MOBILIDADE: uma qualidade diferencial

Por Publicado em:28/05/2021 | Atualizado em:29/11/-0001 55

Ainda nem chegamos a julho e já acho que uma das frases do ano será “... vai fazer uma terapia!!!” Os ânimos estão exaltados em quase todas as relações. Ninguém “aguenta mais!!!” e haja balde pra ser chutado.
Todos sabem da importância de socializar, mas em geral isso acontece na cidade. Ah, nos sítios também? Para o filósofo Henri Lefebvre, a diferença entre rural e urbano é decrescente. Para ele, tudo é urbano, o que significa que interagimos o tempo todo, querendo ou não. Em tempos de pandemia, isso complica tudo.
A cidade é a maior das invenções da humanidade. É nela que estão as melhores chances de uma vida boa, de topar com a pessoa dos sonhos, de fazer novos amigos e de mudar as nossas vidas. Isto sem falar na disponibilidade de bens e serviços, de assistência e alimentação.
As cidades fomentam as relações e as trocas. Aqui, as pessoas aprendem umas com as outras, alimentando um turbilhão criativo interminável.
Como urbanista, não acredito em soluções duradouras para essa encrenca, que não incluam o aprimoramento das cidades. Não é que o urbanismo vai resolver os problemas gerados pela pandemia, mas se a nossa casa estiver desarrumada, se for um lugar qualquer, sem qualidades, seus efeitos serão realimentados e mais intensos.
Arrumar a casa tem a ver com obras e com planejamento, pois a cidade é um organismo complexo, que precisa de cuidados em muitas frentes. Parece óbvio, mas não é o que acontece no nosso município, que não tem um setor de planejamento e funciona ao sabor das verbas que chegam.
Como a pauta é errática, Itaúna eterniza problemas, como o da mobilidade, uma questão central para qualquer cidade no mundo contemporâneo que nem está no nosso radar.
A regularização das calçadas é crucial nesse tema. Ela interessa a todos nós e não só a PNE’s, velhos, carrinhos de bebês, crianças... Sua falta estraga a caminhada e o caminhar. Não mata, mas aleija.
A lei que proíbe a criação de obstáculos nas calçadas é
ignorada e então temos que disputar o espaço da rua com os carros: será tão difícil assim melhorar a situação? Gastamos milhões em asfalto e ZERO com os pedestres: é justo? Essa conta precisa ser feita, sem paixões.
Também no tópico mobilidade, temos o nó do transporte coletivo. Soluções para ele estão sendo estudadas em todo o planeta, pois esse problema é global e será especialmente duro no mundo que vamos compartilhar com o vírus corona.
Como resposta à questão, os nossos vereadores foram impelidos a dar soluções, mas podem acabar induzindo medidas localizadas e não sistêmicas: a urgência não é boa conselheira quando se trata do urbanismo.
Tomo como exemplo a decisão de implantar um terminal de ônibus, abraçada por eles. A medida, indiscutível até antes da pandemia, agora precisa ser reavaliada. Se confirmada, o seu projeto precisará cumprir novos requisitos construtivos, visando a salubridade, sem improvisações.
Caso a localização seja mesmo no Zé Flávio, o impacto sobre o Centro tradicional deve ser considerado, para que sejam estudadas e previstas compensações ao seu possível esvaziamento: na cidade tudo se entrelaça.
Ao atuar na urgência pode-se falhar no micro e no macro.
No micro, o estado indigno das paradas de ônibus, por todo lado, é um tormento na vida de grande parcela da população, mas não faz parte dos objetivos das conversas atuais. A implantação de um terminal não resolve a questão e pode até agravá-la, pois já se fala na redução do número de paradas, implicando em maior desconforto. No mesmo baú do esquecimento está a qualidade dos veículos.
Já para perceber o macro, os edis precisariam estudar com maior interesse as consequências de um zoneamento que manda os pobres para a periferia, como propõe o Plano Diretor. Mais preocupante: deveriam avaliar com isenção a enorme expansão urbana proposta no Plano Diretor e que tende a desafiar a governabilidade do município no futuro.
Bom, no futuro estaremos todos mortos, diz a piada... uma piada nada engraçada. Certos temas, mesmo que não afetem diretamente a todos, são vitrines da nossa civilidade, falam sobre a nossa cultura e sobre os nossos valores.
Itaúna pode ser melhor e terá que sê-lo se quiser atrair e reter uma população mais qualificada, que contribua na ampliação das habilidades e dos talentos que já possuímos.
Transporte é direito social, constitucional, demanda maior controle pelo poder público, em razão dos conflitos de interesse entre o cidadão e as concessionárias, como estamos vendo bem aqui entre nós.
O aumento do subsídio e a gratuidade do transporte coletivo tem adoção crescente e sua viabilidade pode ser buscada.
Tomo como exemplo a decisão de implantar um terminal de ônibus. A medida, indiscutível até antes da pandemia, agora precisa ser reavaliada, bem como o seu impacto sobre o Centro tradicional, de modo que sejam previstas compensações. Essa conta precisa ser feita, sem paixões.

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Sérgio Machado

Arquiteto e  professor da Faculdade  de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Itaúna.