Quando se quer, faz. Que sirva de exemplo

Não é novo o debate sobre a questão moradores de rua e andarilhos em todas as cidades brasileiras. Em algumas usam técnicas psicológicas; em outras são usadas propostas administrativas; e, na maioria, usa-se a tática do convencimento puro e simples, como dar a comida, o banho e pagar a passagem para que o cidadão siga para a sua região e/ou cidade, mas, na maioria das vezes, eles voltam e o ciclo se repete.
Em Itaúna, já faz tempo, as denúncias e queixas dos cidadãos – que pagam impostos e querem uma cidade organizada, limpa e onde ele possa ter o sossego de andar com segurança e a tranquilidade de que não vai ser importunado nos sinais e/ou nas esquinas e portas de lotéricas e bancos – vêm sendo feitas com constância. E nós da imprensa temos sido porta-vozes desses cidadãos e também presenciamos, no dia a dia, esta faceta social pouco observada pela maioria, devido ao corre-corre diário. E, nessa observação diária, podemos afirmar que, além dos moradores de rua que vêm de outras cidades, temos os cidadãos itaunenses que, por vários motivos, vivem nas ruas, devido ao alcoolismo, às drogas, às doenças mentais e até pelos desentendimentos domésticos.
Mas, indiferente de motivos, é preciso solução para a demanda. Nunca fomos favoráveis ao acolhimento, como defendem muitos, inclusive, associações fraternas e instituições de assistência social. Somos favoráveis, sim, que o papel social seja o principal viés para a solução do problema social, mas nunca sob a ótica do assistencialismo. Mas em Itaúna, já faz alguns anos, não se faz nem uma coisa nem outra, e esse assistencialismo tendo como parâmetro o viés político é usado, e o problema nunca tem uma solução, digamos, definitiva.
As nossas ruas e praças estão tomadas por mendigos, drogados e por andarilhos que aqui “estacionam” para usufruir do assistencialismo político. No último governo municipal, em nossa opinião, sequer tiveram a preocupação de trabalhar um projeto social, apenas deixaram as coisas acontecerem, e agora chegamos ao caos total. Não demora e teremos notícias de agressão de fato ao cidadão que se recusa a dar dinheiro, pois a agressão verbal já se tornou comum, feita pelos viciados que querem dinheiro para comprar drogas e/ou pelos bêbados que querem continuar bebendo.
E, enquanto o poder público não toma providências de fato, e não busca uma solução satisfatória para o estado absurdo em que a situação chegou, acontece o que aconteceu esta semana. Apesar de um ato isolado, ele merece aplausos de todos e precisa ficar registrado, para que se possa, a partir dele, formar uma opinião e se iniciar uma discussão para combater a causa na raiz do problema. Na terça-feira, dia 1º, a Polícia Militar recebeu denúncia, de moradores do Bairro Sion, de que moradores de rua e andarilhos tinham tomado as laterais do Rio São João, já há algum tempo, e estavam “residindo” debaixo de uma ponte que dá acesso ao condomínio de prédios no bairro Sion.
Desta feita, ao chegar ao local e perceber a situação complicada e delicada para os moradores do entorno, um policial resolveu agir com cautela e, principalmente, raciocinando. Ao perceber que apenas a ação da policial não bastaria, pois ela retiraria os invasores e depois eles voltariam em questão de minutos, ele achou por bem envolver as secretarias de Desenvolvimento Social e de Regulação Urbana, além dos coordenadores de ações habitacionais do município e, principalmente, os moradores do entorno, assim como as lideranças do bairro, para discutir a questão. Após entendimentos, esse grupo entrou em contato com os moradores em situação de rua que ocupavam o local e, após entendimentos, oito pessoas foram encaminhadas a abrigos e a programas de reinserção social (como já declaramos acima, não somos muito favoráveis, mas é melhor tentar a alternativa). Depois, foi feita a retirada do local, pela Prefeitura, de cerca de duas toneladas de lixo e entulhos e realizada a limpeza da estrutura (veja foto na primeira página). Os líderes comunitários assumiram o encargo de monitoramento do local, para evitar novas ocupações.
E o mais interessante disso tudo, em nossa opinião, é que bastou um olhar mais observador para que um resultado fosse efetivado de forma inicial com sucesso. Pois, como já afirmamos anteriormente, dos oito encaminhados, lá na frente, a maioria vai voltar para as ruas e para as drogas. Mas a tentativa valeu. Gostaria aqui de parabenizar o policial que teve a iniciativa de buscar o comando e apresentar a proposta de envolvimento de todos para o “acordo” com os invasores. É a partir daí que poderemos obter sucesso na resolução dos problemas sociais. Não é passando a mão na cabeça, com a distribuição de marmitas e/ou medicamentos, ou até de cestas básicas, além de dinheiro nos fins de semana. É como bem disse o Sargento Tavares, “nosso objetivo era ouvir todos e transformar preocupações em ações concretas”. Já o comandante da 9ª Cia. PM Ind., major Souza, afirmou que “esse caso comprova que a segurança pública vai além da atuação policial. Quando integramos esforços com a sociedade e o poder público, resolvemos problemas de forma eficaz e humana”. Ponto. Não preciso dizer mais nada. Repito: quando se quer, faz. Que sirva de exemplo.