sentido, e aguardam até passar esse tempo, mesmo que no sentido contrário não esteja passando veículo algum (presenciei isso na quarta à noite e na manhã de quinta-feira). Com isso, causa engarrafamento de alguns quilômetros. No sentido Divinópolis, chega até quase no trevo da Silva Jardim, e no sentido contrário, o engarrafamento alcança a entrada de Vista Alegre. E fica por isso mesmo, porque a cidade carece de representatividade política.

Outra “brincadeira” com coisa séria têm sido os anúncios sobre a obra da ponte nos Lopes, que a Prefeitura está realizando. Todo mundo quer ser o “pai da criança”, como dizem no jargão futebolístico. Assim, cada pedra colocada no local gera um caminhão de mensagens no WhatsApp, com os políticos – vereadores, deputados e assessores – informando o passo a passo dos serviços. Na última semana foram montados os tubos Armco – um cano grande, de metal – e recebi nada menos do que 150 fotografias, ou mais, do trajeto dos tubos, saindo do canteiro de obras da prefeitura até o local onde começaram a ser instalados. Não tive outra ação a não ser rir muito. Gostaria de ter menos motivos como estes para tantas gargalhadas, mas não tratam a coisa pública com seriedade, não tem jeito.

E para concluir, até aqui, porque o jornal não me dá área a ser preenchida infinita, ouvi parte do depoimento do dublê de ator e deputado, Alexandre Frota, na comissão das fake news no Congresso, quando ele bateu boca com o dublê de filhinho do papai e deputado, Eduardo Bolsonaro. O filhinho do papai chamou o outro de ator pornô promíscuo e o Frota rebateu dizendo que Eduardo “gosta muito desses filmes”. E para terminar, recebi uma mensagem do PSDB, partido ao qual sou filiado e ao qual tenho feito as mais duras críticas pelo seu distanciamento do cidadão comum, o popular “povo”, em que é feita a seguinte pergunta: “Os mais ricos devem pagar mensalidades em universidades públicas?”. Repondo: quem vai ter a régua para medir quem são os mais ricos, cara pálida? Ora, como partido político, o PSDB deveria cobrar que os mais ricos pagassem mais impostos, não? Aí, sim, seria uma discussão em que caberia um posicionamento mais claro de um partido que tem uma das maiores bancadas no Congresso. E o assunto sério? – poderiam perguntar. Não tem, não conseguimos encontrar. O jeito é rezar e torcer para que este período passe rápido, pois acredito que a história se faz por ciclos e, se Deus quiser, este ciclo está se encerrando. Oremos!


* Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública .

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Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.