Ocupação da Praça continua sem solução

Mau cheiro de fezes e urina, uso de bebida alcoólica livremente e número surpreendente na “assistência social” ampliam o problema

Ocupação da Praça continua sem solução
Foto: Arquivo/FOLHA

Na reunião da Câmara desta semana, o vereador Guilherme Rocha anunciou, em sua fala, que participou de uma ação de ajuda social no final de semana anterior, “quando foram distribuídas mais de 60 marmitas a moradores em situação de rua”, e acrescentou que esse número foi “só na área central, e não deu pra todo mundo”.

 A fala do vereador demonstra que os números anteriormente anunciados, de cerca de 50 pessoas, estão aumentando muito. Também demonstra que existe um trabalho de assistência social por parte de entidades, mas que falta uma ação pública no sentido de atender esse pessoal, como ele falou, “a maioria com seus vícios em bebida e tal”. E aí está a maior relevância do problema. 

A Praça da Matriz está exalando mau cheiro, de fezes e urina, pois vários desses andarilhos estão usando a praça como banheiro público a céu aberto. A questão do uso de bebidas alcoólicas é constante na região e diariamente, na Praça da Matriz, podem ser vistas pessoas fazendo uso de bebida alcoólica em “pitchulinhas”, como são chamadas as embalagens. A população dá esmolas em dinheiro, que é usado para aquisição da bebida e até drogas, enquanto as entidades beneficentes e alguns comerciantes dão alimentação. Mas não existe um programa, uma ação que seja pública e com participação da sociedade civil, para atender a esse público, para encaminhá-lo a tratamento médico, com oferta de abrigo, banheiros públicos, a tratamento digno. 

Também em relação à proibição dos abusos, em cidades vizinhas, como já publicado na FOLHA, as pessoas são cadastradas, encaminhadas a abrigos, e existem também ações no sentido de cobrar comportamento menos agressivo, menos abusivo, de respeito ao espaço público. Não se cobra punição, mas que seja ofertado atendimento humanitário, e que seja exigido comportamento condizente com o espaço público. Que se dê o pão, mas que também se ensine a pescar. Porém não se deve deixar de lado a cobrança por um comportamento digno de convívio em sociedade. Não é porque se está em dificuldade que não precisa respeitar o direito do outro. Não é porque está em situação de rua que pode beber até cair na rua, urinar e defecar nos passeios públicos, ofender e até ameaçar as pessoas mais frágeis, como idosos, mulheres e crianças, portar-se com falta de decoro. 

A ajuda precisa ser dada, mas é mais que urgente que sejam estabelecidos limites às pessoas, para que elas não se tornem “donas do pedaço”, como tem sido o comportamento de alguns desses moradores em situação de rua.