Dá uma vontade de xingar o Aécio...

Por Publicado em:21/05/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 71

Comecemos lembrando a derrota do tucano Aécio para a petista Dilma, em 2014. Ali tiveram início os nossos problemas atuais, pois o tucano, inconformado com a derrota, prometeu não deixar a petista governar. Se ela tinha capacidade para isso ou não, é outro caso. Mas a divisão do País em três partes começou ali. Por que três partes? Ora, porque passou a existir “a esquerda”, “a direita” e “nós outros” (rsrsrsrs). E explico por que falo que passou a existir: porque no Brasil ainda não existe um conceito ideológico formado, até pela novata democracia que passou a experimentar existência para as gerações viventes somente após a eleição indireta de Tancredo Neves (avô do tucano que não conseguiu vencer a eleição direta, diga-se). Voltando à atitude aecista de não aceitar a derrota (deveria ter honrado o avô, que diziam ser defensor da democracia, apesar de ter disputado eleição indireta, mas esse é outro tema a se debruçar noutra hora), criou-se aí um lado “a favor” e outro “contra”, e nós no meio desta pendenga. Tanto fez o tucano e sua trupe que tiraram a Dilma, que, apesar de sabermos da existência de desmandos do petê, não foi por isso que ela caiu, pois não provaram nada contra ela, ainda. Foi a chave para quem detestava o petê criar “a direita” (que não existia) e os concorrentes se autodenominarem “esquerda” (que apregoa o “socialismo mais ou menos”, já que baluartes desta proposta só querem dividir com os pobres o que não lhes pertence, a eles, baluartes).
Dito isto, “direita” e “esquerda” passaram a existir e surgiu o capitão, que por pouco não foi defenestrado do Exército por prática afeita a “esquerdistas” (ou não são os comunistas que ameaçam estourar bombas se seus desejos não são atendidos, isto conforme a ótica “direitista” atual?). Ele se elegeu e reelegeu e também a seus filhos fazendo tipo engraçado, falando bobagem, contando piada homofóbica, racista, criticando as mulheres... fez tipo por mais de 20 anos no Congresso, elegeu os filhos que ninguém conhecia e continuava a não conhecer e, inteligente que é (pelo menos para se manter no poder), viu a onda das redes sociais e a new right tomando corpo. Aí deve ter pensado: vou surfar nesta onda! Preparou um discurso bem trabalhado pelos seus assessores - lembram do Collor? –, porque o povão vai na esteira da onda do momento, e passou a defender o “combate à corrupção”. Claro, manteve o estilo grotesco, afinal, por aí está cheio de homofóbido, racista, preconceituoso de toda espécie querendo ser representado. E ganhou a eleição (quanto à questão da corrupção, ficou só no discurso, apesar de aquele mequetrefe dizer que acabou a corrupção no País. Precisava dizer isso, kkkkk).
Resultado: a inflação está nas alturas. Um pouco puxada pela pandemia, mas em maior parte, tenham certeza, por falta de planejamento e não só em nível federal, pois governos estaduais, municipais, legislativos nos três níveis e até o outro poder têm culpa nisto. E muita culpa, diga-se de passagem. Além da inflação, a violência campeia a passos mais largos até mais do que antes, pois agora tem concorrentes na atenção popular e o pau pode quebrar a torto e a direito. Saúde saiu do foco não é porque deixou de existir problema, é porque estão focando na questão da Covid e falta de vacina, já que este é o problema mais grave do momento. E assim não sobram espaços para discutir transporte, educação, segurança pública, lazer, corrupção que corre à larga (viu, mequetrefe? Kkkkk) etc.
E vamos caminhando em meio à bagunça. Falta vacina e o digníssimo “representante” propõe aumentar mais categorias do público prioritário (ora, prioritários somos todos nós, todos eles, se preferirem). Aí uma cidade decreta lockdown (só de lojistas, já que o Brasil criou o “fecha tudo, porém nem tudo”, pois havemos de abrir exceções aos lobbyes mais fortes, né?) e a outra cidade, vizinha, faz o contrário. Não existe liderança, quanto mais planejamento. E continuamos na questão do tapa-buracos: falta vacina, inclui aí a categoria dos doceiros no público prioritário, porque a família do deputado “x” fabrica doces... fecha o comércio, aí o vereador “y” propõe manter aberto as lojas de ferragem, porque o negócio da família dele é ferro... e vamos que vamos.
Enquanto isso, nas esquinas da vida, aqueles que não têm e nem sabem o que fazer debatem sobre o que o pessoal da “esquerda” fez de errado, enquanto a outra turma lembra que “a direita” defende a tomada do poder pelos militares, coisa de comunista kkkkkk. Dá uma vontade de xingar o Aécio...

* Jornalista profissional, especialista em comunicação pública e marketing político

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Sérgio Cunha

Sérgio Cunha é jornalista profissional, pós-graduado em Gestão em Processo de Produção Gráfica, especialista em Marketing Político e Comunicação Pública e mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental.