Onde estão nossas lideranças?

Por Publicado em:09/04/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 201

Nos momentos de crise é que se descobre as lideranças de um povo. E estamos vivenciando uma crise sanitária, que se acumula com vários outros aspectos que não valem a pena destacar aqui, desde o mês de março de 2020, portanto há mais de 12 meses. Neste período ocorreu uma eleição municipal, em que a população escolheu 17 vereadores (vários deles reeleitos) e o prefeito e vice. Já tínhamos deputados bem votados aqui e que se arvoram representantes da nossa população. Vários outros que, a despeito de não se elegerem, se apresentaram como candidatos a lideranças dos itaunenses, mas o que temos visto é a ausência quase total deste personagem durante este período de crise que, como dissemos, se arrasta por mais de 12 meses, já.

Não há uma proposta factível, real, de tentativa de organização da sociedade para o enfrentamento da crise que tenha partido desses “líderes” que detêm mandatos às custas dos votos da população de Itaúna, principalmente. Medidas tímidas têm sido tomadas por quem deveria, mesmo assim sempre à espera de uma determinação que venha de cima, dos âmbitos estadual e/ou federal. Mas nada que se possa chamar de iniciativa das nossas autoridades públicas para o enfrentamento do problema. E enquanto isso Itaúna apresenta números assustadores e que não são comparados com municípios do mesmo porte que o nosso, talvez para não demonstrar o completo fracasso e falta de iniciativas das nossas “lideranças”.
Itaúna já registrava, no dia em que redigimos essas linhas, 116 mortes causadas pela Covid-19. Mais de 7 mil contaminados pela doença. Temos vivenciado CTI com lotação acima da capacidade instalada por dias e mais dias. E quais foram as ações coordenadas pelas lideranças da cidade? No campo do Legislativo, ações que mais atendem a classes determinadas, como pedidos de inclusão em “atividades essenciais” de algumas categorias, e lamentos. Houve algumas propostas de redução de multas, pedidos de informação, mas tudo muito mais voltado ao campo político-partidário do que proposição de medidas de alcance mais amplo.
Em relação ao Executivo, vimos a replicação de medidas adotadas nos âmbitos dos governos estadual e federal. O comitê de enfrentamento foi formado e tem funcionado, a despeito da falta de informações mais transparentes à imprensa, havemos de reconhecer. O prefeito tem se mantido coerente em sua postura em relação às medidas necessárias ao combate ao coronavírus, mas para por aí. Não tem extensão em seus inúmeros assessores. Uma tímida campanha de arrecadação de gêneros alimentícios pelo setor de assistência social e algumas tentativas de debate público da situação, por meio de lives da comunicação. E só.
Não existe uma campanha de comunicação além da internet, como se as redes sociais bastassem para um público tão heterogêneo como é o de uma cidade inteira. Nem uma iniciativa de esclarecimento à população, seja do que é o vírus, de como ele ataca as pessoas e o que é necessário para evitá-lo, que tenha chegado aos bairros, à periferia, pelo menos. Vive-se uma realidade nas redes sociais como se todos lá estivessem, esquecendo-se de que existe vida fora da internet.
Houveram ações, sim, mas lideradas pelos empresários, tendo à frente o presidente da CDL, Maurício Nazaré. No início da pandemia eles se reuniram, levantaram recursos financeiros, planejaram atuação, junto com a direção do Hospital e montaram uma estrutura com leitos de UTI, respiradores, montando um local denominado “Ala Covid”, no Hospital Manoel Gonçalves, que é a que funciona até hoje. E agora, no pior momento da pandemia foi esse mesmo Maurício Nazaré que foi à Câmara cobrar medidas, que ligou para o prefeito e se reuniu com ele, que “encheu o saco” do governador e das autoridades locais até que saísse a habilitação de mais 10 leitos de UTI. E aqui é necessário explicar que esses leitos, físicos, já existiam, montados pelo Hospital, com apoio dos empresários, e estavam atendendo a pessoas em situação grave. Tanto é que, ao serem habilitados, no mesmo dia já estavam lotados. Isso porque as pessoas já estavam lá, sendo tratadas e a habilitação nada mais é do que passar a pagar pelo serviço que estava sendo prestado e não estava sendo pago.
Aí o porque da pergunta no título: onde estão as nossas lideranças? Ou líder em Itaúna é só o Maurício Nazaré? Cadê os 17 vereadores, ajudando a planejar, cobrando onde for preciso, reivindicando participação no comitê de enfrentamento, como representantes do povo, que deveriam ser? Cadê os deputados “de Itaúna”? Cadê os partidos políticos, que parece só existirem quando interessa a seus donos? Cadê a oposição, que só existe em período pré-eleitoral? A pandemia está aí, tirando vidas. Será que liderar é estar ausente quando as pessoas precisam, para se eximir de culpa? Não, liderar é estar junto quando os liderados precisam...

* Jornalista profissional, especialista em comunicação pública.

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Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.