Funcionamento de farmácia municipal é questionado

A redação recebeu e-mail, em que consta cópia para a Ouvidoria, denunciando atendimento na “farmácia de distribuição de medicamentos” da Policlínica

Funcionamento de farmácia municipal é questionado

A FOLHA recebeu e-mail, na quarta-feira, dia 10 de janeiro, de um cidadão que se identifica como “Cadu xiz” – provavelmente para não sofrer represálias –, em que são feitas denúncias em relação ao funcionamento da farmácia responsável pela distribuição de medicamentos aos portadores de HIV. Além de apontar o fato de o local funcionar apenas nas segundas, terças e sextas-feiras, em horário reduzido, parece existir apenas uma pessoa responsável pelo funcionamento, em uma relação de “quase dono” do setor. Disse o reclamante que, nesta semana, ao procurar por um medicamento de grande importância para seu tratamento, foi informado que o responsável (?) estava viajando e que não haveria atendimento. 

Outro fator apontado pelo reclamante é a falta de um mínimo de sensibilidade ao tratar as pessoas cometidas com HIV, expondo-as à relação preconceituosa, que, se sabe, tem aumentado nos tempos atuais, de muita intolerância. O reclamante, inclusive, talvez por já ter sido vítima de gestos preconceituosos em outras ocasiões, aponta uma maneira mais humana de se tratar a questão e manter um atendimento um pouco menos preconceituoso, como alega. E clama aos responsáveis pelo setor de saúde do município, inclusive ao secretário, para que tenha atenção em relação às questões apontadas. Veja a íntegra da mensagem encaminhada pelo e-mail: 

“De: Cadu xiz ctv2009@ hotmail.com Data: 10 de jan. de 2024 16:16 Assunto: Dr. Ovídio 

Prezados, 

Estou aqui para reclamar contra descaso e falta de respeito com os portadores do HIV em Itaúna. Primeiro, e mais importante, é a falta de funcionário na farmácia para distribuição dos medicamentos. Um absurdo a farmácia funcionar apenas na segunda, terça e sexta-feira e apenas das 7h às 10h30. 

Nesta semana estive lá na terça-feira por volta das 8h e um funcionário me disse que, nesta semana, não teria fornecimento de remédio, porque o responsável pela farmácia estava viajando. Como assim? Além de não funcionar todos os dias, como as outras, só tem um funcionário? E os pacientes, como ficam? Perdi parte do meu (dia de) trabalho para ir lá e não consegui a medicação. Uma medicação de uso contínuo e essencial para o controle do vírus. Falta de respeito total, negligência do responsável pelo setor. 

E outra coisa que me causou espanto é que, na porta de atendimento está escrito ‘IST/ AIDS”. A Aids já é uma doença sexualmente transmissível, NÃO precisa anunciar para todos que as pessoas que ali estão, têm pessoas com Aids. Já é tão estigmatizado, as pessoas que vivem com o HIV. Além disso, não quer dizer que quem têm HIV tem Aids. Acho que seria mais humano deixar apenas INFECTOLOGIA/DST’s, é menos preconceituoso. 

Talvez para quem não viva com o vírus, não faça diferença, mas nós que convivemos, isso incomoda. Não precisamos passar por mais esse constrangimento. Ali deve ser um lugar de acolhimento, não de exposição. Favor encaminhar para a gerência do Hospital Dr. Ovídio, também para o Sr. Secretário de Saúde e para as psicólogas que ali atendem. Obrigado e espero que tenham empatia e compreensão com o usuário. Que a farmácia FUNCIONE todos os dias e que tenha mais funcionário para que as pessoas não fiquem sem seus medicamentos. Essa semana ele estava viajando, e se ele precisar se afastar por algum motivo? A farmácia ficará fechada como esta semana? Abraço.” 

Lembrando que no e-mail consta que foi encaminhada cópia à Ouvidoria da Prefeitura.