É hora de Itaúna ter um plano pós-COVID19

Por Publicado em:22/05/2020 | Atualizado em:29/11/-0001 80

O Prefeito Neider Moreira faria bem em consolidar um planejamento detalhado pós-COVID19. Isso o ajudará a ver com mais clareza as soluções para o presente ainda nebuloso. Os números epidemiológicos em Itaúna devem ser a referência das ações do governo municipal, mais do que o medo que ecoa da tragédia avançada em outras partes do país. A cautela de nosso mandatário itaunense em reabrir o comércio da cidade completamente pode ter sido um divisor de águas positivo. Até agora. O STF endossou isso nesta última semana. O momento, entretanto, pede mais do que cautela: precisamos de um plano minucioso.

Estado mais complexo do país, São Paulo convocou um time de estrelas da economia nacional para fazer um diagnóstico de sua realidade e se preparar para os próximos passos. Alexandre Schwartzman, Eduardo Haddad e Pérsio Arida, por exemplo, foram chamados para pensar a melhor forma de abrir os negócios. Guardadas as devidas proporções, eles são boa inspiração. É hora de Itaúna começar a gastar mais energia matutando sobre a governança da solução, do que na do gabinete de justificativas das medidas de crise.
Lá, nas terras paulistas, os especialistas em economia, amparados pelos dados epidemiológicos providos pela Saúde do Estado, escutaram 150 entidades e 250 empresas. O plano todo terá quatro fases e priorizará setores de acordo com a vulnerabilidade econômica e empregatícia. Dos 67 setores econômicos, 15 foram apontados como os mais críticos. Vale aqui o registro de alguns, como: serviço doméstico; organizações associativas e outros serviços pessoais (academia e beleza); atividades artísticas, criativas, eventos e espetáculos (economia criativa); comércio; alojamento e hotelaria; alimentação, bares e restaurantes; educação pública.

Itaúna ainda está no início desta jornada mórbida causada pelo vírus. Se formos esperar, de portas fechadas, para que a população se autoimunize, as Barrancas do Rio São João entrarão em colapso generalizado. Usemos como base a teoria de que 50% da população imunizada seria o necessário para nos engajarmos na distensão das medidas de isolamento. Nossa cidade tem sido reconhecida por uma curva epidemiológica mais gentil do que a dos municípios vizinhos. Somos praticamente uma ilha de esperança, no meio de um mar de contaminação. Temos apenas seis casos, embora notícias alarmistas insistam em dizer que a doença “explodiu”. Possuímos 0,0065% de nossa gente infectada. Divinópolis, duas vezes maior que nós, tem 0,069% (atente-se para um dígito zero a menos) de sua população doente, com 141 casos. Pará de Minas; 0,018%, com 17 casos. E a “grande” infectada Itatiaiuçu tem 0,08% de sua população com 8 casos confirmados. Ou seja, mesmo supondo que estas porcentagens tenham sua dobra em poucos dias, ainda contaremos muitos meses até que estes dígitos com várias casas decimais abaixo de zero cheguem a cinquenta por cento. Nosso líder municipal precisa colocar em prática um plano desde já. Algo responsável, mas que certamente demandará ousadia.

Nesta última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal jogou ainda mais responsabilidade nos ombros de gestores públicos que nos guiam em meio a esta crise. Se antes nosso prefeito Neider Moreira já estava caminhando com cautela, agora isso deve recrudescer. O que torna um planejamento estratégico minucioso ainda mais premente. A nossa Corte mais alta reavaliou a Medida Provisória 966, de 13/05/2020, editada por Bolsonaro com a intenção de afrouxar os padrões de observância da correição de agentes públicos em decisões que envolvem, por exemplo, a liberação de grana para ações na pandemia. Com exceção do que o Presidente subjetivamente chamou de “erros grosseiros”. Foi aí que o STF entrou para definir que estes erros são todas as “medidas que contrariam critérios científicos e técnicos”.

É hora de Itaúna ter um Plano Pós-COVID19. Uma bússola traçada por mãos de economistas, gestores da Saúde e referendada publicamente, sem escusas, pelo mandatário de nossa cidade. Amparados por dados de nossa curva epidemiológica, somos capazes de dar satisfação a toda a população sobre o que vem depois, no segundo semestre. Isso nos ajudará a saber o que podemos fazer agora, sem precisar ficar esperando o que “ocorrerá na próxima semana”, antes de tomar decisões importantes, aguardadas pelos noventa e dois mil moradores do município.

Afinal, é preciso que, em momentos de vulnerabilidades e nervos à flor da pele, protestos que se confundam com atos políticos cedam espaço para contundente busca por atitudes bem planejadas e tecnicamente embasadas na realidade do município. A crise que vive o comércio, bares e restaurantes de Itaúna é causada pela pandemia deste novo coronavírus. Não pelas medidas de isolamento social decretadas pela Prefeitura, se elas são feitas dentro de um planejamento coerente com a realidade da cidade. Empregadas domésticas, por exemplo, não foram proibidas em seus ofícios. Mas, são na cidade, uma das categorias que, por escolha de muitos patrões, mais amargam o efeito da diminuição de demanda por seus serviços. Elas merecem saber o que esperar da Prefeitura nos próximos meses.

Avalie este item
(0 votos)

Compartilhe esta notícia


Warning: preg_match(): Unknown modifier '/' in /home/storage/d/52/6b/folhapovoitauna1/public_html/plugins/system/cache/cache.php on line 217